<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430</id><updated>2012-01-30T03:31:07.493Z</updated><category term='Viagens'/><category term='Antropologia'/><category term='Geologia'/><category term='Sopa da Pedra'/><category term='Outras Ciências'/><category term='Roda de Ciência'/><category term='Biologia'/><category term='Arqueologia'/><category term='Bestiário'/><category term='Extras'/><category term='Paleontologia'/><title type='text'>Cais de Gaia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>347</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3893532466758943814</id><published>2008-12-28T23:25:00.005Z</published><updated>2008-12-29T00:30:59.032Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Quando os chimpanzés atacam</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 150px; height: 141px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SVgZHM5KKQI/AAAAAAAAB-s/P_NrX4ks8JQ/s400/chimpanze_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285001774230022402" border="0" /&gt; Agora que já passou a quadra natalícia é boa altura para voltar a um dos meus temas favoritos: a desconstrução dos mitos dos animais bonzinhos. Antes de voltar ao tema do ciúme e outros estados de alma dos animais,  começo por lembrar que animais selvagens, mesmo em cativeiro, não são animais de estimação, nem têm nada que ver com o que aparece nos filmes da Disney.  Em 2005, foi isto que aconteceu ao dono de um santuário de primatas, em Los Angeles, nos Estados Unidos da América:&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;blockquote&gt;O antigo piloto de NASCAR, com 65 anos, perdeu todos os seus dedos, um olho, o nariz, partes das bochechas e lábios, e bocados do seu tronco para um grupo de chimpanzés atacantes em 2005. Os animais atacaram, no seu santuário, depois de aparentemente terem ficado ciumentos por Davis estar a preparar-se para oferecer um bolo de aniversário a Moe. &lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Moe era um outro chimpanzé do santuário, que não se envolveu nos ataques. Esta citação provém do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Los Angeles Times&lt;/span&gt;, e recolhia-a via blogue de &lt;a href="http://johnhawks.net/node/1548" target="_blank"&gt;John Hawks&lt;/a&gt;, que refere que os testículos do infeliz senhor também foram arrancados. Notem a referência a possível ciúme, um tema a que voltarei. Se isto vos incomoda então é melhor evitarem o Cais de Gaia nos próximos tempos. Vamos ter mais  mordidas em humanos, violência conjugal, assassinatos, infanticídio e canibalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha Técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem cortesia de Frans de Waal e da  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;PLoS Biology&lt;/span&gt;, via &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1371/journal.pbio.0030202" target="_blank"&gt;http://dx.doi.org/10.1371/journal.pbio.0030202&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3893532466758943814?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3893532466758943814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3893532466758943814&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3893532466758943814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3893532466758943814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/12/quando-os-chimpanzs-atacam.html' title='Quando os chimpanzés atacam'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SVgZHM5KKQI/AAAAAAAAB-s/P_NrX4ks8JQ/s72-c/chimpanze_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-6495148406122720167</id><published>2008-12-08T19:55:00.014Z</published><updated>2008-12-09T18:14:44.992Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O sentimento de injustiça canina</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left; width: 150px; height: 141px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/ST6y-DZ1jLI/AAAAAAAAB-k/tvdDiqHk7FE/s1600/Friederike_Range_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277852592460106930" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; width: 500px; height: 433px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/ST6w8C90v2I/AAAAAAAAB-E/3L4h_PEsXvE/s1600/Friederike_Range0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277850358959619938" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta imagem, que mostra um gesto aparentemente banal, um cachorro a dar a pata a um ser humano, é parte de um estudo científico muito interessante sobre o comportamento canino. Um estudo que se debruçou sobre a inveja e sentimentos de injustiça. Este cachorro vai ser confrontado com um tratamento desigual relativamente ao seu parceiro da fotografia. Os donos de cães tendem a afirmar que aos seus animais só lhes falta falar e atribuem-lhes um certo número de estados de espírito "humanos." Um dos mais óbvios é o ciúme, despoletado pela chegada de um outro cão (ou de uma criança) no agregado familiar. Este estudo recente mostra que os cães são capazes de sentimentos mais subtis, e que são sensíveis a situações em que a trabalho igual correspondem recompensas distintas, isto é, os cães distinguem quando são vítimas de injustiça. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/12/o-sentimento-de-injustia-canina.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O estudo que indaga de que forma os cachorros reagem a desigualdades na recompensa dada a uma mesma tarefa é da autoria de Friederike Range e aguarda publicação na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Proceedings of the National Academy of Sciences &lt;/span&gt;(ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Um elemento crucial na evolução da cooperação pode ter sido a sensibilidade aos esforços e recompensas dos outros quando comparados com os custos e ganhos próprios. Pensa-se que aversão à desigualdade seja a força que torna o castigo não-egoísta nos seres humanos um instrumento poderoso para impôr a cooperação.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O "castigo não-egoísta" é algo que nos leva por vezes a dispender um esforço maior para corrigir uma situação de injustiça do que aquilo que ganharíamos caso a tal situação não ocorresse. Os seres humanos são capazes de ir a extremos para castigar os indivíduos que identificam como batoteiros e aproveitadores.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Pesquisa recente mostra que primatas não humanos se recusam a participar em tarefas cooperativas de resolução de problemas se notam que um congénere obtém, para o mesmo esforço, uma recompensa mais apetecível. Contudo, pouco se sabe sobre espécies de não primatas, embora a aversão à desigualdade também seja esperada noutras espécies cooperativas. Investigamos aqui se os cães domésticos mostram sensibilidade no que se refere à desigualdade das recompensas recebidas ao darem a pata a um investigador encarregado de pares de cachorros.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A experiência efectuada era bastante simples. A fotografia no topo da contribuição ilustra um dos passos, mostrando dois cachorros, com o dono em pé por trás. Um deles está a dar a pata à investigadora, não recebendo nada por isso. O outro cachorro também deu a pata, mas recebeu uma recompensa :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; width: 500px; height: 424px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/ST6xR3LmHYI/AAAAAAAAB-U/bIW5uUwSPMw/s1600/Friederike_Range1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277850733753277826" border="0" /&gt;Notem o olhar atento do primeiro cachorro ao ver o segundo a levar uma guloseima. Ora o primeiro cachorro não tinha levado nada, e após uma quantas vezes desta coisa repetida o resultado foi este:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; width: 500px; height: 404px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/ST6xWibh-QI/AAAAAAAAB-c/WwPBdJDuqgc/s1600/Friederike_Range2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277850814082316546" border="0" /&gt;O cachorro pura e simplesmente recusa-se a dar a pata, e nem sequer olha para a investigadora. Deve notar-se que, quando sem parceiro, o cachorro continua a dar a pata durante muito tempo, mesmo que não receba comida. Os autores do artigo concluem então:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Encontrámos diferenças nos cachorros testados sem recompensa de comida na presença de de um parceiro recompensado quando comparado com a situação base (ambos os parceiros recompensados) e uma situação associal de controlo (sem recompensa, sem parceiro), indicando que a presença de um parceiro recompensado é importante. Além disso, mostrámos que não foi a presença do segundo cão, mas o facto de que o parceiro recebeu a comida, que foi responsável pela mudança de comportamento dos indivíduos. Em contraste com os estudos dos primatas, os cães não reagiram a diferenças na qualidade da comida ou do esforço. Os nossos resultados sugerem que outras espécies além dos primatas mostram pelo menos uma versão primitiva da aversão à desigualdade, que pode ser um precursor de sensibilidades mais sofisticadas aos esforços e recompensas de interações mútuas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os cães não eram esquisitos, um deles podia receber pão enquanto o outro recebia salsicha que isso não os incomodava muito. Também não se importavam se o parceiro levasse comida mesmo que não levantasse a pata, desde que levassem alguma coisa ao levantarem a pata. Agora não levar nada e ver o parceiro a comer é que não. O tipo de reacção desta experiência exige claramente um julgamento por parte do cachorro. Os animais amuavam, e ficavam claramente perturbados, algo evidenciado pela forma como se coçavam, bocejavam e lambiam a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Friederike Range, Lisa Horn, Zsófia Viranyi, Ludwig Huber (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The absence of reward induces inequity aversion in dogs&lt;/span&gt;. PNAS, no prelo. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1073/pnas.0810957105" target="_blank"&gt;doi:10.1073/pnas.0810957105&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-6495148406122720167?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/6495148406122720167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=6495148406122720167&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6495148406122720167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6495148406122720167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/12/o-sentimento-de-injustia-canina.html' title='O sentimento de injustiça canina'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/ST6y-DZ1jLI/AAAAAAAAB-k/tvdDiqHk7FE/s72-c/Friederike_Range_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3737227713040690466</id><published>2008-11-22T17:09:00.005Z</published><updated>2008-11-22T17:51:48.038Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Abraçar um panda</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left; width: 150px; height: 114px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SShFgvu5aiI/AAAAAAAAB98/aOYKW1o7sEw/s400/panda_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271539792708463138" border="0" /&gt; Para celebrar o regresso, eis, não um artigo científico, mas uma notícia referente à criatura da imagem, o panda-gigante de seu nome científico &lt;i&gt;Ailuropoda melanoleuca&lt;/i&gt;. Como deixei transparecer nalgumas contribuições anteriores, detesto pandas, embora a culpa não seja dos animais. A iconografia ligada aos pandas simboliza tudo o que há de errado na abordagem humana à natureza, em que os animais que interessa preservar são os bonitos e fofinhos. Em geral, costumo referir-me a estas criaturas como "abraçáveis," e não fiquei espantado ao ler que um estudante chinês de 20 anos chamado Liu, decidiu invadir o recinto de um panda chamado Yang Yang no zoológico de Qixing Park na China, para lhe dar um abraço. Digamos que não foi uma boa ideia, tal como Liu descobriu de uma forma bastante dolorosa. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/11/abraar-um-panda.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o texto veiculado no Estadão, e na CNN, o estudante não recebeu o abraço caloroso que estava à espera, mas sim dentadas nas pernas e nos braços. Levado ao hospital local, foi operado aos ferimentos e, embora livre de perigo, terá que permanecer durante vários dias no hospital. A justificação dada pelo jovem, que apesar de tudo já tem idade para ter juízo, foi:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Yangyang era tão lindo e eu só queria abraçá-lo. Não esperava que ele me atacasse.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Este não é o primeiro caso registado de humanos que se deixam tentar pela fofura inerente aos pandas, e que acabam por receber não um abraço mas a marca dos dentes dos animais. Num caso registado antes deste, em Pequim em 2006, o homem mordido, um turista estrangeiro, tinha ao menos a desculpa de estar bêbado. Nesse caso, o homem, depois de mordido pelo panda, mordeu de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pandas, fofinhos mas com bons dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Texto construído a partir &lt;a href="http://edition.cnn.com/2008/WORLD/asiapcf/11/22/panda.bites.man.china.ap/index.html?iref=mpstoryview" target="_blank"&gt;desta notícia&lt;/a&gt; da CNN, e da &lt;a href="http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid281855,0.htm"&gt;versão em português&lt;/a&gt; no Estadão.&lt;br /&gt;Imagem de panda cortesia de Sheila Lau via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Panda_Cub_from_Wolong,_Sichuan,_China.JPG" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3737227713040690466?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3737227713040690466/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3737227713040690466&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3737227713040690466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3737227713040690466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/11/abraar-um-panda.html' title='Abraçar um panda'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SShFgvu5aiI/AAAAAAAAB98/aOYKW1o7sEw/s72-c/panda_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-5780296249980817956</id><published>2008-10-28T22:47:00.004Z</published><updated>2008-10-30T18:24:42.781Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A vida difícil dos jovens golfinhos</title><content type='html'>Estava a passar em revista os artigos que tinha sob a forma de rascunho e qual não é a minha surpresa quando reparei que não tinha publicado o último da minha sequência sobre os golfinhos. Esta coisa andou para aqui escondida durante mais de um ano. Com grande atraso, ei-lo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt; &lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; width: 500px; height: 345px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQn3AkALgbI/AAAAAAAAB90/a5fh3Fvik7U/s1600/golfinho0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263009228595626418" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left; width: 150px; height: 143px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQn2aN6J7uI/AAAAAAAAB9c/BrLPbqVF5Nk/s1600/golfinho_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263008569829748450" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Se perguntarem, numa sala cheia de crianças, quantas gostariam se ser astronautas de certeza que muitos braços se levantarão no ar. Se, em vez disso, perguntarem quantas querem ser astronómos, com alguma sorte verão um braço ou dois no ar. Ser cientista é algo que não desperta grande interesse na miudagem. Há no entanto uma excepção. Se perguntarem quem gostaria de ser um dos cientistas que estudam os golfinhos, quase todos os miúdos se mostrarão entusiasmados com isso. Embora não sejam felpudos como os pandas, não deixam de fazer parte dos animais «abraçáveis», pois o rosto dos golfinhos descreve uma espécie de sorriso. Não se trata de um sorriso verdadeiro, a face do golfinho não possui os músculos para isso. É apenas um acaso  que faz com que uma boca que evoluíu para caçar peixes e lulas nos pareça simpática. As pessoas tendem assim a afeiçoar-se instintivamente aos golfinhos, e o facto de serem criaturas sociáveis e brincalhonas leva-nos a querer interagir com eles. Aquilo que atrai a criançada são coisas como nadar com os golfinhos, brincar com eles, e mesmo a remota possibilidade de conseguir falar com eles. Ora estas são más razões para estudar mamíferos marinhos. Não interessa se parecem sorrir, os golfinhos são animais selvagens, perigosos, e devem ser encarados como tal. Esta imagem de uma mãe golfinho e da sua cria pode parecer enternecedora, mas há perigos à espreita, não os &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/09/quando-o-tubaro-ataca.html" target="_blank"&gt;tubarões de que falei aqui&lt;/a&gt;, mas sim outros golfinhos. Este é o lado verdadeiramente tenebroso dos golfinhos de que prometi falar. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/vida-difcil-dos-jovens-golfinhos.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Já tinha &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/09/mau-como-os-golfinhos.html" target="_blank"&gt;falado aqui de um lado "mau" dos golfinhos&lt;/a&gt;, ilustrado nesta fotografias, parte de uma sequência que mostra um roaz corvineiro (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tursiops truncatus&lt;/span&gt;) a espancar até à morte um boto marinho (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Phocoena phocoena&lt;/span&gt;):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; width: 479px; height: 142px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQn27fSS0II/AAAAAAAAB9s/SIVL6f-MIr0/s1600/golfinho1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263009141430079618" border="0" /&gt;O fotógrafo, Peter Asprey, tece &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/User:Shirehorse" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; os seguintes comentários sobre a inclusão dessas imagens em artigos sobre golfinhos na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikipedia&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Descobri que juntar este tipo de imagens, em qualquer lugar próximo da visão amigável e abraçável dos golfinhos, causa o retorno quase imediato a uma versão anterior.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas sentem uma espécie de choque quando se lhes mostra algo deste tipo, sobretudo quando se lhes diz que este  tipo de ataques não são uma ocorrência isolada. Cerca de 63% dos botos marinhos encontrados  mortos em terra em   Moray Firth mostravam várias lesões no esqueleto e danos nos orgãos internos que eram consistentes com ataques por roazes corvineiros. O comprimento do corpo dos  botos marinhos vítimas de ataques variava entre  0.74 a 1.66 metros, com 84% no intervalo entre 1.0 a 1.5 metros. Ora o que tem de especial este intervalo de tamanho a que corresponde a maior parte dos ataques? Bem, trata-se do tamanho aproximado das crias jovens dos roazes corvineiros, animais com menos de um ano de idade e dependente das mães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matança dos botos marinhos parece ser um treino para algo de contornos muito mais sinistros. Pelo menos é isso que sugere um estudo de Patterson e colegas na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Proceedings of the Royal Society B&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A maioria dos botos marinhos encontrados mortos na costa nordeste da Escócia mostram sinais de ataque por roazes corvineiros, mas as razões para estas interações violentas permanecem pouco claras. Exames post-mortem de roazes corvineiros que deram à costa mostram que cinco crias de um total de oito desta mesma área também foram mortas por roazes corvineiros.  Estes dados, juntamente com as observações directas da interação agressiva entre um roaz corvineiro adulto e uma cria de roaz corvineiro morta, fornecem evidências fortes para o infanticídio nesta população.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os danos nos corpos dos crias encontradas mortas eram em tudo idênticos aos danos observados nos botos marinhos. No caso observado por testemunhas humanas, um golfinho adulto agrediu o que então era já um cadáver de uma cria durante 53 minutos. A pancadaria que os roazes corvineiros machos infligem nos botos marinhos parece ser apenas um treino para serem mais eficientes a matar as suas próprias crias.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A semelhança no tamanho dos botos marinhos e das crias de golfinho que mostravam sinais de ataque por roazes corvineiros sugerem que as relações interespecíficas relatadas previamente podem estar relacionadas com este comportamento infanticida. Estas descobertas parecem fornecer a primeira evidência de infanticídio nos cetáceos (baleias, delfinídeos e focenídeos). Sugerimos que o infanticídio deve ser considerado como um factor que molda a sociabilidade nesta e noutras espécies de cetáceos, e que pode ter consequências sérias para a viabilidade de populações pequenas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de um comportamento desviante de um ou outro golfinho, faz parte do repertório de comportamentos ditos normais dos machos da espécie. O infanticídio é conhecido de muitas outras espécies de mamíferos. Por exemplo, já falei &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2006/07/criatura-de-domingo-o-lado-tenebroso.