O Instituto de Meteorologia divulgou recentemente as médias de temperatura para os meses de Junho, Julho e Agosto. Confirmam aquilo que me tinha sido dito por quase toda a gente (estive fora a maior parte deste período). Este verão foi, em Portugal, relativamente frio e chuvoso. [... ler mais] Tmed (°C) Tmax (°C) Tmin (°C) Verão 2007 20.7 27.0 14.3 Normal 1971-2000 21.2 27.5 14.9
O comunicado refere então:O Instituto de Meteorologia, I. P. informa:
O Verão (Junho, Julho e Agosto) de 2007 apresentou as temperaturas médias do ar mais baixas dos últimos 20 anos, em Portugal Continental, situando-se cerca de 0,5º C abaixo do respectivo valor médio do período 1971-2000. Quando comparadas as temperaturas médias registadas neste verão com as médias verificadas neste século, de 2001 a 2006, a diferença atinge -1,9 ºC em termos médios, sendo que o Verão de 2007 pode assim ser considerado o menos quente desde o início deste Século.
O ênfase é do próprio Instituto de Meteorologia. Note-se que este valor surge em contraponto aos anos anterioresDesde 1931 (ano de início da série de registos climatológicos), 4 dos 5 verões com temperaturas médias mais elevadas ocorreram igualmente no presente Século, tendo os Verões de 2003 a 2006 sido excepcionalmente quentes, com desvios da temperatura média superiores a 1,7º C.
Estes valores são particularmente importantes porque os meios de comunicação começaram com a lenga-lenga do costume a tentar assustar as pessoas. Como o Instituto de Meteorologia refere mais adiante:Em resumo, dir-se-á que a caracterização do Verão de 2007 enquadra-se perfeitamente na variabilidade climática observada em Portugal continental e não confirma alguns cenários de tempo excepcionalmente quente adiantados em Maio na imprensa nacional, os quais foram aliás logo na ocasião desmentidos pelo IM, em comunicado difundido no dia 11 desse mês.
Uma coisa que me incomoda na forma como a comunicação social aborda o clima é exactamente a confusão que estabelece no espírito das pessoas a respeito do curto e do médio prazo. O clima no seu sentido mais usual é uma média ao longo de decénios, em geral 30 anos. Um ano, ou mesmo dois ou três não servem para estabelecer tendências no clima de uma dada região, a variabilidade do sistema climático é muito elevada. Dois ou três anos de calor não significam aquecimento a nível regional, tal como dois ou três anos mais frios não significam arrefecimento. É a tendência dos valores se manterem preferencialmente acima ou abaixo da média de um período anterior de igual duração que indica possíveis alterações no clima.
terça-feira, setembro 04, 2007
Variabilidade climática e alterações climáticas
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segunda-feira, agosto 14, 2006
As coisas que os químicos podem fazer na cozinha
Eis algo que descobri através do blog da GrrlScientist, Living the Scientific Life (Scientist, Interrupted).Se quer saber o acontece quando se juntam 200 litros de coca-cola de dieta e 500 pastilhas de Mentos, eis a sua oportunidade. Ainda por cima pode ver tudo em filme (exige ligação rápida e paciência, são cerca de 12 Mbytes). [... ler mais]
Já agora, os cientistas pensam que a causa dos géiseres é física e não química. As rugosidades e poros na pastilha dos mentos permitem que se formem quantidades colossais de bolhas muito depressa. Embora isto não queira dizer que se corra o risco de "rebentar", caso se beba coca-cola e se comam Mentos ao mesmo tempo, os autores do vídeo alertam as pessoas para que não testem os limites dos respectivos estômagos.
Adenda: fui demasiado rápido ao referir o que os cientistas pensam. Há quem defenda um "modelo químico". O Douglas Adamoski Meira fez um trabalho de pesquisa bastante exaustivo e explica as várias soluções de forma bastante detalhada no seu blog Leituras para um ócio produtivo.
Ficha técnica
O filme e uma explicação de como funciona (em inglês) cortesia de EepyBird.com
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terça-feira, junho 27, 2006
Fogos em Angola vistos do espaço

Enquanto procurava notícias sobre acontecimentos do último mês no Monte Merapi encontrei esta interessante imagem de satélite da região de Angola, tirada no passado dia 24 de Junho, pelo Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) no satélite Aqua da NASA.
Os pontinhos brilhantes na imagem marcam a posição de fogos, que se estendem desde a costa de Angola à esquerda até ao lago Tanganica à direita (mesmo junto ao canto superior), estendo-se através da República Democrática do Congo e a Zâmbia. Esta imagem é uma composição, o MODIS indica pontos onde a temperatura é mais elevada e esses pontos são colocados sobre uma fotografia dessa região. [... ler mais]
Na fotografia original não se vêm pontinhos brilhantes, estes foram acrescentados digitalmente. Já agora, eu preenchi os contornos e usei uma cor diferente do vermelho original, para que as posições ficassem mais visíveis.
Estamos a falar de centenas, senão mesmo milhares de pequenos incêndios, resultantes muito provavelmente de queimadas com intuitos agrícolas. Se olharem com atenção podem ver mesmo as colunas de fumo que emanam dos fogos, mais fáceis de ver na ampliação em baixo da zona da fronteira norte de Angola. Mais uma vez saliento o facto de que os pontos brilhantes foram acrescentados digitalmente para marcar posições de temperatura elevada detectadas por intermédio do MODIS. O fumo, contudo, faz parte da fotografia original.
Trata-se de um exemplo impressionante como uma actividade humana aparentemente descoordenada pode ser visível do espaço.
Ficha Técnica
Imagens e inspiração para o texto retiradas do Earth Observatory da NASA, desta página.
