terça-feira, novembro 28, 2006

As taras da realeza

Pelo menos alguns patos têm vidas sexuais particularmente interessantes, envolvendo orgãos sexuais sobredotados, violações em bando e necrofilia ocasional. Algumas espécies são bizarramente agressivas, atacando e espancando outras aves aquáticas até à morte.

Esta é uma citação de um texto de Darren Naish no Tetrapod Zoology sobre a redescoberta de uma espécie de pato que se julgava extinta. Depois de ter referido as moscas necrofílicas na minha última contribuição, a perversão entre os patos parece estranhamente adequada. O Darren foi atencioso e deu mesmo a referência. Foi daí que extraí esta imagem. Os animais em questão são dois patos-reais, da espécie Anas platyrhynchos, ambos machos. O que está caído no chão está morto, mas isso não deteve os avanços amorosos do segundo animal. [... ler mais]

Este comportamento é relatado por C. Moeliker, na revista Deinseaa (ref1). Numa tradução livre do resumo:
A 5 de Junho de 1995 um pato-real macho adulto (Anas platyrhynchos) colidiu com a fachada em vidro do Natuurhistorisch Museum Rotterdam e morreu. Um outro pato da mesma espécie violou o cadáver quase continuamente durante 75 minutos. Então o autor perturbou a cena e recolheu o pato morto. A autópsia mostrou que a vítima de violação era de facto do sexo masculino. Conclui-se que os patos estavam envolvidos numa "Tentativa de Violação em Vôo" que resultou no primeiro caso de necrofilia homossexual nos patos-reais.

Eis aqui uma foto da parte mais perturbadora da história, tirada dois minutos após a que se mostra no início da contribuição.

É de "admirar" a persistência do animal, 75 minutos, e mesmo assim ainda ficou algum tempo a protestar:
Às 19:12 h eu perturbei esta cena cruel. O pato necrofílico deixou o seu "parceiro" de forma reluctante: quando eu me tinha aproximado dele a cerca de cinco metros, ele não levantou vôo mas andou simplesmente uns quantos metros, balbuciando fracamente séries de chamamentos de duas notas "raeb-raeb". Recolhi o pato morto e deixei o museu às 19:25 h. O pato ainda estava presente no local, chamando "raeb-raeb" e aparentemente procurando pela sua vítima (que, por essa altura, estava no frigorífico).

Embora tenha sido a colisão com o edifício que matou o pato, segundo o autor o animal devia estar a ser perseguido pelo outro que desejaria fazer dele, à força, o objecto das suas atenções amorosas. Aparentemente é um comportamento muito comum nos patos. Nunca mais vou encarar estes animais da mesma forma.

Referências
(ref1) C.W. Moeliker (2001). The first case of homosexual necrophilia in the mallard Anas platyrhynchos (Aves: Anatidae). Deinsea, vol 8, page 243-247. Resumo e PDF.

1 comentários:

João Carlos disse...

Caramba! Será que é daí que vem a expressão "pagar o pato"?...

Agora, sem gracejos, o uso da "dominação sexual" entre os animais me parece um comportamento largamente difundido.

Eu tive uma bicha-cadela Huskie que "se impunha" ao Poodle que convivia com a matilha, pegando-o como um macho pega a fêmea e arremedando o comportamento do macho...

Pelo visto, não é só no "quem come prim