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; do infanticído nos suricatas. É algo corriqueiro também nos grandes felinos e mesmo nos gatos domésticos. Uma possível explicação tem que ver com o longo tempo que as crias de golfinho passam junto da sua mãe, que fica disponível para acasalar pouco tempo depois da morte da cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moral da história é que os golfinhos são criaturas magníficas mas não deixam de ser animais, predadores violentos e perigosos. Pessoalmente acho os verdadeiros muito mais interessantes do que a imagem amigável e inofensiva que a Disney e os operadores turísticos querem fazer passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem no início da contribuição cortesia de Faraj Meir via &lt;a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Eilat_-_Dolphin_reef.jpg" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Imagens de golfinho a matar o boto marinho cortesia de Peter Asprey via &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/User:Shirehorse" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) I. A. P. Patterson, R. J. Reid, B. Wilson, K. Grellier, H. M. Ross, P. M. Thompson (1998).  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Evidence for infanticide in bottlenose dolphins: an explanation for violent interactions with harbour porpoises?&lt;/span&gt; Proceedings of the Royal Society B, Volume 265, Number 1402, Pages 1167-1170. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1098/rspb.1998.0414" target="_blank"&gt;DOI 10.1098/rspb.1998.0414&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-5780296249980817956?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/5780296249980817956/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=5780296249980817956&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5780296249980817956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5780296249980817956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/vida-difcil-dos-jovens-golfinhos.html' title='A vida difícil dos jovens golfinhos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQn3AkALgbI/AAAAAAAAB90/a5fh3Fvik7U/s72-c/golfinho0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3129787568098689378</id><published>2008-10-27T15:35:00.008Z</published><updated>2008-10-29T17:40:44.613Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Aqueles que carregam corpos estranhos</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; width: 500px; height: 389px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQibVNsFrRI/AAAAAAAAB9M/hnI4_vZRfyY/s1600/xenofioforo0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262626953336565010" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left; width: 150px; height: 196px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQibIndYAQI/AAAAAAAAB9E/U1Orz7V0-nU/s1600/xenofioforo_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262626736915874050" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;Esta imagem de uma criatura com o tamanho aproximado de uma bola de golfe mostra um xenofióforo. Se o tamanho por si só não vos parece nada por aí além, então e se eu vos disser que se trata de uma criatura unicelular? Os xenofióforos são aparentados com os foraminíferos, só que muito maiores. Embora pouco se fale deles, são criaturas muito comuns nos fundos oceânicos, a profundidades elevadas. Nalguns locais dominam mesmo os ecossistemas, com números da ordem de duas dezenas de indivíduos por metro quadrado. Alimentam-se de partículas que encontram nos fundos marinhos, que rodeiam com pseudópodes, num processo semelhante ao usado pelas amibas, e durante o qual excretam uma substância mucilaginosa.  Em locais onde há muitas destas criaturas esse muco pode cobrir vastas áreas. O nome xenofióro quer dizer "carregador de corpos estranhos" e tem que ver com o facto de estes organismos unicelulares possuírem uma carapaça formada por coisas que recolhem nos sedimentos, incluindo grãos de areia, conchas partidas, espículas de esponjas, e os seus próprios excrementos. Da última vez que tinha ouvido falar nestas criaturas tinha ficado impressionado com o diâmetro da maior que se conhecia então, por volta de 38 milímetros. Ora ao vasculhar o &lt;a href="http://blogs.discovery.com/deep_sea_news/2008/10/the-27-best-d-3.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deep Sea News&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; fiquei a saber que afinal há muito maiores. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/aqueles-que-carregam-corpos-estranhos.html"&gt;[&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui uma imagem particularmente bonita de um destes seres unicelulares, um pouquinho maior, com cerca de 20 centímetros de diâmetro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; width: 500px; height: 441px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQibdnO4OyI/AAAAAAAAB9U/-8V1lkiENuY/s1600/xenofioforo1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262627097632324386" border="0" /&gt; A criatura da imagem não tem indicação de espécie, mas dadas as dimensões é possível que se trate da maior espécie conhecida, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Syringammina fragillissima&lt;/span&gt;, que atinge os tais surpreendentes 20 centímetros de diâmetro. Apesar de comuns sabe-se muito pouco sobre estes seres, pois são muito frágeis, e os espécimes recolhidos acabam por ficar invariavelmente danificados e morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ver esta células não é preciso um microscópio. São não apenas visíveis a olho nu, mas maiores que muitos dos bicharocos que estamos habituados a ver no dia a dia. Parece estranho que se fale tão pouco delas. Duvido que a maioria dos leitores já tivesse ouvido faler nestas criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens e inspiração para o texto retiradas das páginas do Ocean Explorer da NOAA, &lt;a href="http://www.oceanexplorer.noaa.gov/explorations/deepeast01/logs/sep28/sep28.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.oceanexplorer.noaa.gov/explorations/05lostcity/logs/july27/july27.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3129787568098689378?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3129787568098689378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3129787568098689378&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3129787568098689378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3129787568098689378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/aqueles-que-carregam-corpos-estranhos.html' title='Aqueles que carregam corpos estranhos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQibVNsFrRI/AAAAAAAAB9M/hnI4_vZRfyY/s72-c/xenofioforo0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-4796132891154457698</id><published>2008-10-23T11:33:00.002+01:00</published><updated>2008-10-24T15:09:11.310+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>As multidões do gelo</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left; width: 150px; height: 110px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQHNkSj37mI/AAAAAAAAB8s/Heqfu_-UEcg/s1600/minhocagelo_ico2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260711863086739042" border="0" /&gt; Esta coisinha preta agarrada ao gelo é uma minhoca de gelo, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mesenchytraeus solifugus&lt;/span&gt;. Como referi na contribuição anterior, trata-se de uma criatura que prospera nos glaciares da orla do Pacífico na América do Norte. O gelo de um glaciar pode parecer um meio inóspito, mas os campos de neve que os cobrem podem acolher uma grande densidade de algas, que fornecem o meio de subsistência para populações gigantescas destas minhocas do gelo. Os números são surpreendentes, alguns glaciares podem conter populações de minhocas em que o número de indivíduos ultrapassa o número de seres humanos na Terra. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/as-multides-do-gelo.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Daniel Shain e colegas referem alguns dados interessantes sobre  minhocas do gelo, num artigo na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Canadian Journal of zoology&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A minhoca do gelo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mesenchytraeus solifugus&lt;/span&gt; ssp. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rainierensis&lt;/span&gt;, é o único anelídeo conhecido que sobrevive no gelo dos glaciares. Relatamos as localizações de oito populações de minhocas de gelo no centro-sul do Alasca, incluindo os limites mais a norte e oeste do habitat conhecido das minhocas do gelo. Todas as minhocas do gelo identificadas neste estudo habitam glaciares costeiros próximos do Golfo do Alasca. Foram encontradas numa variedade de habitats incluindo campos de neve, cones de avalanche, fissuras nas paredes, rios e lagos glaciais, e gelo duro de glaciares. As minhocas de gelo não foram encontradas em todos os glaciares costeiros nem foram encontradas no interior do Alasca. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;As minhocas do gelo no Glaciar Byron, no Alasca, totalizavam cerca de 30 milhões&lt;/span&gt; distribuídos por sete cones de avalanche distintos. Mostravam um ciclo diurno, aparecendo na superfície do glaciar algumas horas antes do pôr do Sol e penetrando no glaciar pouco depois do nascer do Sol. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Experiências sugerem que as minhocas do gelo penetram o glaciar preferencialmente abaixo das algas de superfície, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Chlamydomonas nivalis&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;, a uma profundidade entre 15 e 100 centímetros e voltam à superfície numa local próximo.&lt;/span&gt; O movimento lateral das minhocas do gelo na superfície do glaciar pode atingir velocidade de ~3 m/h. As minhocas do gelo no Glaciar Byron evitavam a luz, mas não respondiam de forma preferencial a diferentes comprimentos de onda no espectro visível. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Para finalizar, as minhocas do gelo mostram uma atracção inesperada ao calor&lt;/span&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Marquei a negrito alguns pontos que merecem um pouco mais de conversa. Se os trinta milhões de indivíduos num glaciar vos parece muito, o que dizer de glaciares como o Suiattle onde as estimativas apontam para algo em torno dos 7 mil milhões de indivíduos? Nesse glaciar a densidade de minhocas atinge as 2600 por metro quadrado, e há glaciares onde as densidades são ainda mais elevadas. Esta imagem do Glaciar Sholes após o pôr do Sol é elucidativa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; width: 500px; height: 375px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQHV5WkToqI/AAAAAAAAB80/BBAWN1GqeXg/s1600/minhocagelo1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260721021032571554" border="0" /&gt;Ora o que alimenta tantas bocas de minhoca? Bem, pólen, bactérias e sobretudo algas que crescem na neve que cobre os glaciares, tais como as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chlamydomonas nivalis&lt;/span&gt; referidas no texto. As &lt;span style="font-style: italic;"&gt;C. nivalis&lt;/span&gt; são algas microscópicas responsáveis pela chamada neve vermelha ou cor-de-rosa, com o seu característico cheiro a melancia. Estas algas podem existir em quantidades assombrosas nos campos de neve . Mas a simples disponibilidade de alimento não chega, em zonas só com neve, sem gelo por baixo, a densidade de minhocas é muito baixa, elas precisam de gelo duro do glaciar. É dentro desse gelo que elas se refugiam a seguir ao nascer do Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhocas  serem atraídas pelo calor é algo surpreendente, pois o calor é "mau" para elas. A química interna destes animais está adaptada a funcionar a temperaturas baixas. Acima dos 10 graus Celsius morrem, e acima dos 20 graus Celsius "derretem" literalmente. Se o calor é mau para elas, o frio também. Se tiradas do gelo e expostas ao ar gelado do inverno congelam e morrem. Daí que se mantenham bem escondidas dentro do gelo onde as temperaturas rondam uns confortáveis zero graus Celsius.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;Num dos comentários à contribuição anterior foi referido um progama da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;National Geographic&lt;/span&gt; sobre as minhocas do gelo. Após uma rápida busca pela conta da NG no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;youtube&lt;/span&gt; encontrei um resumo desse programa. Mostra algumas minhocas no início, mas a maior parte é sobre a busca infrutífera destas criaturas por altura do Inverno. Os cientistas bem se fartam de escavar mas das minhocas nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tKEVe-Y6Wqw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tKEVe-Y6Wqw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" height="344" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha Técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens retiradas da página da &lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.nichols.edu/departments/glacier/iceworm.htm" target="_blank"&gt;North Cascades Glacier Ice Worm Research&lt;/a&gt; mantida por Mauri S. Pelto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;)Daniel H. Shain, Tarin A. Mason, Angela H. Farrell, and Lisa A. Michalewicz (2001). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Distribution and behavior of ice worms (Mesenchytraeus solifugus) in south-central Alaska&lt;/span&gt;. Can. J. Zool. 79(10): 1813–1821. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1139/cjz-79-10-1813" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;doi:10.1139/cjz-79-10-1813&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-4796132891154457698?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/4796132891154457698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=4796132891154457698&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/4796132891154457698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/4796132891154457698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/as-multides-do-gelo.html' title='As multidões do gelo'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SQHNkSj37mI/AAAAAAAAB8s/Heqfu_-UEcg/s72-c/minhocagelo_ico2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3638706611977404047</id><published>2008-10-22T12:19:00.002+01:00</published><updated>2008-10-22T12:26:59.112+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A minha bebida com gelo... e minhocas</title><content type='html'>&lt;img style="padding: 0pt; border: none; margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SP8LytxcoBI/AAAAAAAAB8k/ZoKfFaG6MGM/s1600/minhocagelo_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259935855700385810" border="0" /&gt; Os artigos sobre o famigerado aquecimento global, quiça de origem antropogénica, têm os seus heróis e vilões no mundo animal. O herói parece ser o urso polar, a que foi atribuído o estatuto de espécie protegida, apesar de manter uma população estável. Confesso que não estou preocupado por aí além com o urso polar. É que o gelo já deixou de cobrir os mares do Ártico no passado e eles sobreviveram. Os vilões parecem ser os infelizes tubarões, com vozes de alarme a ecoarem por toda a imprensa, em Fevereiro deste ano, por causa de um possível acesso dessas criaturas aos mares da Antártida. &lt;a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2008/02/25/tubaroes_na_antartica/" target="_blank"&gt;Como explica a Lúcia Malla&lt;/a&gt;, não era razão para tanto, pois ao ritmo a que estão a desaparecer estarão extintos na altura em que tal hipotética invasão deveria acontecer. Mas há criaturas que poderiam ser muito mais afectadas e delas ninguém fala. Todos ouvimos falar do fim anunciado de grande parte dos glaciares, só que ninguém refere a interessante fauna e flora das grandes geleiras deslizantes. O lápis aqui ao lado está colocado ao lado de um bocado de gelo, e as coisinhas pretas são minhocas da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mesenchytraeus solifugus&lt;/span&gt;. Essas minhocas não foram colocadas no gelo apenas para se conservarem entre estudos.  Estes animais vivem no gelo dos glaciares e não sobrevivem fora desse meio. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/minha-bebida-com-gelo-e-minhocas.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;solifugus &lt;/span&gt;no nome deste bicharoco significa "que foge do Sol", e descreve um dos hábitos da criatura, que se "enterra" no glaciar durante os períodos de luz. Mas apesar do local onde vive parece uma minhoca normal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SP8KK4EpJ_I/AAAAAAAAB8c/UY-6x7tww4k/s1600/minhocagelo0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259934071758858226" border="0" /&gt;É no entanto fortemente pigmentada (estranho para um bicharoco que evita o Sol).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhocas do gelo são difíceis de observar e a literatura sobre elas não é tão abundante como isso. Parecem estar confinadas a uma região não tão vasta como isso da América do Norte. O artigo que descreve a distribuição destas curiosas criaturas é da autoria de Paula Hartzell e colegas na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Canadian Journal of Zoology&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;As minhocas do gelo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mesenchytraeus solifugus&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mesenchytraeus solifugus rainierensis&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Enchytraeidae&lt;/span&gt;), são os únicos oligoquetas conhecidos adaptados à vida no gelo. Recolhemos exemplares de minhocas do gelo em mais de 100 populações em toda a região do pacífico-noroeste da América do Norte. A sua distribuição actual cobre ~2500 km ao longo da costa do Pacífico, do centro-sul do Alasca ao centro do Oregão, encontrando-se a maior parte das populações em glaciares temperados de altitude relativamente baixa. Análises filogenéticas baseadas sobre a sequenciação partial dos locus de ADNr nuclear e de sub-unidade I do citocromo c oxidase (COI) mitocondrial revelam a existência de dois clados distintos (boreal e austral). &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Clado é um termo que vem da palavra grega para ramo, e é utilizado em análises filogenéticas para descrever ramificações nas árvores filogenéticas, que descrevem as relações de parentesco entre organismos. Neste caso, as minhocas boreais (ou seja do norte) são mais aparentadas entre si do que qualquer elas é com as minhocas austrais (isto é do sul).&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O clado boreal agrupa todas as populações do Alasca, ao passo que o clado austral contém as populações da Colúmbia Britânica e dos estados de Washington e Oregão. Não encontrámos nenhuma indicação de fluxo genético entre essas duas linhas, nem entre as populações de glaciares não contíguos na totalidade da área de distribuição. Os nossos resultados fazem crer que os mecanismos de dispersão das minhocas do gelo são sobretudo de tipo activo; existe contudo um caso de dispersão passiva a assinalar no extremo sul da sua área de distribuição.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, cada glaciar contém a sua população separada dos outros glaciares. Não posso ser só eu a achar que há algo errado com os movimentos "ambientalistas" e o seu hábito de escolher criaturas fofinhas para estandartes das suas causas. Quantos de vocês já tinham ouvido falar das minhocas do gelo e do perigo que correm caso os glaciares desapareçam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que aqui se põe a questão, esses glaciares estarão de facto a desaparecer? Parece que sim, a maioria deles tem vindo a recuar de forma mais ou menos pronunciada nos últimos duzentos anos. Curiosamente, a excepção foi o Inverno de 2007-2008, em que caiu um razoável volume de neve, que se manteve durante os meses de Verão, razoavelmente frios, e que levou a um acréscimo da quantidade de gelo em muitos glaciares do Alasca. Mas um bom ano não significa que as minhocas do gelo estejam safas, seria preciso que a coisa se repetisse nos anos que se seguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais sobre as extraordinárias minhocas do gelo amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha Técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens retiradas da página da &lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.nichols.edu/departments/glacier/iceworm.htm" target="_blank"&gt;North Cascades Glacier Ice Worm Research&lt;/a&gt; mantida por Mauri S. Pelto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Paula L. Hartzell, Jefferson V. Nghiem, Kristina J. Richio, and Daniel H. Shain (2005). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Distribution and phylogeny of glacier ice worms (Mesenchytraeus solifugus and Mesenchytraeus solifugus rainierensis)&lt;/span&gt;. Can. J. Zool. 83(9): 1206–1213. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1139/z05-116" target="_blank"&gt;doi:10.1139/z05-116&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3638706611977404047?