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terça-feira, janeiro 31, 2006
Sobre a inteligência dos miúdos britânicos
Esta história no Times Online é no mínimo curiosa. De acordo com um investigador que estudou cerca de 25000 crianças no Reino Unido a inteligência dos miúdos com 11 anos caiu o equivalente a 3 anos nos últimos três decénios. [... ler mais]
Um dos testes aplicado era relativamente simples. A água contida num recipiente estreito e alto, completamente cheio, era despejada num recipiente largo mais baixo, em frente à criança. Em seguida o recipiente estreito era enchido novamente e perguntava-se à criança se ambos os recipientes continham o mesmo volume água ou não. Outro teste consistia em perguntar às crianças qual de duas esferas com o mesmo volume, uma de latão, outra de plasticina, deslocaria o maior volume de líquido se colocada num recipiente com água. Este tipo de testes são uma medida directa da inteligência, que, ao contrário dos programas escolares, que mudam todos os anos, pode ser comparada ao longo do tempo. Os testes tinham tinha sido feitos a crianças em 1976, e um terço dos rapazes e um quarto das meninas tiveram pontuações elevadas. Em 2004 apenas 6% dos rapazes e 5% das meninas tiveram pontuações equivalentes.
Gostaria de ver testes semelhantes feitos às crianças portuguesas, ou pelo menos aos nossos políticos. Não deixa de ser irónico que, depois de todas as "melhorias" introduzidas no sistema educativo, a escola torne os alunos piores do que eram há 30 anos. De qualquer forma o resultado pode não ser tão preocupante como parece, não se sabe o que isto significa em relação a essas crianças como futuros adultos.
Nota (1 Fev 2006): John Hawks também discute este artigo. No artigo os autores do estudo "ilibam" a escola da responsabilidade do descalabro e atribuem-na sobretudo aos novos hábitos das crianças que largaram os brinquedos tradicionais pelos jogos de computador. John Hawks considera que é mais provável que se deva de facto à falta de acompanhamento escolar. Pessoalmente acho que se a troca dos brinquedos for a razão para a queda de inteligência então o papel da escola na formação das crianças é posto ainda mais em questão.
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segunda-feira, outubro 31, 2005
Mentira e Felicidade
Segundo parece o segredo para não cair em depressões é mentir o mais possível. Num artigo na Forbes online, intitulado "Lying is Good For You", Lacey Rose analisa os benefícios da mentira. Pelos vistos as pessoas mentem constantemente. O artigo cita um estudo de Robert Feldman, professor de psicologia na Universidade do Massachusetts em Amherst, que gravou secretamente conversas de alunos com estranhos. Ao visionarem as conversas os estudantes identificaram as vezes em que mentiram. Confessaram terem mentido em média 3 vezes a cada 10 minutos. O artigo tem algumas citações curiosas. Numa tradução livre: "tendemos a considerar as pessoas que dizem sempre a verdade como sendo ríspidas, antissociais e mesmo patológicas". E ainda: "há evidência científica que mostra que as pessoas depressivas são mais honestas que as não-depressivas. Quando as pessoas recuperam das depressões ficam menos honestas". Pelos vistos quando um colega nos pergunta se fez um bom trabalho, esse colega não quer uma resposta sincera, quer apenas reduzir a ansiedade. Alguém me devia ter explicado isso antes. Para finalizar mais uma citação: "O truque é que não chamamos a isso mentir, chamamos-lhe ter tacto ou ser sociável". Embora tudo isto pareça senso comum, é a tomar com um grão de sal. Não vou desatar a mentir por tudo e por nada, pelo menos até alguém me fornecer referências sobre estudos entre depressão e honestidade que mostrem que mentir melhora de facto a qualidade de vida.
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Relâmpagos de trazer por casa
Aqui em Gaia as trovoadas ocorrem frequentemente, e já tive algum sustos, com relâmpagos a cairem a poucas dezenas de metros de mim. O fenómeno sempre me pareceu muito diferente das faíscas observadas nas descargas eléctricas que se veêm no dia-a-dia. Ora as coisas não são bem assim. [...ler mais]
Num artigo na Geophysical Research Letters (ref 1), Joseph Dwyer e colegas conseguiram reproduzir uma das principais características dos relâmpagos usando descargas eléctricas em laboratório. Durante uma trovoada a descarga eléctrica ioniza o ar e acelera os electrões a velocidades da ordem da velocidade da luz. Como consequência as trovoadas são acompanhadas da emissão de raios-X e mesmo raios-gama. Sempre se considerou que durante as descargas eléctricas normais não se conseguiam acelerar electrões a essas velocidades, mas pelos vistos estávamos enganados. Carregando um conjunto de condensadores a cerca de 100 mil volts cada um, e deixando-os descarregar entre duas esferas de metal afastadas 10 cm, Dwyer e colaboradores conseguiram medir raios-X emitidos pela faísca resultante.Os fluxos de raios-X produzidos são muito fracos, e nem todas as descargas eléctricas produzem raios-X, pelo que não vale a pena pensar em utilizar este processo para economizar nas radiografias. A descoberta é importante entre outras coisas para a compreensão do fenómeno dos relâmpagos. Apesar de as trovoadas serem um fenómeno relativamente comum, ainda há alguns aspectos dos relâmpagos por explicar. A descarga eléctrica numa trovoada não se propaga até ao solo de forma simples, mas executa uma série de passos, cada um deles com emissão de raios-X (ref 2). Ao conseguir reproduzir as características do fenómeno num laboratório os cientistas passam a poder conduzir estudos detalhados e em condições controladas do fenómeno.
Referências
(ref 1) Dwyer J. R. et al. Geophys. Res. Lett., 32. L20809 (2005).
(ref 2) Dwyer J. R. et al. Geophys. Res. Lett., 32. L021782 (2005).
Por CDG
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