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3638706611977404047/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3638706611977404047&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3638706611977404047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3638706611977404047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/minha-bebida-com-gelo-e-minhocas.html' title='A minha bebida com gelo... e minhocas'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SP8LytxcoBI/AAAAAAAAB8k/ZoKfFaG6MGM/s72-c/minhocagelo_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2209158427530523619</id><published>2008-10-21T16:27:00.006+01:00</published><updated>2008-10-21T16:45:40.181+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Mas que grande papagaio...</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SP32bNC5CTI/AAAAAAAAB8U/Xsq-EpnDwO8/s1600/kakapo0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259630887057295666" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://3.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SP32W8MIYTI/AAAAAAAAB8M/BuWufynhX4c/s1600/kakapo_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259630813813170482" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Há coisa de dois anos e meio (como o tempo passa depressa) falei &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2006/03/criatura-de-sexta-feira-kakapos-aves-em.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; de um papagaio terrícola, de seu nome científico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Strigops habroptilus&lt;/span&gt;, nativo da Nova Zelândia onde é conhecido como Kakapo. Na altura referi o peso do animal, por volta dos 4 kg, mas só ao observar esta imagem, cedida pela Universidade de Massey me apercebi do quão grande era o bicho. A servir de escala está Anna Gsell, uma aluna de doutoramento, que estuda o perfume erótico das penas dos kakapos machos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha Técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens cortesia da Universidade de Massey, a partir &lt;a href="http://www.massey.ac.nz/massey/about-us/news/article.cfm?mnarticle=quest-to-sniff-out-kakapo-fragrance-spans-centuries-and-continents-20-10-2008" target="_blank"&gt;desta página&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2209158427530523619?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2209158427530523619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2209158427530523619&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2209158427530523619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2209158427530523619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/mas-que-grande-papagaio.html' title='Mas que grande papagaio...'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SP32bNC5CTI/AAAAAAAAB8U/Xsq-EpnDwO8/s72-c/kakapo0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-900410499009047440</id><published>2008-10-20T01:00:00.004+01:00</published><updated>2008-10-20T03:36:23.420+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arqueologia'/><title type='text'>Os jericos dos faraós</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPqpE2fwrUI/AAAAAAAAB8E/j5R2Kg9g_lQ/s1600/burros_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258701415721774402" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPqosAzT1NI/AAAAAAAAB7s/FaTVk9v5I3c/s1600/burros0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258700988991395026" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta é uma gravura do Egipto Antigo, de cerca de 1300 AC, e mostra uma cena bucólica que sobreviveria com poucas modificações durante os milénios a seguir. Os ceifeiros e os burros são algo que recordo ainda da minha infância, mas há muito desapareceram da paisagem rural portuguesa. Hoje em dia é um pouco difícil imaginar o impacto que a domesticação do &lt;i&gt;Equus asinus&lt;/i&gt; teve na história humana. Dados genéticos mostram que os burros terão sido domesticados, há cerca de seis mil anos, a partir de asnos selvagens africanos, provavelmente na região do Egipto Antigo. Ora arqueólogos que escavavam túmulos dos primeiros faraós, na região de Abidos, a cerca de 500 km da cidade do Cairo, ficaram surpreendidos quando, nalgumas das sepulturas que indicavam estatuto mais elevado, encontraram não restos de nobres egípcios, mas sim esqueletos de burros enterrados há cerca de 5 mil anos. Nos ossos desses animais encontram-se pistas que mostram que os animais eram bestas de carga, provavelmente um grupo de animais responsável pelo abastecimento das residências do faraó. E pode não ter sido um faraó qualquer. Não há uma identificação exacta mas pode ter-se tratado de Narmer, que juntou o Alto e o Baixo Egipto num único estado unificado. O transporte de mercadorias nas costas dos burros, e não dos humanos, pode ter sido um dos factores a permitir essa unificação. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/os-jericos-dos-faras.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que descreve os jericos dos faraós é da autoria de Stine Rossel e colegas e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Proceedings of the Natural Academy of Sciences&lt;/span&gt; (ref1).  Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A domesticação do burro a partir do asno selvagem africano transformou os sistemas de transporte antigos em África e na Ásia e a organização das primeiras cidades e sociedades de pastoralistas. A pesquisa genética sugere uma origem africana para o burro, mas apontar com exactidão o tempo e local da domesticação tem sido um desafio porque os burros são pouco comuns no registo arqueológico e indicadores das fases iniciais de domesticação são difíceis de determinar. Apresentamos evidência não descrita previamente do mais antigo uso do burro como meio de transporte e novos indicadores paleopatológicos das fases iniciais da domesticação do burro. As descobertas são baseadas em dados de 10 esqueletos de jumentos com aproximadamente 5,000 anos de um antigo complexo mortuário faraónico em Abidos, no Egipto Médio, e um estudo complementar de 53 esqueletos de burros modernos e asnos selvagens africanos. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Abidos é o local onde foram enterrados os primeiros reis do Egipto. Na primeira dinastia, quer os túmulos reais quer os locais de culto das vizinhanças, encontravam-se rodeados de túmulos subsidiários, provavelmente de funcionários e nobres de elevado estatuto. Nem todos esses túmulos continham restos humanos. Alguns continham esqueletos de leões, simbolizando o poder da realeza. Num dos casos as campas continham vestígios de 14 grandes barcos de madeira. Tudo indica que estas sepulturas adicionais se destinavam a assegurar que o rei poderia dispor do seu conteúdo no além. Os jumentos foram encontrados nesse tipo de túmulos subsidiários, e embora os selos sejam característicos dos primeiros soberanos do Período Dinástico, não continham o nome do rei. É, contudo, possível que sejam do tempo dos primeiros reis tais como Narmer e Aha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os animais foram colocados paralelamente uns aos outros e olhando para sudeste. Os túmulos continham apenas os burros e nenhuns restos humanos ou quaisquer bens mortuários. Os esqueletos estavam quase completos, embora faltassem cinco crânios, uma indicação de que ladrões de túmulos poderão ter passado por ali e testado o conteúdo. Agarrados aos ossos havia vestígios dos tecidos e pêlos dos animais. Eis aqui uma foto dos jericos ainda nos seus túmulos de tijolos de lama:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPqo1hUnVCI/AAAAAAAAB70/Si4OEmRQXc0/s1600/burros1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258701152339842082" border="0" /&gt;A comparação com os esqueletos dos asnos selvagens e de burros domésticos mostrou que os animais de abidos eram de estatura semelhante aos parentes selvagens dos burros, em geral maiores que os burros domésticos. Os outros detalhes do esqueleto não mostravam ainda as características típicas dos burros.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os estudos morfométricos mostram que os metacarpos de Abidos eram semelhantes nas proporções gerais aos do asno selvagem, mas as medições individuais variavam.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Temos portanto esqueletos de burros associados com os seres humanos, mas cujos esqueletos eram essencialmente iguais aos dos animaiss selvagens. Como saber então se eram ou não animais domésticos?  O segredo estava  nas vértebras,  tais como as da imagem abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPqo9dG2naI/AAAAAAAAB78/gi1nt_YViBU/s1600/burros2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258701288647335330" border="0" /&gt;Carregar fardos com 20 a 30% do peso corporal no lombo deixa marcas no esqueleto dos animais:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Apesar disso, todos os esqueletos de Abidos mostram uma variedade de ostopatologias consistentes com o transporte de cargas. A semelhança morfológica com os asnos selvagens mostra que, apesar do seu uso como bestas de carga, os burros estavam ainda a sofrer considerável mudança fenotípica durante os primeiros perídodos Dinásticos no Egipto. Este padrão é consistente com estudos recentes de outros animais domésticos que sugerem que o processo de domesticação é mais lento e menos linear do que se pensava previamente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Cerca de mil anos após o início do processo de domesticação os burros eram ainda muito semelhantes aos seus parentes selvagens. Hoje estão em processo de extinção acelerada em certas regiões do mundo. Em Portugal quase desapareceram. Na Índia vi ainda muitos burros vivendo na periferia das cidades,  em particular em Coimbatore, mas já não utilizados como animais de carga, foram substituídos pelos veículos motorizados de 3 rodas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Foto da ilustração do Antigo Egipto cortesia do Yorck Project via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Maler_der_Grabkammer_des_Panehsi_001.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Stine Rossel, Fiona Marshall, Joris Peters, Tom Pilgram, Matthew D. Adams, and David O'Connor (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Domestication of the donkey: Timing, processes, and indicators&lt;/span&gt;. PNAS. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1073/pnas.0709692105" target="_blank"&gt;10.1073/pnas.0709692105&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-900410499009047440?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/900410499009047440/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=900410499009047440&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/900410499009047440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/900410499009047440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/os-jericos-dos-faras.html' title='Os jericos dos faraós'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPqpE2fwrUI/AAAAAAAAB8E/j5R2Kg9g_lQ/s72-c/burros_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-1061038327216613670</id><published>2008-10-16T00:33:00.008+01:00</published><updated>2008-10-18T02:27:43.291+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Antropologia'/><title type='text'>Um rapaz e o seu cão, 26 mil anos atrás</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://3.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPk1t0Yc0EI/AAAAAAAAB7c/ZcwmUYrKjg8/s1600/chauvet0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258293101203345474" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPk1lWExnHI/AAAAAAAAB7U/EbxxlmeDzks/s1600/chauvet_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258292955628805234" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Algures em França existe uma gruta chamada Chauvet. No interior da gruta abundam as marcas dos seus ocupantes passados, humanos e não humanos. Entre as mais extraordinárias está uma pista de cerca de 50 metros com as pegadas de um único ser humano. Mostra-se aqui a primeira pegada desse trilho, um pé esquerdo com 21.2 centímetros de comprimento e largura máxima de 9.2 centímetros. Nos europeus modernos a morfologia e dimensões corresponderiam a uma criança do sexo masculino com cerca de 1,30 metros de altura e 8 a 10 anos de idade. O miúdo deixou ainda marcas de mão enlameadas, provavelmente de locais onde escorregou, e marcas de fuligem de uma tocha nas paredes. As marcas da tocha talvez sejam um acidente, talvez servissem para marcar o caminho de volta. Na gruta existem também inúmeros vestígios não humanos, na sua grande maioria pegadas e marcas feitas pelas garras de ursos, mas foram encontradas também as marcas das patas de um canídeo solitário, marcas essas que seguem de muito perto o mesmo trajecto do garoto. Ora algumas peculiaridades na forma dos dedos dos meios das patas do canídeo sugerem que se trataria de um cão e não de um lobo. A datação da fuligem deixada pela tocha sugere que tudo isto se passou há 26 mil anos atrás, num passado muito distante. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/um-rapaz-e-o-seu-co-26-mil-anos-atrs.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 0pt 10px 10px; padding: 0pt; float: right;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPk10s0TGvI/AAAAAAAAB7k/alBLEUq661U/s1600/chauvet1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258293219431750386" border="0" /&gt;Admitindo que o rapaz levou o seu cão numa visita pela gruta, o que os esperava era algo de magnífico. Seis mil anos antes da passagem da criança pela gruta, outros seres humanos tinham deixado nas suas paredes alguns dos mais fantásticos exemplos de arte rupestre que se conhecem. Estas fabulosas cabeças de cavalo são apenas um dos muitos exemplos.  Aliás, a qualidade das pinturas levantou alguma polémica quanto à validade da datação das pinturas. A cronologia de radiocarbono indica duas fases de utilização do local por seres humanos. A primeira de 32,500 a 30,000 anos atrás é a que está directamente associada com as pinturas. A segunda incursão de seres humanos terá sido uma breve visita algures entre 27,000 a 26,000 anos atrás, e inclui as marcas de tocha e as pegadas deixadas pelo menino. Embora a idade das figuras se mantenha controversa, pois não se esperaria este nível de sofisticação senão 15 mil anos depois, para já os resultados das várias datações por radiocarbono são consistentes, e sugerem grande antiguidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte e seis mil anos atrás um miúdo pegou numa tocha, chamou o seu cão e foi numa fantástica viagem de descoberta num local assombroso. E nós temos as marcas que contam essa história. Talvez seja mesmo só uma história, infelizmente não podemos assegurar que as pegadas do menino e do cão tenham sido feitas na mesma altura. Podem estar separadas por dias, anos, ou mesmo séculos. É que elas nunca se cruzam. Se tivéssemos locais onde o rapaz pisasse parte das pegadas do cão, e outros onde o inverso se passasse, isso indicaria que se tratava de um passeio a dois. Seria contudo um passeio de todo inesperado pois teria ocorrido 12 mil anos antes da data em que se julgava ter ocorrido a domesticação do melhor amigo do homem.  E daí talvez não, é que um trabalho recente sugere que cães e homens andarão juntos há muito mais tempo do que se pensava. Mas isso fica para outra contribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens retiradas &lt;a href="http://www.culture.gouv.fr/rhone-alpes/chauvet/francais/lettre3/index1.ht" target="_blank"&gt;destas páginas do Ministério Francês da cultura&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Return to Chauvet Cave: Excavating the Birthplace of Art: the First Full Report&lt;/span&gt;, by Jean Clottes, 2003. London: Thames &amp;amp; Hudson Ltd.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-1061038327216613670?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/1061038327216613670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=1061038327216613670&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1061038327216613670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1061038327216613670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/um-rapaz-e-o-seu-co-26-mil-anos-atrs.html' title='Um rapaz e o seu cão, 26 mil anos atrás'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPk1t0Yc0EI/AAAAAAAAB7c/ZcwmUYrKjg8/s72-c/chauvet0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2362329644121355966</id><published>2008-10-15T12:46:00.014+01:00</published><updated>2008-10-15T19:07:27.435+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O semnopiteco que afinal era um traquipiteco mas que tudo indica volte a ser um semnopiteco</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPYrG9hNidI/AAAAAAAABZQ/5l5v-NhOzvM/s1600/Semnopithecus_johnii_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257437013594704338" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://3.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPYoYyMHJ8I/AAAAAAAABY4/mBSh_MPcIQo/s1600/Semnopithecus_johnii0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257434021256177602" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;Esta imagem é uma das inúmeras fotografias de langures pretos das Nilgiris que tirei  na minha viagem  à Índia, em Março deste ano. Ora os leitores que tenham recorrido à Wikipedia para obter informações sobre o animal terão sido enviados à página de uma espécie designada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus johnii&lt;/span&gt; e não ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus johnii&lt;/span&gt; que eu uso aqui. O que sucede é que na literatura científica ainda perdura alguma confusão quanto à nomenclatura destes animais. Os langures pertencem ao ramo asiático da família de macacos do velho mundo que se designa por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Colobinae&lt;/span&gt;. Os colobinos são um grupo razoavelmente diverso que inclui dezenas de espécies repartidas por 10 géneros. Há uma separação clara entre os géneros africanos e os asiáticos, e entre os asiáticos existem dois subgrupos, um formado pelos langures e outro pelos chamados macacos de nariz-esquisito (tradução literal do inglês, se alguém souber um termo português mais adequado por favor contacte-me). Os langures foram inicialmente colocados num único género, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Presbytis &lt;/span&gt;ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt;, mas diferenças na morfologia craniana levaram os investigadores modernos a reparti-los em três géneros: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Presbytis&lt;/span&gt;. O langur preto das Nilgiris foi incluído nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt;, baseado em semelhanças morfológicas. Só que quando se vai mais fundo, e se analisam os genes, descobre-se que isso possivelmente se deve a efeitos de convergência ecológica. Parece que afinal eu estava certo em manter a designação de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus johnii&lt;/span&gt;.&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/o-semnopiteco-que-afinal-era-um.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Na biologia moderna, esclarecer as questões de nomenclatura não é tão arbitrário como parece. A classificação deve reflectir as relações de parentesco, pelo que espécies no género &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt; devem partilhar entre elas um antepassado comum mais recente do que qualquer delas partilha com o género  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt;. Admitia-se modernamente que o género &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt; possuía apenas uma espécie, &lt;em&gt;S. entellus, &lt;/em&gt;uma criatura semi-terrícola que vive em florestas de árvores de folha caduca. Assumia-se por outro lado que o género &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt; possuía um grande número de espécies, nativas de  florestas húmidas de folha perene. Na verdade, em vez de espécies é melhor falar em agrupamentos de espécies, pois existem variantes regionais e o número de espécies de traquipitecos pode ultrapassar a dezena. Estes agrupamentos de espécies eram designados por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [cristatus]&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [obscurus], &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [francoisi], T. [pileatus]&lt;/span&gt;,  e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [vetulus&lt;/span&gt;]. Neste último agrupamento estão incluídas duas espécies, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. vetulus&lt;/span&gt; e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. johnii&lt;/span&gt; (o langur preto das Nilgiris).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo que esclarece as relações entre semnopitecos, traquipitecos e presbitíos é da autoria de Martin Osterholz, Lutz Walter, e Christian Roos, e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;BMC Evolutionary Biology&lt;/span&gt; (ref1) .  Na motivação para o trabalho os autores referem:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A história evolucionária dos colobinos asiáticos é mal compreendida. Embora a monofilia dos macacos de nariz esquisito tenha sido confirmada recentemente, as relações entre os géneros de langures &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt; e a sua relação com os colobinos asiáticos permace pouco clara. Para além disso, reconhecem-se vários grupos de espécies no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt; mas as suas filiações ainda são motivo de disputa. Para responder a estas questões, dados de sequências mitocondriais e do cromossoma Y foram filogeneticamente relacionados e combinados com a presença/ausência  de integração de retroposões.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Aqui convém esclarecer o que é essa coisa da parafilia e monofilia, conceitos centrais na classificação biológica moderna. Para os esclarecer, nada melhor que um exemplo: consideremos as formas de agrupar o homem moderno, o homem de neandertal, e os chimpanzés. Poderíamos pensar em agrupá-los consoante as espécies que ainda sobrevivem hojem em dia, isto é, homem moderno + chimpanzés, versus homem de neandertal. Só que, como todos sabemos, isto não traduz as afinidades biológicas, os homens de neandertal estão mais próximos de nós do ponto de vista evolutivo (filogenético)  que dos chimpanzés. Isso significa que esse agrupamento de espécies não reflecte as relações de parentesco, e é designado por parafilético. Por outro lado, uma classificação em que se tenha homem moderno + homem de neandertal, versus chimpanzés respeita as relações  evolutivas, e é designada por monofilética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A separação das espécies em géneros é de certa forma artificial, mas uma vez feita deve reproduzir as relações filogenéticas entre as espécies, isto é, deve ser monofilética. O preço a pagar é uma certa instabilidade no nome das espécies, pois esses nomes  incluem a designação do género e aí aplicam-se regras de antiguidade na publicação do nome. Com o advento das análises genéticas as coisas têm ficado mais fáceis, pelo menos no que se refere a espécies não extintas. Martin Osterholz e colegas  conseguiram alguma clarificação no que se refere aos vários géneros de langures, mas permanecem algumas incertezas. Como resultados os autores referem:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O fragmento de 5 kb do genoma mitocondrial analisado não permite a resolução das relações filogenéticas entre os géneros de langures, mas detectaram-se cinco integrações de retroposões que ligam o  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt; e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt;. De acordo com os dados do cromossoma Y e de um fragmento de 573 pares de bases do gene do citocroma b mitocondrial, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;é suportada uma origem comum e monofilia recíproca do grupo de espécies &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. [cristatus]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. [obscurus] &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. [francoisi]&lt;/span&gt;, que também é apoiada por uma inserção ortóloga de retroposão. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Estas inserções de retroposões são fragmentos repetitivos de ADN que têm grande valor informativo, e que não é necessário discutir aqui em detalhe (outra forma de dizer que não percebo grande coisa do assunto). Ora sobram dois dos agrupamentos de espécies colocadas nos traquipitecos. O que sucede aos outros, em particular ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [vetulus]&lt;/span&gt;, onde se inclui o nosso langur preto?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. [vetulus]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; agrupa-se dentro &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt;, algo que é confirmado por duas integrações de retroposões. Para além disso, este grupo de espécies é parafilético, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;com o  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. vetulus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; formando um clado com o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;S. entellus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; do Sri Lanka e o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. johnii&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; com a forma do Sul da Índia do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;S. entellus&lt;/span&gt;. Detectaram-se incongruências nas árvores genéticas para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [pileatus]&lt;/span&gt;, visto que os dados do cromossoma Y ligam-no com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [cristatus]&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [obscurus]&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. [francoisi]&lt;/span&gt;, enquanto os dados mitocondriais filiam-no com o clado do  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O ênfase a negrito é meu. Os autores concluem então.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Nenhuma das relações entre os três géneros de langures nem as suas posições entre os colobinos asiáticos pode ser esclarecida com os 5kb de dados de sequências mitocondriais, mas as integrações de retroposões confirmam pelo menos uma origem comum de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt;. De acordo com as sequências de dados do cromossoma Y e de 573 pares de bases mitocondriais, &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. [cristatus],&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. [obscurus]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;T. [francoisi]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; representam verdadeiros membros do género  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Trachypithecus&lt;/span&gt;, enquanto &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;T. [vetulus] se agrega dentro do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt;. Devido à parafilia do T. [vetulus] e à polifilia do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Semnopithecus&lt;/span&gt;, parece apropriada a divisão do género em três grupos de espécies (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;S. entellus&lt;/span&gt; - Norte da Índia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;S. entellus&lt;/span&gt; - Sul Índia + &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. johnii&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;S. entellus&lt;/span&gt; - Sri Lanka + &lt;span style="font-style: italic;"&gt;T. vetulus&lt;/span&gt;). O T. [pileatus] coloca-se numa posição intermédia entre ambos os géneros, indicando que o grupo de espécies pode ser o resultado de uma hibridização ancestral.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, parece  claro que o  langur preto das Nilgiris é um semnopiteco, e que esse género passou de uma única espécie para uma mão cheia delas. Sendo assim, vou deixar as legendas das figuras tal como estavam. Claro que os langures que eu fotografei não querem saber disto para nada, estão mais interessados em comer folhas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPYqGHCUEfI/AAAAAAAABZA/Ve4l2kAdF4g/s1600/Semnopithecus_johnii1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257435899457966578" border="0" /&gt;Ao incluir esta fotografia notei algo que me tinha escapado no campo. Este animal tem uma cauda estranhamente curta para langur (comparem com a do animal na imagem no início da contribuição). Tenho que ver se o identifico nalguma das outras fotografias que tirei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens adaptadas de fotografias tiradas por mim, podem ser usadas livremente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Martin Osterholz, Lutz Walter, and Christian Roos (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Phylogenetic position of the langur genera Semnopithecus and Trachypithecus among Asian colobines, and genus affiliations of their species groups&lt;/span&gt;. BMC Evolutionary Biology, vol 8 pg 58. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1186/1471-2148-8-58" target="_blank"&gt;doi: 10.1186/1471-2148-8-58&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2362329644121355966?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2362329644121355966/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2362329644121355966&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2362329644121355966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2362329644121355966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/o-semnopiteco-que-afinal-era-um.html' title='O semnopiteco que afinal era um traquipiteco mas que tudo indica volte a ser um semnopiteco'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPYrG9hNidI/AAAAAAAABZQ/5l5v-NhOzvM/s72-c/Semnopithecus_johnii_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-6887796983065889790</id><published>2008-10-13T00:11:00.009+01:00</published><updated>2008-10-13T03:14:52.899+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Não há pai para alguns tubarões</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPKsFdcQJcI/AAAAAAAABYw/SD2XHkVeyDE/s1600/Carcharhinus_limbatus_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256452924897240514" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://1.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPKr4cVfmmI/AAAAAAAABYg/9Gc6cTU7wQA/s1600/Carcharhinus_limbatus0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256452701262158434" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Este é o tubarão galha preta, de seu nome científico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carcharhinus limbatus&lt;/span&gt;. Trata-se de um tubarão de porte razoável que, não sendo dos mais agressivos, tem a sua quota de dentadas em banhistas humanos. Uma pesquisa recente mostrou um aspecto curioso da sua reprodução. À semelhança dos humanos, os tubarões galha preta são víviparos e dão à luz crias vivas, mas não foi esse o aspecto a merecer atenção dos investigadores. O que se observou é que estes tubarões partilham algo com outras criaturas de que falei aqui, como os dragões de Komodo e os perus. Descobriu-se que as fêmeas do tubarão galha preta conseguem reproduzir-se sem a interferência de um macho, isto é, estes tubarões podem reproduzir-se por partenogénese. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/no-h-pai-para-alguns-tubares.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que refere um nascimento virgem no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carcharhinus limbatus &lt;/span&gt;é da autoria de Demian Chapman, Beth Firchau e Mahmood Shivji, e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Journal of Fish Biology&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Fornece-se evidência de partenogénese num tubarão de grande porte, o galha preta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carcharhinus limbatus&lt;/span&gt;, da família &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carcharhinidae&lt;/span&gt;, com muitas espécies e comercialmente importante, o primeiro caso verificado de desenvolvimento assexual nesta linhagem e o segundo apenas dos peixes cartilagíneos. O embrião partenogenético exibia homozigotidade elevada relativa à sua mãe, indicando que partenogénese de automistura é o mecanismo mais provável. Embora esta descoberta mostre que a partenogénese é mais comum e espalhada nos tubarões do que o reconhecido previamente e apoie a existência de capacidades partenogenéticas cedo na linhagem dos vertebrados, a significação adaptativa da auto-mistura nestes peixes antigos permanece pouco clara.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O termo automistura significa que o conjunto de cromossomas proveniente da mãe emparelha neste caso com um conjunto exactamente igual de cromossomas, isto é, o embrião resulta da duplicação do genoma do oócito (por fusão com um dos corpos polares). As crias resultantes deste tipo de partenogénese não são clones da mãe, sendo por vezes designadas por meios-clones. Deve notar-se ainda, sobretudo para os estudantes de liceu, e que podem apanhar este tipo de questões como "rasteira" num exame, que embora os autores se refiram a um desenvolvimento "assexual" o termo não é o mais adequado. O processo envolve células sexuais, os gâmetas femininos, podendo portanto incluir-se como uma forma particular da reprodução sexuada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este não é o primeiro caso documentado de partenogénese em tubarões vivíparos. Já tinha sido descrito em tubarões martelo de pequeno porte, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sphyrna tiburo&lt;/span&gt;. Nesse caso tratava-se de um animal em cativeiro, e o nascimento do pequeno tubarão apanhou toda a gente de surpresa. Toda a gente, mas não os outros tubarões no mesmo aquário. Enquanto os observadores tentavam perceber o que se passava, um tubarão de grande porte comeu o infeliz tubarãozinho martelo. Os investigadores usaram nesse caso algumas das sobras do repasto para estabelecerem que se tratava de partenogénese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso estudado por  caso Demian Chapman e colegas, a cria não chegou a ver a luz do dia. Foi observada no dia 30 de Maio de 2007, na necrópsia de um tubarão em cativeiro, uma fêmea com nove anos de idade que não tinha recuperado após ter sido sedada durante um exame veterinário de rotina. A necrópsia mostrou um embrião do sexo feminino bem desenvolvido, isso apesar da fêmea ter estado isolada de congéneres durante os oito anos que durou o seu cativeiro. Esta espécie atinge a maturidade sexual por volta dos 7 anos e o período de gestação é de 12 meses. Os testes genéticos mostraram o que se esperaria num caso de partenogénese de automistura: ausência de alelos paternos, e evidência de duplicação dos alelos maternos. A pequenita era apenas filha de sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como nos casos dos dragões de Komodo, e dos perus, de que falei anteriormente, a partenogénese dos tubarões parece ser  apenas uma possibilidade eventual, sendo a reprodução envolvendo os dois sexos a mais comum. Este processo não deve ser encarado como uma forma das populações de tubarões recuperarem do processo acelerado de extinção em que se encontram. Em particular porque o processo acarreta uma perda de diversidade genética. Embora o recurso à partenogénese possa &lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;evitar o fracasso reprodutivo em ambientes onde a densidade destes animais seja reduzida, os custos genéticos podem sobrepor-se às vantagens reprodutivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem cortesia de Albert Kok via &lt;a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Carcharhinus_limbatus_-_Bahamas.jpg" targe="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) D. D.  Chapman, B.  Firchau,  M. S.  Shivji (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Parthenogenesis in a large-bodied requiem shark, the blacktip Carcharhinus limbatus&lt;/span&gt;. Journal of Fish Biology, Volume 73 Issue 6, Pages 1473 - 1477. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1111/j.1095-8649.2008.02018.x" target="_blank"&gt;doi:10.1111/j.1095-8649.2008.02018.x&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-6887796983065889790?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/6887796983065889790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=6887796983065889790&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6887796983065889790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6887796983065889790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/no-h-pai-para-alguns-tubares.html' title='Não há pai para alguns tubarões'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_u4oLkLG_v0A/SPKsFdcQJcI/AAAAAAAABYw/SD2XHkVeyDE/s72-c/Carcharhinus_limbatus_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3529327005383524816</id><published>2008-10-06T14:57:00.003+01:00</published><updated>2008-10-07T01:17:28.153+01:00</updated><title type='text'>Regresso</title><content type='html'>O blogue esteve interrompido durante mais de seis meses, não devido a mais viagens pela Índia, mas sim porque quando voltei me encontrei desempregado. Não consegui uma posição de que estava à espera. e a ligação internet foi das primeiras coisas a ganhar estatuto de não essencial. A coisa durou muito mais do que pensava, mas tudo se resolveu a bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blogue deve retomar o ritmo normal nos próximos dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3529327005383524816?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3529327005383524816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3529327005383524816&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3529327005383524816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3529327005383524816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/10/regresso.html' title='Regresso'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-8511415057280593874</id><published>2008-03-24T09:51:00.004Z</published><updated>2008-03-26T10:02:43.325Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Extras'/><title type='text'>Se publicar não beba</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R-odTLNsJEI/AAAAAAAABYY/iq8eu8u_Hpc/s400/cerveja_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181986536508105794" border="0" /&gt; O tempo aqui nas montanhas do sul da Índia tem estado péssimo, com chuva quase contínua e algumas trovoadas impressionantes. Uma dessas trovoadas fulminou a minha ligação à internet, daí o meu silêncio nas últimas semanas. Para celebrar o regresso ao blog nada melhor do que referir que encontrei um sério candidato a prémio IgNobel. Imaginem lá que alguém dedicou o seu tempo a medir a correlação entre consumo de cerveja e produtividade científica. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/03/se-publicar-no-beba.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que estuda a relação entre a cerveja e a ciência é da autoria de Tomás Grim e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oikos&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A taxa de publicações é o padrão pelo qual se avalia a produtividade científica. Apesar de um grande número de artigos sobre o tema dos enviesamentos nas publicações e citações, nenhum estudo até agora considerou um possível efeito das actividades sociais na taxa de publicações. Uma das actividades sociais mais frequentes no mundo é beber álcool. Na Europa, a maior parte do álcool é consumida como cerveja e, baseado nos efeitos negativos do consumo de álcool no desempenho cognitivo, previ correlações negativas entre o consumo de cerveja e diversas medidas do desempenho científico. Utilizando um levantamento da República Checa, que possui a taxa de consumo de cerveja per capita mais elevada do mundo, mostro que um maior consumo de cerveja per capita está associada a menores números de artigos, citações totais, e citações por artigo (uma medida da qualidade dos artigos). Além disso, encontrei as mesmas tendências previstas comparando duas regiões separadas geograficamente na República Checa, que também se sabe diferirem nas taxas de consumo de cerveja. Estas correlações são consistentes com a possibilidade de que actividades sociais nos tempos livres possam influenciar a qualidade e a quantidade do trabalho científico e possam ser potenciais fontes de enviesamento nas publicações e citações.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A escolha do país é algo suspeita. Quem já tenha passado uns tempos com checos, sabe bem que o que eles consideram reduzido consumo de cerveja seria considerado consumo excessivo na maioria dos outros locais do mundo. De qualquer forma, há só uma maneira de destruir esta correlação e vou começar já, indo até à povoação mais próxima pedir uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kingfisher&lt;/span&gt; gelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem cortesia de John White &lt;a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:GravityTap.jpg" target="_blank"&gt;via &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Tomás Grim (2008). A possible role of social activity to explain differences in publication output among ecologists. Oikos 117 (4) , 484-487. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1111/j.0030-1299.2008.16551.x" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;doi:10.1111/j.0030-1299.2008.16551.x&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-8511415057280593874?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/8511415057280593874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=8511415057280593874&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8511415057280593874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8511415057280593874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/03/se-publicar-no-beba.html' title='Se publicar não beba'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R-odTLNsJEI/AAAAAAAABYY/iq8eu8u_Hpc/s72-c/cerveja_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-7957279574159730672</id><published>2008-03-07T22:20:00.003Z</published><updated>2008-03-08T12:00:25.242Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Querido, esquece as prendas, faz-te é de morto</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9J7wVg2SfI/AAAAAAAABYQ/pIfY1XuxIcw/s1600/Pisaura_mirabilis0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175334992140978674" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9J7cVg2SeI/AAAAAAAABYI/S_f1RwYYI8U/s1600/Pisaura_mirabilis_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175334648543594978" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta é uma aranha-lobo, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pisaura mirabilis&lt;/span&gt;. Trata-se de uma fêmea que, no comportamento característico da espécie, carrega um enorme casulo cheio dos seus ovos. Para chegar a esta situação a fêmea teve que acasalar com pelo menos um macho. Ora nesta, com em muitas outras espécies de aranhas, isso significa que o macho corre o risco de, em vez de um encontro amoroso, ser convidado para o jantar, só que como refeição. Os machos da espécie desenvolveram formas de minimizar os riscos, oferecendo como prendas às fêmeas animais envoltos em fios de seda. Outro dos comportamentos observados nos machos face às fêmeas é fingirem-se de mortos. Esse é um comportamento visto noutras espécies na natureza, quando face a predadores. Os cientistas questionavam-se, contudo, se não existiria algo mais por trás deste fingir de morto, algo cujo contexto fosse essencialmente sexual. Medo ou sedução? &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/03/querido-esquece-as-prendas-faz-te-de.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O estudo que trata das preferências amorosas destas aranhas é da autoria de Line Hansena e colegas e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Behavioral Ecology&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os machos e as fêmeas enfrentam muitas vezes óptimos diferentes na taxa de acasalamento, o que pode causar a evolução da resistência das fêmeas ao acasalamento, e a contra-adaptações  nos machos para aumentarem a taxa de acasalamento. Os machos da aranha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pisaura mirabilis&lt;/span&gt; possuem um comportamento de acasalamento espectacular que envolve uma prenda nupcial e tanatose (fingimento da morte). A tanatose num contexto sexual é algo de excepcional e foi sugerido que funcionaria como uma estratégia antipredação face a fêmeas potencialmente canibalísticas. Se a tanatose serve como uma estratégia de protecção, os machos deviam fingir a morte em resposta à agressão das fêmeas ou quando estivessem mais vulneráveis a um ataque.  &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Como é costume estas coisas envolvem uma ablaçãozita:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Testámos estas previsões envolvendo vários factores: machos que foram diminuídos (removeu-se uma pata), e logo vulneráveis, e machos de controlo, foram emparelhados com fêmeas, que eram mais ou menos intrinsecamente agressivas (mediu-se em relação às presas). Nas tentativas de acasalamento, registámos a tendência dos machos para fingirem a morte, o sucesso na cópula, e a duração da cópula. Além disso, investigámos o efeito do estado de acasalamento das fêmeas (virgens ou já tendo acasalado) nessas componentes do acasalamento dos machos.  As fêmeas intrinsecamente agressivas mostraram maior agressividade em relação aos machos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Portanto, os autores conseguiram arranjar todas a condições para o teste: machos mais ou menos vulneráveis, fêmeas mais ou menos agressivas. Os resultados?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Nem a agressividade das fêmeas, nem o seu estado de acasalamento, nem a vulnerabilidade dos machos aumentaram a propensão dos machos para efectuar a tanatose. Em vez disso, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;os machos que fingiam a morte tinham maior sucesso na obtenção de cópulas e ganhavam acesso a cópulas mais longas&lt;/span&gt;. Logo, os nossos resultados sugerem que a tanatose funciona como uma estratégia adaptativa dos machos para ultrapassar a resistência das fêmeas. Todos os machos foram capazes de efectuar a tanatose embora alguns machos a usem de forma mais frequente que outros, sugerindo um custo no fingimento da morte que mantém a variação da tanatose durante a corte. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O sucesso para uma boa vida amorosa por parte dos machos é fingir-se de morto. Pelo menos na &lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pisaura mirabilis&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem cortesia de Katarina Paunovic via &lt;a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Pauk03.jpg" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Line Spinner Hansena, Sofia Fernandez Gonzalesa, Søren Tofta and Trine Bilde (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Thanatosis as an adaptive male mating strategy in the nuptial gift–giving spider Pisaura mirabilis&lt;/span&gt;. Behavioral Ecology. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1093/beheco/arm165" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;doi:10.1093/beheco/arm165&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-7957279574159730672?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/7957279574159730672/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=7957279574159730672&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7957279574159730672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7957279574159730672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/03/querido-esquece-as-prendas-faz-te-de.html' title='Querido, esquece as prendas, faz-te é de morto'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9J7wVg2SfI/AAAAAAAABYQ/pIfY1XuxIcw/s72-c/Pisaura_mirabilis0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3707696907623407867</id><published>2008-03-06T23:00:00.005Z</published><updated>2008-12-10T11:25:01.719Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagens'/><title type='text'>Os fãs indianos do Paulo Bento</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9FwOVg2SXI/AAAAAAAABXQ/C7DqUdZDNdA/s1600/cabelo_pbento_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175040838420810098" border="0" /&gt; Mostrava a um amigo meu as centenas de fotografias de macacos que tirei no Sul da Índia, no estado de Tamil-Nadu, quando ao ver esta ele se saiu com «Epá tens que mandar isto ao Cabelinho à Paulo Bento.» De facto, ele não deixa de ter uma certa razão, só que o &lt;a href="http://cabelinhoapaulobento.blogspot.com/" target="_blank"&gt;blogue em questão&lt;/a&gt; fechou as portas em Junho do ano passado. Confesso que nunca percebi a embirração com o penteado do homem, pelo que não podia deixar de mostrar ao mundo que o penteado do actual  treinador do Sporting Clube de Portugal é ostentado, com orgulho, por milhões de criaturas. Sendo assim, numa singela homenagem minha ao treinador dos lagartos, que hoje obteve um excelente resultado frente ao Bolton, seguem-se mais umas quantas imagens de tão sublime arranjo capilar. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/03/os-fs-indianos-do-paulo-bento.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui a versão pensadora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9F1m1g2ScI/AAAAAAAABX4/o_XXWMBWrtE/s1600/cabelo_pbento5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175046756885744066" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Deve dizer-se que o penteado dos machos tem sucesso com as fêmeas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9F06Fg2SYI/AAAAAAAABXY/1mfBMnqLxlY/s1600/cabelo_pbento1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175045988086598018" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A que não será alheio o facto de elas apresentarem o mesmo tipo de risco ao meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pequenino é que se torce o pepino, e mesmo os macaquitos de palmo e meio (literalmente) não escapam à moda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9F1GVg2SZI/AAAAAAAABXg/hDrzr3nuI30/s1600/cabelo_pbento2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175046198539995538" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Gostei particularmente deste pequenito pois, ao contrário da maioria dos congéneres que encontrei nas zonas mais turísticas, ele procurava com afinco o seu sustento na vegetação local:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9F1RFg2SaI/AAAAAAAABXo/yI2hM65ivug/s1600/cabelo_pbento3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175046383223589282" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O bichinho merece mais uma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9F1clg2SbI/AAAAAAAABXw/WPAwA8mAO3U/s1600/cabelo_pbento4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175046580792084914" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A maioria destes macacos preferia no entanto pedinchar comida aos turistas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9F1v1g2SdI/AAAAAAAABYA/vSqFZ5XlsEw/s1600/cabelo_pbento6.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175046911504566738" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Aliás chegavam muitas vezes a roubá-la das mãos das crianças. A cena habitual, nos locais onde estes animais interagem com os humanos, são os miúdos agarrados às pernas dos pais e com um pau na mão, a gritarem com medo cada vez que um macaco se aproxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho centenas de fotos destes bicharocos, mas acho que estas já chegam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens tiradas por mim em Novembro de 2007 no estado indiano de Tamil-Nadu, na zona de Kodaikanal. Podem ser usadas livremente.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3707696907623407867?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3707696907623407867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3707696907623407867&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3707696907623407867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3707696907623407867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/03/os-fs-indianos-do-paulo-bento.html' title='Os fãs indianos do Paulo Bento'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R9FwOVg2SXI/AAAAAAAABXQ/C7DqUdZDNdA/s72-c/cabelo_pbento_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3768375872410040749</id><published>2008-02-27T14:05:00.009Z</published><updated>2008-02-29T04:05:02.471Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paleontologia'/><title type='text'>O regresso do monstro com dentes grandes como pepinos</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8bkAIw_L6I/AAAAAAAABWY/vBay-JYeb6M/s1600/Ida_e_barbatana.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172071913085677474" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8bj1ow_L5I/AAAAAAAABWQ/4KXJFo6o_xw/s1600/Ida_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172071732697051026" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta sorridente pequerrucha é filha de Jørn Hurum, um paleontólogo que procura  restos de répteis marinhos nas costas da Noruega. A criança está a servir de escala para uma descoberta do pai, um bicharoco cuja barbatana com quase três metros ultrapassa em muito o tamanho da miúda. Eu já tinha falado anteriormente desta descoberta, um plessiossauro de pescoço curto e boca enorme, um pliossauro, que os descobridores diziam ter "&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2006/10/o-fssil-de-sexta-feira-o-monstro-com.html" target="_blank"&gt;dentes grandes como pepinos&lt;/a&gt;." Pois bem, a partir desta barbatana é possível estimar que o tamanho do animal, que terá vivido cerca de 150 milhões de anos atrás, era maior do que se pensava, andaria por volta dos 15 metros. Ou seja, este é o maior pliossauro jamais descoberto. O animal aguarda para já uma descrição mais formal, e um nome, mas Jørn Hurum, Espen Knutsen, e Hans Arne Nakrem do Museu de história Natural da Universidade de Oslo colocaram em linha algum material que reproduzo aqui. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-regresso-do-monstro-com-dentes-como.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;A descoberta foi feita no remoto arquipélago norueguês de Svalbard, a 78 graus de latitude Norte, e a apenas 1300 quilómetros do Pólo Norte. Eis aqui uma imagem de trabalho de campo no meio do frio e alguma neve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8bkQYw_L7I/AAAAAAAABWg/anWbyXvRMa0/s1600/campo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172072192258551730" border="0" /&gt;Eis aqui a vermelho os elementos do esqueleto que foram recuperados até agora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8bkjow_L8I/AAAAAAAABWo/pkDD0PrSj1s/s1600/Tor_Sponga0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172072522971033538" border="0" /&gt;A partir destes elementos, e admitindo que não andará muito longe de outros pliossauros conhecidos, é possível reconstruir o aspecto do animal em vida. Eis aqui uma ilustração mostrando o "monstro" a tentar capturar um pterossauro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8bkqYw_L9I/AAAAAAAABWw/8l8Jj_GsmlA/s1600/Tor_Sponga1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172072638935150546" border="0" /&gt;Embora grande o monstro de Svaalbard ficava bastante aquém de uma baleia azul. Eis aqui uma ilustração, à escala, mostrando uma orca, uma baleia azul, e o pliossauro de quinze metros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8b1IIw_MAI/AAAAAAAABXI/5NLw54QPY7Q/s1600/Tor_Sponga3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172072905223122930" border="0" /&gt;O mergulhador humano, não sei porquê, fez-me recordar o &lt;a href="http://www.interney.net/blogs/malla/" target="_blank"&gt;cabeçalho da Malla pelo Mundo&lt;/a&gt;. A Lúcia ficaria bem aconchegadinha dentro daquela bocarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tinha referido na contribuição mais antiga, este pliossauro é apenas um de entre muitos fósseis de répteis marinhos descobertos em Svaalbard. Há cerca de 40 criaturas recuperadas na ilha. Entre elas encontram-se os plessiossauros mais comuns, de pescoço comprido, mas com as mesmas quatro barbatanas, que podemos ver numa outra ilustração artística:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8bkzIw_L-I/AAAAAAAABW4/Hj4DBGFdqfo/s1600/Tor_Sponga2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172072789259005922" border="0" /&gt;Já agora, alguns comunicados de imprensa que vi por aí referem este animal como sendo o maior réptil marinho de todos os tempos. Ora isso não é verdade, alguns ictiossauros eram bem maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens, ilustrações e inspiração para o texto a partir do comunicado de imprensa no &lt;a href="http://www.nhm.uio.no/pliosaurus/english/index.html" target="_blank"&gt;Museu de História Natural na Universide de Oslo&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3768375872410040749?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3768375872410040749/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3768375872410040749&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3768375872410040749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3768375872410040749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-regresso-do-monstro-com-dentes-como.html' title='O regresso do monstro com dentes grandes como pepinos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8bkAIw_L6I/AAAAAAAABWY/vBay-JYeb6M/s72-c/Ida_e_barbatana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-7186532842357282948</id><published>2008-02-26T04:14:00.004Z</published><updated>2008-02-28T04:46:14.749Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O turismo não é para os engripados</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8Y6S4w_L4I/AAAAAAAABWI/EbePZwVwRIU/s1600/mascara_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171885318231502722" border="0" /&gt; A senhora com roupa adequada a um bloco operatório é o mote para a contribuição de hoje. É que vou falar de chimpanzés e de "ecoturismo." Quando se visitam locais onde se podem observar chimpanzés selvagens, há um certo número de regras a observar. É preciso conservar distâncias mínimas da ordem da dezena de metros, não se deve comer ou deixar restos de comida, não se deve tossir, espirrar, ou cuspir para o chão. Estas regras não se destinam apenas a evitar actos violentos por parte dos chimpanzés, destinam-se sobretudo a evitar a transmissão de doenças contagiosas. Aquilo que nos atrai tanto nos chimpanzés e gorilas é serem tão parecidos connosco. Essa parecença torna-os susceptíveis às nossas doenças. Pessoas que se mostrem adoentadas não são admitidas nos passeios, e mesmo os que são autorizados a aproximar-se dos antropóides têm obrigatoriamente que usar máscaras cirúrgicas, como a da imagem. Estes cuidados são absolutamente necessários, pois qualquer constipação ou gripe ligeira, transmitida pelos seres humanos, é capaz de matar um chimpanzé. Mesmo com todos estes cuidados, o ecoturismo, e mesmo a simples pesquisa, podem deixar marcas devastadoras nas populações deste antropóides. Esse é o resultado de um estudo efectuado entre 1996 e 2006 na Costa do Marfim, e que foi publicado recentemente. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-turismo-no-para-os-engripados.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais&lt;/span&gt;]&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que analisa as mortes por doença respiratória dos chimpanzés é da autoria de Sophie Köndgen e colegas e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Current Biology&lt;/span&gt;. Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A caça comercial e a perda de habitat são factores importantes para o rápido declínio dos grandes símios. O ecoturismo e a pesquisa têm sido há muito defendidos como uma forma de fornecer um valor alternativo para os antropóides e para os seus habitats. Contudo, o contacto próximo entre os humanos e os antropóides habituados durante a pesquisa e o turismo de antropóides têm despertado receios de que os riscos de transmissão de doenças se sobreponham aos benefícios. Apresentamos aqui a primeira evidência directa de transmissão de vírus de humanos para os antropóides selvagens. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A evidência proveio da análise de cadáveres.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Amostras de tecido de chimpanzés habituados que morreram durante três surtos de doenças respiratórias no nosso local de pesquisa, na costa do Marfim, continham dois paramixovírus humanos. As estirpes virais recolhidas dos chimpanzés estavam relacionadas de perto com estirpes contemporâneas que circulam em epidemias humanas com carácter global.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O que a última frase significa é que os animais que morreram tinham sido contaminados recentemente, por uma estirpe que só podia vir dos humanos.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Vinte e quatro anos de dados de mortalidade observada em chimpanzés mostram que este tipo de surtos respiratórios pode ter uma história longa. Contrastando com esse aspecto, dados de levantamentos mostram que a presença de investigadores tem um efeito positivo bastante forte na supressão da caça furtiva em torno do local de pesquida. Estas observações ilustram o desafio de maximizar os benefícios da pesquisa e do turismo dos grandes símios ao mesmo tempo que se minimizam os efeitos negativos colaterais.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ecoturismo é um termo enganador, o que existe é turismo. O ideal seria não perturbar os animais e não os expor desnecessariamente aos seres humanos. Infelizmente, em muitos locais os esforços de protecção não são possíveis sem contrapartidas económicas. Daí ser necessário um compromisso. Ou seja,  não fiquem com um peso na consciência se vos calhar ir a África, e decidirem visitar os chimpanzés. As visitas dos turistas aos chimpanzés selvagens reduzem a caça furtiva e, devido às receitas que geram, fornecem peso político às actividades de conservação. Os autores deste artigo mostram que essa protecção acrescida compensa e muito o número de mortes por doença, mas para manter esse balanço positivo o turismo tem que ser acompanhado de muito perto, e obedecer a regras muito severas. Ver chimpanzés na natureza é tão delicado como entrar num bloco operatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltarei a este tema relativamente ao turismo antártico e aos efeitos desastrosos que está a ter nos delicados ecossistemas da Antártida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem cortesia de Timely Medical Innovations via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Disp-med-ppe.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Sophie Köndgen et al (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pandemic Human Viruses Cause Decline of Endangered Great Apes.&lt;/span&gt; Current Biology, Vol 18, 260-264.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-7186532842357282948?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/7186532842357282948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=7186532842357282948&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7186532842357282948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7186532842357282948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-turismo-no-para-os-engripados.html' title='O turismo não é para os engripados'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8Y6S4w_L4I/AAAAAAAABWI/EbePZwVwRIU/s72-c/mascara_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2854364705994819599</id><published>2008-02-24T01:26:00.013Z</published><updated>2008-02-27T03:42:32.315Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O bronzeado humano que branqueia os corais</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8TN24w_L2I/AAAAAAAABV4/GidPEGDsZG4/s1600/corais0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171484614962655074" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8TNuIw_L1I/AAAAAAAABVw/v0z3AxoxGWA/s1600/corais_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171484464638799698" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;Estas imagens mostram aquilo que é chamado de lixiviamento dos corais, um fenómeno de despigmentação que se deve à perda de zooxantelas, um grupo de algas simbióticas que vivem nos tecidos dos corais. Estas algas são a principal fonte de nutrientes dos corais, que sem elas acabam por morrer ao fim de algum tempo. Entre 1997 e 1998 houve um surto de lixiviamento de corais à escala planetária, ligado à subida da temperatura de superfície dos oceanos, associada ao chamado fenómeno do El Niño. Essa ocorrência trouxe o fenómeno do desbotar dos corais para as bocas do mundo, como mais uma das possíveis consequências do malfadado aquecimento global. Num cenário de aquecimento global devido ao aumento de emissões de CO2, em que o aquecimento é acompanhado de um aumento de acidez dos oceanos, o fim dos recifes de coral é apontado como uma consequência previsível. Mas o branqueamento dos corais das imagens não tem que ver com aquecimentos globais, embora seja consequência da actividade humana. Trata-se de mais uma das consequências nefastas do turismo na vida selvagem. O que matou aqueles corais foi um vulgar protector solar, aquilo que as pessoas usam para evitar queimaduras quando se expõem ao Sol. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-bronzeado-humano-que-branqueia-os.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O lixiviamento dos corais devido aos protectores solares é descrito num artigo de Roberto Danovaro e colegas na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Environmental Health Perspectives&lt;/span&gt; (ref1). O resumo começa com uma breve descrição do problema:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O lixiviamento dos corais (isto é, a libertação de zooxantelas simbióticas) tem impactos negativos na biodiversidade e no funcionamento de ecossistemas de recife e na sua produção de bens e serviços. Este fenómeno em crescimento a nível global está associado com anomalias de temperatura, irradiância elevada, poluição e doenças de índole bacteriana. Mostrou-se recentemente que produtos de cuidados pessoais, incluindo cremes protectores solares, podem ter um impacto nos organismos aquáticos semelhante ao dos outros contaminantes. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os resultados dos testes dos vários tipos de cremes solares são claros:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os protectores solares causam o lixiviamento rápido e completo dos corais, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;mesmo a concentrações muito baixas&lt;/span&gt;. O efeito dos protectores solares é devido aos filtros orgânicos de ultravioletas, que são capazes de induzir o ciclo viral nas zooxantelas simbióticas com infeções latentes.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O processo era já bastante óbvio 16 a 48 horas após a exposição aos cremes, e cerca de 96 horas depois tem-se aquele branco fantasmagórico, indicativo de um coral moribundo. A imagem abaixo mostra imagens de zooxantelas com partículas de tipo viral, com formato arrendondado e 130 nanómetros de tamanho médio, ligadas à membrana celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8TQI4w_L3I/AAAAAAAABWA/k0rOBA2ktJA/s1600/corais1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171487123223555954" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Na imagem marcada com (C) são mesmo visíveis caudas a penetrar a membrana da zooxantela. A escala são 100 nanómetros para (A,B) e 200 nanómetros para (C).&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Concluímos que os protectores solares, ao promoverem infecções virais, podem desempenhar um papel potencialmente importante no lixiviamento dos corais em áreas susceptíveis a níveis elevados de uso recreativo pelos humanos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os vírus existem dentro das zooxantelas ou dentro do coral, mas num estado latente, só se libertam e se tornam activos quando se juntam os protectores solares. Os autores estimam que pelo menos cerca de dez por cento dos corais do mundo estão em perigo devido aos cremes protectores solares. Se juntarmos a isto outras substâncias como pesticidas, hidrocarburetos, e outros produtos que lançamos nos oceanos, que provocam o mesmo tipo de efeitos, a situação dos corais não é famosa, mesmo sem aquecimentos globais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve notar-se que avisar os mergulhadores para não usarem cremes protectores solares próximo de recifes de coral é uma práctica comum. Este estudo fornece as evidências científicas que explicam porque razão esse é um bom hábito. Já agora, uma questão. Quantos dos leitores ouviram falar do aquecimento global e do possível desaparecimento dos corais, e quantos leram algo a respeito deste estudo sobre cremes solares na imprensa? Por vezes parece que os impactos na natureza só são importantes se forem consequência do aquecimento global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Roberto Danovaro, Lucia Bongiorni, Cinzia Corinaldesi, Donato Giovannelli, Elisabetta Damiani, Paola Astolfi, Lucedio Greci, Antonio Pusceddu (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sunscreens Cause Coral Bleaching by Promoting Viral Infections.&lt;/span&gt; Environmental Health Perspectives, no prelo. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1289/ehp.10966" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;doi:10.1289/ehp.10966&lt;/span&gt;.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2854364705994819599?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2854364705994819599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2854364705994819599&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2854364705994819599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2854364705994819599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-bronzeado-humano-que-branqueia-os.html' title='O bronzeado humano que branqueia os corais'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8TN24w_L2I/AAAAAAAABV4/GidPEGDsZG4/s72-c/corais0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-1574934465311128969</id><published>2008-02-21T00:01:00.010Z</published><updated>2008-02-26T04:05:34.293Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A soneca da alforreca</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8N2ZYw_L0I/AAAAAAAABVo/rTWsFjd4u2c/s1600/sinal_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171106975668186946" border="0" /&gt;Este sinal, fotografado na vizinhança de uma praia australiana, adverte para a presença de alforrecas particularmente perigosas, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chironex fleckeri&lt;/span&gt;. Esses bicharocos são cubomedusas, mas muito maiores do que aquelas de que tenho falado aqui recentemente. Como se pode ver &lt;a href="http://www.ucmp.berkeley.edu/cnidaria/Chironex.html" target="_blank"&gt;nesta fotografia&lt;/a&gt;, possuem um sino com um diâmetro comparável ao de uma cabeça humana. Já agora, não tentem fazer em casa o que estão a ver nessa imagem, agarrar assim nesses bichos, com as mãos, é só para profissionais. Cada um dos 60 tentáculos que ostenta, e que pode atingir três metros de comprimento, possui cerca de 5000 células urticantes chamadas nematocistos.  Os nematocistos reagem a estímulos químicos quando entram em contacto com peixes, camarões, ou mesmo humanos, funcionando então como pequenos ferrões que injectam veneno altamente tóxico. As &lt;span style="font-style: italic;"&gt;C. fleckeri&lt;/span&gt; não encaram os humanos como presas, e se nos mantivermos parados usam a visão para nos evitarem, mas um humano a nadar pode lançar-se inadvertidamente contra elas. O contacto com três metros de tentáculos são suficientes para matar um humano adulto.. Face ao razoável perigo que representam para os banhistas, não admira que estas cubomedusas fossem escolhidas como cobaias para carregarem pequenos transmissores, para que os seus padrões de actividade diária pudessem ser conhecidos em maior detalhe. Esse estudo revelou um dado curioso: estas alforrecas são grandes dorminhocas. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/soneca-da-alforreca.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que descreve o sono das cubomedusas é da autoria de Jamie Seymour, Teresa Carrette, e Paul Sutherland, tendo sido publicado em 2004 na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Medical Journal of Australia&lt;/span&gt; (ref1). É um artigo muito curto, com restrições quanto ao uso de imagens, mas podem acedê-las através do apontador fornecido com a referência no fim da contribuição. Ora o senhor Seymour e os seus colegas encontraram um certo número de contrariedades na sua tarefa de colocar emissores nas alforrecas. Com animais como os peixes é simples, faz-se uma incisão, coloca-se um emissor na cavidade corporal, fecha-se o corte, e pronto, basta seguir o animal. Ora, como os autores referem:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Com as alforrecas não é assim tão simples. Em primeiro lugar, as alforrecas não possuem uma cavidade corporal (possuem apenas duas camadas de células, uma ectoderme e uma endoderme, com uma camada não celular, a mesogleia, entre elas). Em segundo lugar, suturar as alforrecas não é fácil. Na verdade, é impossível!&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;Mas os cientistas lá se desenrascaram:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Após muitas tentativas falhadas para fixar transmissores, finalmente deparámos com um método simples mas efectivo. Colámo-los usando histoacrilíco, uma supercola usada por cirurgiões. Tudo o que é preciso é apanhar uma cubomedusa sem ser picado (uma arte em si mesma!), colar-lhe um transmissor, libertá-la e segui-la com um microfone subaquático direcional.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os autores verificaram então que estas alforrecas eram muito activas, mas só durante o dia, das 6 da manhã às 3 da tarde. Durante esse período movimentavam-se em linha recta cobrindo qualquer coisa como 212 metros numa hora. Só que das 3 da tarde às seis da manhã, ou seja durante 15 horas, os animais quase que se imobilizavam, percorrendo em média 10 metros ou menos numa hora. Tratava-se de uma fase de relaxamento em que as cubomedusas permaneciam inactivas em contacto com o fundo do mar. Os cientistas conseguiam mesmo acordá-las, batendo no fundo do mar, ou apontando-lhes luzes, o que as levava a nadar um bocado, mas voltavam pouco depois à inactividade em repouso sobre a areia. Os bichos gostam mesmo de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os autores do artigo especulam que o repouso poderá ter a ver com o facto de que a um animal que depende da visão será preferível conservar energia e evitar predadores (tartarugas marinhas), que não consegue ver durante a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já agora, um aparte sobre estes bichos, e o perigo que representam. Embora teoricamente uma destas cubomedusas possa matar 60 seres humanos,  é preciso que a pessoa se enrole nos tentáculos. Nos últimos 100 anos houve cerca de 100 mortes registadas por envenenamento devido a  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chironex fleckeri &lt;/span&gt;na Austrália. Na maioria das vezes, contudo, o contacto é relativamente diminuto, embora extremamente doloroso. Uma vez "nematocistozados" por uma cubomedusa nunca, mas nunca mesmo, tentem aplicar álcool na zona afectada. Quaisquer nematocistos que não tenham disparado vão fazê-lo de imediato. Não tentem também remover logo os tentáculos, ou bocados de tentáculos, em contacto com a pele, pois nematocistos que não tenham disparado poderão fazê-lo. Há que matar primeiro os nematocistos e a forma de o fazer sem que disparem é regar tudo generosamente com o vulgar vinagre de cozinha, aquele que se coloca nas saladas. Isso mesmo, na Austrália o vinagre faz parte dos estojo de primeiros socorros dos banhistas. Só depois de regar a zona afectada com vinagre, se devem remover os tentáculos, e aplicar antivenenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tenho vindo a descrever nesta série de contribuições, aquela coisa que parece um cubo de gelatina com tentáculos, é na verdade uma caixinha de surpresas. As cubomedusas veêm, namoram, e dormem. Tudo comportamentos que tendemos a ligar com a presença de um cérebro. Falarei disso em contribuições posteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sinal que adverte para a presença de cubomedusas obtido via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Marinestinger.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Jamie E Seymour, Teresa J Carrette, Paul A Sutherland (2004). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Do box jellyfish sleep at night?&lt;/span&gt; The Medical Journal of Australia, Volume 181, Number 11/12, Page 707. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://mja.com.au/public/issues/181_11_061204/sey10757_fm.html" target="_blank"&gt;HTML&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-1574934465311128969?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/1574934465311128969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=1574934465311128969&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1574934465311128969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1574934465311128969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/soneca-da-alforreca.html' title='A soneca da alforreca'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R8N2ZYw_L0I/AAAAAAAABVo/rTWsFjd4u2c/s72-c/sinal_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-7569920055933915306</id><published>2008-02-19T21:00:00.010Z</published><updated>2008-02-20T17:00:54.878Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paleontologia'/><title type='text'>O senhor das moscas</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7ucr4w_LzI/AAAAAAAABVg/LlNqXV77Q4Y/s1600/Ceratophrys_ornata0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168897275123937074" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7uclow_LyI/AAAAAAAABVY/IM5TljOG5hQ/s1600/Ceratophrys_ornata_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168897167749754658" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta criatura com uma boca enorme é a intanha, de seu nome científico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ceratophrys                            ornata&lt;/span&gt;, uma gigantesca rã que existe no Sul do Brasil. Com 14 centímetros de comprimento, esta rã considera comida qualquer coisa que se mova e que caiba na sua bocarra, incluindo outros animais da mesma espécie. A intanha pertence a um grupo de rãs designadas por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ceratophryinae&lt;/span&gt;,  e que são endémicas da América do Sul, isto é, que actualmente não existem em nenhum outro continente. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cerato&lt;/span&gt;  no nome vem do facto de parecerem ter um par de pequenos cornos por cima dos olhos, e a intanha é também conhecida por sapo de chifres. Ora esta semana foi notícia a descoberta dos vestígios fósseis de um parente muito próximo da intanha, uma criatura chamada &lt;em&gt;Beelzebufo ampinga. &lt;/em&gt;&lt;i&gt;Ba‘al Zebûb, &lt;/i&gt;ou "senhor das moscas," era um epíteto pejorativo dado pelos isrealitas dos tempos bíblicos a um deus filisteu designado como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ba'al Zebul,&lt;/span&gt; que significaria "Senhor nas Alturas." O sapo (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;bufo&lt;/span&gt;) senhor das moscas, que era na verdade uma rã, era um bicho imponente, tinha cerca de quarenta centímetros de comprimento, e poderia seguramente comer bichos maiores que moscas. O que verdadeiramente intrigou os cientistas não foi o tamanho do belzebufo, mas sim o local onde foi encontrado, muito longe dos seus parentes modernos.&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-senhor-das-moscas.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;A descoberta é descrita numa artigo de Susan Evans e colegas na revista PNAS (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Madagáscar tem uma fauna de sapos diversificada mas sobretudo endémica, cuja história biogeográfica tem gerado um intenso debate, alimentado por análises filogenéticas moleculares recentes e pela quase ausência de um registo fóssil. Descrevemos aqui a descoberta de um anuro do Cretácico Tardio que difere de forma marcada em tamanho e morfologia dos grupos taxonómicos malgaxes do presente, e que não se encontra relacionado com qualquer deles, nem com os habitantes previstos para a massa de terra formada por Madagáscar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Seychelles&lt;/span&gt; e Índia quando esta se separou da África 160 milhões de anos atrás. Em vez disso, o anuro anteriormente não descrito é atribuído aos  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ceratophryinae&lt;/span&gt;, um clado anteriormente considerados endémico à América do Sul. A descoberta oferece um raro vislumbre de uma colecção de anuros que ocuparia Madagáscar antes da radiação no Terciário de mantelídeos e microhilídeos que hoje domina a fauna de anuros.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, as rãs com cornos entretanto extinguiram-se em Madagáscar e não são parentes próximos das rãs modernas que se encontram na ilha. Os tempos de divergência evolutiva calculados a partir de análises moleculares dos diversos grupos de rãs indicam que as rãs com cornos teriam surgido após a separação de Madagáscar com a África, pelo que o caminho entre Madagáscar e a América do Sul teria que passar pela Antártida. Isso em si não seria um problema, se as mesmas análises não indicassem também uma data mais recente que a perda de contacto de Madagáscar com a Antártida (cerca de 133 milhões de anos atrás). Os autores defendem por isso a existência de pontes terrestres:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Para além disso, a presença de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ceratophryine &lt;/span&gt;apoia um modelo paleobiogeográfico controverso que implica laços físicos e bióticos entre Madagáscar, o subcontinente Indiano, e a América do Sul que persistiram bem adentro do Cretácico Tardio. Sugere também que a radiação inicial de anuros hilóides começou antes do que algumas estimativas recentes propõem.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Há aqui dois tipos de incertezas. Por um lado a possibilidade que os "relógios moleculares" usados para estimar a divergência dos vários grupos de rãs estejam errados e a dar valores demasiado recentes. Por outro lado, existe uma incerteza no intervalo de tempo em que se deu a separação definitiva entre a Antártida e a Índia-Madagáscar-&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Seychelles.&lt;/span&gt;  As reconstruções paleogeográficas são um pouco difíceis e há muita coisa a considerar. Por exemplo, existe um mini-continente afundado ao largo da Antártida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem de intanha cortesia de Max Gross via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Argentine_Horned_Frog_%28Ceratophrys_ornata%291.JPG" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Susan E. Evans, Marc E. H. Jones, and David W. Krause (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A giant frog with South American affinities from the Late Cretaceous of Madagascar&lt;/span&gt;. PNAS. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1073/pnas.0707599105" target="_blank"&gt;doi: 10.1073/pnas.0707599105.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-7569920055933915306?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/7569920055933915306/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=7569920055933915306&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7569920055933915306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7569920055933915306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-senhor-das-moscas.html' title='O senhor das moscas'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7ucr4w_LzI/AAAAAAAABVg/LlNqXV77Q4Y/s72-c/Ceratophrys_ornata0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-8894166199753864956</id><published>2008-02-15T16:08:00.003Z</published><updated>2008-02-15T16:44:02.815Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O prazer de agredir os outros</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7W-dYw_LxI/AAAAAAAABVQ/qEKU0YIA3oo/s1600/rato.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167245559550914322" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7W-UYw_LwI/AAAAAAAABVI/zTgUVXP7QF0/s1600/rato_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167245404932091650" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Há milhentas publicações científicas, e uma delas é a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Psychopharmacology&lt;/span&gt;. Trata-se de uma publicação um pouco difícil, cheia de jargão e pouco acessível aos não especialistas. Confesso que tenho dificuldades nas maioria dos artigos. Uma quantidade apreciável dos escritos da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Psychopharmacology &lt;/span&gt;tem como protagonistas roedores semelhantes aos da figura, os ratinhos da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mus musculus&lt;/span&gt;. Nessa revista encontra-se  muita coisa relativa a ratos e drogas, desde álcool a cafeína, passando por cocaína, mescalina, anfetaminas, e outras que tais. Tudo o que tenha a ver com o estímulo de centros de prazer é testado com os pobres ratos. Esses estímulos ditos positivos, como comida, drogas, ou sexo, estão ligados com um aumento dos níveis de dopamina em certas áreas do cérebro. Ora, nos artigos aceites para publicação futura na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Psychopharmacology&lt;/span&gt;, há um que trata do facto de aparentemente muitos ratos encararem o poder  dar tareia noutros ratos como uma recompensa. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-prazer-de-agredir-os-outros.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que estuda este aspecto da agressividade dos ratos é da autoria de Maria H. Couppis e Craig H. Kennedy, e como referi foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Psychopharmacology&lt;/span&gt; (ref1). Os autores escolheram um conjunto de ratos albinos machos, que designam por "machos residentes," e que foram colocados junto a uma fêmea quando tinham 28 dias. Ao mesmo tempo, um grupo de machos, ditos "machos intrusos," foram colocados em gaiolas, em grupos de cinco indivíduos. Quando os "machos residentes" atingiram uma idade entre 68 e 75 dias, os cientistas fizeram-lhes uma operação, introduzindo-lhes uma cânula para poderem administrar-lhes drogas em regiões específicas do cérebro, no decurso da experiência. Após uma a duas semanas, para os ratos recuperarem da operação, começou a experiência propriamente dita. O primeiro passo era a selecção de comportamento agressivo.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A agressividade foi aferida introduzindo um macho intruso na gaiola de um macho residente, depois de retirar a fêmea. A selecção da agressividade envolveu três encontros de 10 minutos entre o residente e o intruso, separados por três dias. Se um residente mostrava agressividade (mordendo ou batendo) em duas ou mais sessões de teste, era incluído na análise farmacológica subsequente (87% dos ratos eram agressivos).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os cientistas colocaram então à disposição dos ratos uma espécie de alavanca, que podiam empurrar com o focinho. Depois de um período de treino de 2 a três semanas  os ratos aprenderam que empurrando a alavanca era introduzido na gaiola um dos ratos intrusos durante cerca de 6 segundos. Os cientistas registaram então a frequência com que os ratos carregavam nas alavancas, e gravaram o festival de pancadaria que se seguia. Deve notar-se que os ratos não eram obrigados a tocar nas alavancas, faziam-no porque queriam bater nos intrusos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de terem algumas destas sessões, os cientistas iniciaram então a segunda fase da experiência: lançaram no cérebro dos ratos nos substâncias inibidoras da dopamina, e observaram o que sucedia. Estas substâncias retiravam a sensação de prazer associada ao estímulo, caso existisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim dos ratos não foi famoso:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Depois de completarem os testes de comportamento os ratos foram anestesiados profundamente com pentorbital a 800 mg/kg, e 4% paraformaldeído enviado transcardialmente. Os cérebros foram removidos e crioprotegidos pela submersão durante a noite num fixativo de 30% e 70% paraformaldeído. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os tecidos do cérebro foram então cortados em tiras finas, e analisados. Tudo isto era para ver se a cânula que admistrava as drogas inibidoras no cérebro dos ratos estava colocada no sítio correcto. Os cientistas verificaram então que os ratos que tinha a cânula no local conveniente tinham tido uma redução muito significativa no comportamento de carregar na alavanca depois de  receberem as substâncias inibidoras de dopamina. Os ratos que tinham a cânula num local fora da região dos receptores de dopamina não mostraram diferença na frequência do empurrar da alavanca antes e depois de receberem os inibidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este estudo é mais complicado do que parece, pois outros estudos julgavam ter demonstrado algo do género, mas depois verificou-se que a redução no comportamento agressivo era devido a redução no capacidade motora dos ratos. Esse não foi o caso neste estudo, pois o uso de cânulas no cérebro permitiu que se usassem doses muito pequenas de inibidores. Parece de facto provado que estes ratos gostavam de bater noutros ratos, e que encaravam isso como uma recompensa. Enfim, mais um ponto em que os ratos se assemelham aos seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fotografia cortesia de Seweryn Olkowicz via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Mouse_litter.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Maria H. Couppis &amp;amp; Craig H. Kennedy (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The rewarding effect of aggression is reduced by nucleus accumbens dopamine receptor antagonism in mice.&lt;/span&gt; Psychopharmacology. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1007/s00213-007-1054-y" target="_blank"&gt;DOI 10.1007/s00213-007-1054-y&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-8894166199753864956?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/8894166199753864956/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=8894166199753864956&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8894166199753864956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8894166199753864956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-prazer-de-agredir-os-outros.html' title='O prazer de agredir os outros'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7W-dYw_LxI/AAAAAAAABVQ/qEKU0YIA3oo/s72-c/rato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3474976872416037095</id><published>2008-02-14T16:40:00.016Z</published><updated>2008-02-15T19:45:13.921Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O namoro das alforrecas</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7TTMow_LtI/AAAAAAAABUw/bpsi4dSFofI/s1600/Carybdea_sivickisi_femea_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166986886555578066" border="0" /&gt; Esta imagem mostra uma fêmea de uma cubomedusa da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carybdea sivickisi&lt;/span&gt;, no momento em que ela está a ser mãe. Aquela coisa com um especto larvar, que sai do sino, é um feixe de embriões, futuras cubomedusinhas. Trata-se de uma imagem que tem muito que ver com a data de hoje, o dia dos namorados em Portugal. Em geral, quando pensamos em namoro animal, estamos a pensar naqueles rituais de corte que se observam, por exemplo, nas aves. Na verdade, pouca atenção é devotada a esse tipo de estudos fora dos vertebrados ou alguns invertebrados ditos superiores. Algumas das criaturas injustamente negligenciadas por esse tipo de estudos são as cubomedusas. O interesse por estas criaturas não se esgota apenas nos seus lindos vinte e quatro olhos, de que falei nos últimos dias. Por incrível que possa parecer, estes organismos, aparentemente tão simples, namoram. Não há rosas, nem chocolates, mas sim uma espécie de bailado de "mãos dadas." &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-namoro-das-medusas.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carybdea sivickisi&lt;/span&gt; é um bichinho particularmente interessante. Possui uma espécie de tiras adesivas no topo do sino que usa para se agarrar a rochas, corais, ou mesmo algas, durante o dia, e é extraordinariamente bonita. A imagem a preto e branco não faz jus ao animal, que pode ser apreciado a cores &lt;a href="http://www.ucmp.berkeley.edu/cnidaria/C_sivickisi.html" target="_blank"&gt;nesta imagem na UCMP de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Berkeley&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Após procurar um pouco encontrei mesmo filmes, &lt;a href="http://www.jcu.edu.au/interest/stingers/video%20page.htm#sivickisi1" target="_blank"&gt;nesta página da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;James Cook University&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Notem a forma como no final do filme se descola do local onde estava agarrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os animais adultos são claramente dimórficos, isto é, há diferenças óbvias entre os sexos. Eis aqui o aspecto do macho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7TTc4w_LvI/AAAAAAAABVA/mYti7t3VTZo/s1600/Carybdea_sivickisi_macho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166987165728452338" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Notem os quatro ropálios, as estruturas onde se encontram os olhos, um deles indicado pela letra R. O SS  indica estruturas designadas por sacos subgástricos, e o G as gónadas masculinas. A fémea é algo diferente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7TTV4w_LuI/AAAAAAAABU4/fYFLD7BxOms/s1600/Carybdea_sivickisi_femea.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166987045469368034" border="0" /&gt;As estruturas indicadas pelo GP são os chamados sacos gástricos, que encerram as gónadas femininas. As setas indicam estruturas designadas pontos velares. Apenas as fêmeas sexualmente maduras apresentam esses pontos, e os machos só se interessam por essas fêmeas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São animais pequenos, quer o macho quer a fêmea das imagens acima tinham um sino com apenas oito milímetros e meio de diâmetro. A vida amorosa das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carybdea sivickisi &lt;/span&gt;é descrita num artigo de Cheryl Lewis e Tristan Long na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marine Biology&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os acontecimentos do cortejamento e fertilização nos cubozoários têm recebido pouca atenção dos biólogos, e muito do que sabemos desse processos é baseado em conjecturas ou evidência anedotal escassa. Eu empenhei-me em descrever esses processos no cubozoário &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carybdea sivickisi &lt;/span&gt;observando medusas adultas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;in vitro&lt;/span&gt;. Os adultos maduros envolvem-se em cortejamento durante o qual são transferidos espermatóforos do macho para a fêmea, que então insere os gâmetas no seu manúbrio. As fêmeas aceitaram vários espermatóforos de vários machos,  e produziram apenas um feixe de embriões. Este estudo forneceu também evidência de que a presença de pontos velares evidentes  na margem do sino das fêmeas era um sinal de maturidade sexual, e de que a maturidade sexual não eram atingida por nenhum dos sexos até que os indivíduos tivessem um diâmetro do sino de pelo menos cinco milímetros.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A promiscuidade da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carybdea sivickisi &lt;/span&gt;fêmea é compreensível. Ela tem muito amor para dar e a vida é curta quando se é uma cubomedusa. A fêmea produz um único feixe de embriões, e morre passadas uma a duas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encontrar imagens sugestivas bastou-me ir às páginas do projecto &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Árvore da vida - Cnidários&lt;/span&gt;, que inclui investigadores do Brasil, Japão, Canadá e Estados Unidos. Entre 24 de Julho e 27 de Agosto de 2006, esses cientistas andaram pelo Japão a observar cnidários. Algures na quarta semana, fotografaram o acasalamento de  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carybdea sivickisi &lt;/span&gt;num aquário. Todas as imagens &lt;a href="http://www.paleobio.org/Japan2006/week4.html" target="_blank"&gt;nesta página&lt;/a&gt; valem a pena, mas para o tema desta contribuição desçam até à décima imagem, logo abaixo de um senhor em fato de mergulho, atrapalhado a sair da água. Essa imagem mostra uma   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carybdea sivickisi &lt;/span&gt;agarrada a um sargaço. Desçam então mais uma dúzia de imagens, ou então procurem por &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;jellyfish sex&lt;/span&gt;, a cena rimântica é logo a seguir. Há duas imagens, mostrando um macho e uma fêmea de "mãos dadas", como um verdadeiro casal de namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltarei às cubomedusas um destes dias, para falar mais sobre a visão, o sono, e as capacidades cerebrais destes animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Cheryl Lewis &amp;amp; Tristan A. F. Long (2005). Courtship and reproduction in &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carybdea sivickisi&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cnidaria: Cubozoa&lt;/span&gt;). Marine Biology (2005) 147: 477­483. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1007/s00227-005-1602-0" target="_blank"&gt;DOI 10.1007/s00227-005-1602-0&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3474976872416037095?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3474976872416037095/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3474976872416037095&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3474976872416037095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3474976872416037095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-namoro-das-medusas.html' title='O namoro das alforrecas'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7TTMow_LtI/AAAAAAAABUw/bpsi4dSFofI/s72-c/Carybdea_sivickisi_femea_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-6967300693926995700</id><published>2008-02-13T11:58:00.005Z</published><updated>2008-02-15T19:46:53.361Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A corrida de obstáculos da cubomedusa</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7Q0wow_LsI/AAAAAAAABUo/H_YtpYM1igs/s1600/Tripedalia_cystophora0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166812682682052290" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7QzeIw_LrI/AAAAAAAABUg/Db7ZNS0gDXE/s1600/Tripedalia_cystophora_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166811265342844594" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; As alforrecas mais comuns pertencem a um grupo de animais chamado cifozoários, ou cifomedusas, que são aparentadas a um outro grupo de animais chamados cubozoários, ou cubomedusas. Embora à primeira vista muito semelhantes, os dois grupos de criaturas apresentam contudo diferenças importantes. O comportamento das cubomedusas faz de certa forma lembrar o dos peixes. Em vez de andarem simplesmente à deriva, as cubomedusas são capazes de nadar rapidamente, seguindo uma dada direcção, embora possam também fazer rápidas e espectaculares inversões de marcha. Muitas espécies de cubomedusas vivem em ambientes, como florestas de algas e manguezais, que são perigosos para os cifozoários. A diferença é que as cubomedusas conseguem manobrar entre os obstáculos que encontram nesses meios, um comportamento que tudo indica ser guiado visualmente. Muitas espécies de cifomedusas possuem olhos, embora se trate de estruturas muito simples. As coisas são diferentes com as cubomedusas, que possuem quatro estruturas chamadas ropálios, cada uma com seis olhos de quatro tipos diferentes. Dois dos olhos em cada ropálio possuem lentes e retinas semelhantes às dos peixes e cefalópodes, e um deles possui mesmo uma pupila móvel.  A estrutura  desses olhos foi discutida numa &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/um-cubo-com-24-olhos.html" target="_blank"&gt;contribuição anterior&lt;/a&gt;, relativa à espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tripedalia cystophora,&lt;/span&gt; que se mostra na imagem. Notem dois dos ropálios, aqueles pontinhos pretos no sino da cubomedusa. Estudando animais destes em laboratório, os cientistas foram capazes de mostrar que as manobras das cubomedusas são de facto guiadas visualmente. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/corrida-de-obstculos-da-cubomedusa.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Anders Garm e colegas descrevem a experiência num artigo na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Journal of Experimental Biology &lt;/span&gt;(ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;As cubomedusas possuem um impressionante total de 24 olhos de quatro tipos morfológicos diferentes. Dois desses olhos, chamados os olhos de lente superior e inferior, são olhos de tipo câmara com lentes esféricas semelhantes às dos peixes. Comparados com outros cnidários, as cubomedusas possuem também um reportório comportamental elaborado, que parece ser predominantemente guiado pela visão. Contudo o fototropismo positivo é o único comportamento até agora descrito que parece estar correlacionado com os olhos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O fototropismo positivo é um comportamento que leva as criaturas a movimentarem-se de acordo com o gradiente luminoso aproximando-se da fonte de luz.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Explorámos a resposta evitatória de obstáculos na espécia das Caraíbas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tripedalia cystophora&lt;/span&gt; e na espécie australiana &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chiropsella bronzie&lt;/span&gt; numa câmara de fluxo. Os nossos resultados mostram que o evitar dos obstáculo é guiado visualmente. O comportamento evitatório é despoletado quando o obstáculo ocupa um certo ângulo no campo visual. Os resultados não permitem conclusões sobre se a visão a cores está envolvida mas a intensidade da resposta tem uma tendência a seguir o contraste na intensidade entre o obstáculo e a vizinhança (paredes da câmara). Na câmara de fluxo a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tripedalia cystophora&lt;/span&gt; mostrou uma resposta evitatória mais forte do que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chiropsella bronzie&lt;/span&gt; pois teve menos contacto com os obstáculos. Isto parece seguir a diferença nos seus habitats. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tripedalia cystophora&lt;/span&gt; vive em zonas de manguezais, onde os obstáculos são muito mais finos do que as pedras e árvores tombadas dos locais onde a  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chiropsella bronzie&lt;/span&gt; vive. O artigo é acompanhado de dois filmes, ambos muito interessantes. &lt;a href="http://jeb.biologists.org/content/vol210/issue20/images/data/3616/DC1/004044-Movie2.mov" target="_blank"&gt;Neste filme&lt;/a&gt;, uma cubomedusa da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chiropsella bronzie&lt;/span&gt; é colocada num aquário com obstáculos escuros (de cor avermelhada). Notem no final do filme a espectacular inversão de marcha da cubomedusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://jeb.biologists.org/content/vol210/issue20/images/data/3616/DC1/004044-Movie1.mov" target="_blank"&gt;Neste outro filme&lt;/a&gt; os obstáculos são transparentes abaixo de água, embora escuros acima de água. Dos tais olhos com lente esférica, o superior serve para ver acima de água e inferior abaixo. Ora a medusa fica sistematicamente presa no obstáculo no canto inferior direito. Isto é evidência de duas coisas: (1) a medusa detecta de facto os obstáculos visualmente através do contraste, e não através de um qualquer outro sentido, e (2) as manobras são controladas pelo olho inferior. Isto significa que o olho superior possui uma qualquer outra tarefa, talvez manter o animal próximo da linha de costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais medusas amanhã. Para celebrar o dia de São Valentim falarei do namoro das medusas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) A. Garm, M. O'Connor, L. Parkefelt and D.-E. Nilsson (2007). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Visually guided obstacle avoidance in the box jellyfish Tripedalia cystophora and Chiropsella bronzie.&lt;/span&gt; Journal of Experimental Biology 210, 3616-3623 (2007). &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1242/jeb.004044" target="_blank"&gt;doi: 10.1242/jeb.004044&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-6967300693926995700?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/6967300693926995700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=6967300693926995700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6967300693926995700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6967300693926995700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/corrida-de-obstculos-da-cubomedusa.html' title='A corrida de obstáculos da cubomedusa'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7Q0wow_LsI/AAAAAAAABUo/H_YtpYM1igs/s72-c/Tripedalia_cystophora0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-6744024699608810215</id><published>2008-02-12T12:54:00.010Z</published><updated>2008-02-15T13:25:54.535Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Proporcionado com precisão, ou o efeito das ondas na genitália das cracas</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7MP6ow_LoI/AAAAAAAABUI/jmN20_eHPdQ/s1600/Charles_Darwin_by_G._Richmond_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166490697573805698" border="0" /&gt; A 12 de Fevereiro é o dia em que se celebra o nascimento de Charles Darwin (1809-1882). Resolvi por isso falar de um artigo que cita um dos primeiros trabalhos de Darwin. Não, não se trata da famosa teoria da evolução pela selecção natural. Vou falar, isso sim, de pornografia animal. É que existe uma monografia de 1854, escrita por Darwin com o título: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Monograph of the Sub-class Cirripedia, with figures of all the species&lt;/span&gt;. Os cirrípedes são o grupo de crustáceos que inclui as cracas e percebes. Ora, sabe-se desde os tempos do senhor Darwin que a humilde craca se destaca entre todos os animais pelas dimensões relativas da genitália que ostenta, capazes de envergonhar mesmo o pato de lago argentino. Estamos a falar de um orgão intromitente oito vezes maior que o corpo da criatura. Embora sejam hermafroditas, e se possam fecundar a si mesmas, as cracas raramente o fazem, preferem investigar as cercanias. Sendo animais sedentários, o alcance amoroso das cracas é limitado pelo tamanho do seu orgão intromitente, pois teoricamente o  número de potenciais parceiros cresce com o quadrado do comprimento do apêndice corporal em questão. Só que há limite para o alcance desse processo de investigação, que tem a ver com a natureza turbulenta do ambiente vizinho. Dependendo de onde as cracas vivem, a mesma espécie pode estar sujeita a velocidades da água varrendo três ordens de grandeza. Mas as cracas não se atrapalham, é tudo uma questão de calibrar as dimensões e a forma consoante o ambiente onde se encontram. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/proporcionado-com-preciso-ou-o-efeito.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Os cientistas modernos que continuam na senda do trabalho pioneiro desenvolvido por Charles Darwin, há mais de 150 anos, são Christopher Neufeld e Richard Palmer, tendo publicado os novos resultados na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Proceedings of the Royal Society&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Para o seu tamanho, as cracas possuem o pénis mais longo do reino animal (até oito vezes o comprimento do seu corpo). Contudo, como um dos poucos animais sésseis a copular, enfrentam um compromisso entre conseguir atingir mais parceiros ou controlar pénis cada vez maiores num fluxo turbulento. Observámos que os pénis de cracas da zona de marés (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Balanus glandula&lt;/span&gt;) em zonas expostas à rebentação eram menores, mais encorpados que, e duas vezes mais massivos para o seu comprimento que, os de baías protegidas vizinhas. Para além disso, a variação na forma do pénis estava fortemente correlacionada com a velocidade máxima de rebentamento das ondas e, em todas as costas, cracas maiores tinham pénis mais encorpados de forma desproporcionada. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui o aspecto do orgão intromitente da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Balanus glandula&lt;/span&gt; numa zona de águas calmas. Esta espécie é um pouco mais modesta do que a craca que detém o recorde, mas mesmo assim trata-se de uma estrutura bastante longa, e algo fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7MTf4w_LpI/AAAAAAAABUQ/c9q44pnv0r0/s1600/Balanus_glandula0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166494636058816146" border="0" /&gt;Notem o aspecto bastante mais robusto, e um pouco mais curto, do orgão num animal da mesma espécie e de tamanho semelhante, mas que vive em águas agitadas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7MTj4w_LqI/AAAAAAAABUY/SnOOiVmnbeY/s1600/Balanus_glandula1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166494704778292898" border="0" /&gt;Já agora, a escala são 2 milímetros. Será que as variações se devem a questões genéticas, ligadas a efeitos de selecção local? Pelos vistos não, o animal pode modificar a estrutura consoante o ambiente:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Finalmente, experiências de campo confirmaram que muita dessa variação era devida a plasticidade fenotípica: cracas transferidas para uma zona exposta a rebentação produziram pénis mais largos e dramaticamente mais curtos do que congéneres transferidos para um local protegido. Devido ao provável compromisso entre o comprimento de pénis e à capacidade de funcionar em correntes, e devido às condições sujeitas a mudanças constantes dos litorais rochosos, as cracas das zonas de maré parecem ter adquirido a capacidade de mudar o tamanho e forma dos seus pénis para melhor servirem as condições hidrodinâmicas locais. Esta dramática plasticidade na forma da genitália é uma valiosa chamada de atenção para o facto de que factores para lá dos que habitualmente guiam a diversificação genital -- escolha das fêmeas, conflito sexual e competição entre machos --  podem influenciar a forma da genitália.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Este trabalho cita Charles Darwin, em particular na tabela onde compara o tamanho relativo dos orgãos intromitentes das várias criaturas. A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Balanus glandula&lt;/span&gt; é na verdade apenas o terceiro da tabela, com um comprimento relativo de 3.6, e outras duas cracas de géneros diferentes passam-lhe à frente, em particular a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cryptophialus minutus&lt;/span&gt; com o tal factor de oito. &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/03/o-exagero-dos-patos.html" target="_blank"&gt;O pato de lago argentino &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oxyura vittata&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; com um factor de um aparece em quinto, logo atrás do escaravelho &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aleochara tristis&lt;/span&gt;, com um factor de dois. Em décimo primeiro lugar aparece uma outra criatura nossa velha conhecida, &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2006/07/criatura-de-domingo-hemipenectomia-da.html" target="_blank"&gt;os machos das aranhas do género &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tidarren&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, cujo orgão intromitente é bastante mais modesto, apenas metade do comprimento do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Retrato de Darwin pintado por George Richmond. Imagem obtida através da &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Charles_Darwin_by_G._Richmond.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Christopher J. Neufeld and A. Richard Palmer (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Precisely proportioned: intertidal barnacles alter penis form to suit coastal wave action&lt;/span&gt;. Proc. R. Soc. B. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1098/rspb.2007.1760" target="_blank"&gt;doi:10.1098/rspb.2007.1760&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-6744024699608810215?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/6744024699608810215/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=6744024699608810215&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6744024699608810215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6744024699608810215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/proporcionado-com-preciso-ou-o-efeito.html' title='Proporcionado com precisão, ou o efeito das ondas na genitália das cracas'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7MP6ow_LoI/AAAAAAAABUI/jmN20_eHPdQ/s72-c/Charles_Darwin_by_G._Richmond_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-954223276761595814</id><published>2008-02-11T14:08:00.000Z</published><updated>2008-02-12T16:26:15.656Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Salmão de aviário? Não, obrigado</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7HD4Iw_LnI/AAAAAAAABUA/viIQXxE4tuw/s1600/Salmo_salar0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166125616763711090" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7HDx4w_LmI/AAAAAAAABT4/acNNWtdDCtM/s1600/Salmo_salar_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166125509389528674" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta é uma fotografia fantástica, tirada por Uwe Kils, e mostra um alevim (larva) do salmão do Atlântico, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Salmo salar&lt;/span&gt;. Esta espécie está a sofrer um declínio acentuado na natureza, com o colapso de muitas populações. A causa é muito provavelmente a actividade humana, em particular a aquicultura. É um contrassenso, que tenho dificuldade em perceber, que se promova a criação de peixes alimentados com uma dieta carnívora, numa época em que todas as reservas de peixe estão em colapso. Para cada quilo de salmão produzido nas explorações de aquicultura intensiva são necessários três quilos de outros peixes, peixes esses que são pescados nos oceanos. Mas o efeito nocivo da aquicultura do salmão vai muito para além do fomento da pesca para fazer ração de salmão. Como eu discuti numa contribuição anterior, o &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2006/10/criatura-de-tera-feira-piolho-de-peixe.html" target="_blank"&gt;piolho de peixe que se escapa das quintas de salmão&lt;/a&gt; dizima os juvenis dos salmões selvagens, ou seja, a criação do salmão tem um impacto brutalmente negativo na sobrevivência do salmão na natureza. A verdadeira dimensão de todos os impactos nocivos da aquicultura foi avaliada num estudo recente: em áreas onde há salmões de aviário a taxa de sobrevivência do salmão selvagem cai por mais de 50%. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/salmo-de-avirio-no-obrigado.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que discute a taxa de sobrevivência dos salmões é da autoria de Jennifer Ford e Ransom Myers e foi publicado na &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PLoS Biology&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O impacto da aquicultura do salmão nos salmão e truta selvagens é um tema de debate aceso em todos os países onde as quintas de salmão e os salmões selvagens coexistem. Estudos mostraram claramente que salmões escapados das explorações se reproduzem com as populações selvagens, para detrimento das populações selvagens, e que as doenças e parasitas passam dos salmões das explorações para os salmões selvagens. Tem faltado, contudo, uma compreensão da importância desses impactos ao nível da população. Neste estudo, utilizámos dados existentes sobre as populações de salmão para comparar a sobrevivência de salmão e truta que nadam através explorações de aquicultura de salmão, no início do seu ciclo de vida, com a taxa de sobrevivência de populações próximas, que não estão expostas a explorações de aquicultura. Detectámos um declínio significativo na sobrevivência de populações que estão expostas a quintas de salmões, correlacionado com o aumento da produção de salmão de aquicultura em cinco regiões. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Combinando as estimativas regionais de forma estatística, encontramos uma redução na sobrevivência ou abundância de populações selvagens de mais de 50% por geração em média, associadas com a aquicultura de salmão.&lt;/span&gt; Muitas das populações de salmões que investigámos apresentam uma abundância reduzida de forma dramática, e reduzir as ameaças que enfrentam é necessário para assegurar que sobrevivam. Reduzir os impactos da aquicultura de salmão no salmão selvagem devia ter uma prioridade elevada.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os salmões são criaturas que na natureza sobem facilmente barreiras nos rios, daí que não seja de estranhar que escapem aos milhões das explorações de aquicultura. Estudo prévios, tal como o dos piolhos de que falei anteriormente, analisavam apenas um dos aspectos em que os aviários de salmão interferiam com as populações selvagens. Este estudo representa um levantamento sistemático e é conclusivo, e preocupante. É que o aumento projectado para a densidade das explorações pode facilmente elevar estes 50% a 73% nos próximos anos. Já agora, convém não confundir a aquicultura intensiva com outras formas de aquicultura que fazem parte da paisagem portuguesa, e que têm uma longa história de exploração sustentada. O que está em causa é esta produção de tipo industrial para benefício de um grupo relativamente pequeno. O salmão de aviário tem um impacto em termos de emprego muito menor que o salmão natural. A aquicultura intensiva de salmão é explorada sobretudo pelas multinacionais, e emprega muito pouca mão de obra. Não vale a pena colocar em risco a sobrevivência das espécies selvagens para satisfazer a ganância das multinacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aprecio salmão, peixe para mim é a sardinha, o sável, ou a lampreia. Se gostam de salmão, comam-no mas, por favor, apenas aquele que é apanhado na natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Nota&lt;/span&gt;: Um dos autores do estudo, o doutor Ransom Myers, morreu em Março do ano passado. Era uma das vozes mais importantes nas questões relativas à conservação dos oceanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem de alevim de salmão cortesia de Uwe Kils, via &lt;a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Salmonlarvakils.jpg" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Ford JS, Myers RA (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A global assessment of salmon aquaculture impacts on wild salmonids&lt;/span&gt;. PLoS Biol 6(2): e33. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1371/journal.pbio.0060033" target="_blank"&gt;doi:10.1371/journal.pbio.0060033&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-954223276761595814?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/954223276761595814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=954223276761595814&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/954223276761595814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/954223276761595814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/salmo-de-avirio-no-obrigado.html' title='Salmão de aviário? Não, obrigado'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7HD4Iw_LnI/AAAAAAAABUA/viIQXxE4tuw/s72-c/Salmo_salar0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3822270500874448887</id><published>2008-02-10T12:13:00.002Z</published><updated>2008-02-15T19:48:24.599Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A beleza dos cnidários do Brasil</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7GasIw_LlI/AAAAAAAABTw/caumtaBEERA/s1600/Tripedalia_cystophora_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166080330628542034" border="0" /&gt; As alforrecas, também conhecidas por águas-vivas e mães-d'água, referem-se sobretudo a um grupo de animais designado  por cifozoários. Há outros animais muito semelhantes mas mais raros, os cubozoários, aquelas cubomedusas com 24 olhos de que falei numa contribuição anterior, e que levam uma vida mais activa, semelhante em muitos aspectos à dos peixes. No mundo existem cerca de 200 espécies de cifozoários, e no Brasil, com 22 espécies, encontra-se cerca de 10% dessa diversidade. Dos cubozoários, o número de espécies descritas ronda as 20, das quais 4, ou seja 20% da diversidade, se pode encontrar no Brasil. Enquanto procurava algo em português que me servisse de referência, quanto à tradução dos termos técnicos referentes a estes animais, tive a grata surpresa de encontrar um artigo, não só com um utilíssimo glossário, mas também profusamente ilustrado com belíssimas fotos de cifomedusas e cubomedusas. Não resisti a mostrar aqui uma dessas fotos da autoria de Álvaro Migotto, que mostra uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tripedalia cystophora&lt;/span&gt;. Esta é a mesma espécie de que tinha falado anteriormente. O ropálio onde se encontram os olhos, pequeníssimos, é visível nesta imagem. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/beleza-dos-cnidrios-do-brasil.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo em questão é da autoria de André Morandini e colegas e saiu na revista Iheringia (ref1). O resumo inclui uma incrível lista de espécies:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;As espécies de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cubozoa&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scyphozoa&lt;/span&gt; costeiras que ocorrem no Brasil são descritas, com base em espécimes de coleções de museus e exemplares recém-coletados. Chaves de identificação e um glossário também são apresentados. As espécies descritas são: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aurelia sp&lt;/span&gt;.; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cassiopea xamachana&lt;/span&gt; Bigelow, 1892; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chiropsalmus quadrumanus&lt;/span&gt; (Müller, 1859); &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chrysaora lactea Eschscholtz&lt;/span&gt;, 1829; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drymonema dalmatinum&lt;/span&gt; Haeckel, 1880; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Linuche unguiculata &lt;/span&gt;(Swartz, 1788); &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lychnorhiza lucerna&lt;/span&gt; Haeckel, 1880; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nausithoe aurea&lt;/span&gt; Silveira &amp;amp; Morandini, 1997; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Phyllorhiza punctata&lt;/span&gt; von Lendenfeld, 1884; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Stomolophus meleagris&lt;/span&gt; Agassiz, 1862; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tamoya haplonema&lt;/span&gt; Müller, 1859 e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tripedalia cystophora&lt;/span&gt; Conant, 1897.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Segue-se uma lista das características de cada uma dessas espécies, acompanhada de imagens. Mesmo a fotografia que mostro no início é já um pouco um abuso dos direitos de autor, pelo que me fico por essa. Para verem as restantes, e para terem acesso ao utilíssimo glossário, usem o apontador fornecido com a referência abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Morandini André C., Ascher Denise, Stampar Sergio N., Ferreira João Fernando V. (2005). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cubozoa and Scyphozoa (Cnidaria: Medusozoa) from Brazilian coastal waters&lt;/span&gt;. Iheringia, Sér. Zool. 95(3):   281-294. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1590/S0073-47212005000300008" target="_blank"&gt; doi: 10.1590/S0073-47212005000300008&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3822270500874448887?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3822270500874448887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3822270500874448887&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3822270500874448887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3822270500874448887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/beleza-dos-cnidrios-do-brasil.html' title='A beleza dos cnidários do Brasil'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7GasIw_LlI/AAAAAAAABTw/caumtaBEERA/s72-c/Tripedalia_cystophora_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-7294355864565145384</id><published>2008-02-09T10:06:00.000Z</published><updated>2008-02-12T11:08:38.884Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Antropologia'/><title type='text'>As vantagens de casar com a prima</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7F5Now_LkI/AAAAAAAABTo/Dc8sn-2NfTU/s1600/neonato_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166043522758815298" border="0" /&gt; Aparentemente, entre os humanos, parece que uma das formas de aumentar o sucesso reprodutivo é casar com um primo relativamente próximo. Pelo menos é o que acontecia com os islandeses entre 1800 e 1965. Este é o resultado de um trabalho curioso, com um corolário algo estranho: os citadinos, pelo menos antes dos processos de controlo de natalidade modernos, não teriam menos crianças por morarem na cidade, mas sim porque seria menos provável que casassem entre primos. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/as-vantagens-de-casar-com-prima.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O estudo é descrito num artigo de Anna Helgason e colegas na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Science&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Estudos prévios relataram que casais humanos aparentados tendem a produzir mais crianças que casais não aparentados mas foram incapazes de determinar se esta difereça é biológica ou resulta de variáveis socioeconómicas. Os nossos resultados, obtidos a partir de todos os casais conhecidos na população islandesa nascidos entre e 1800 e 1965, mostram uma significativa associação positiva entre parentesco e fertilidade, com o maior sucesso reprodutivo observado em casais relacionados ao nível de primos de terceiro e quarto grau. Devido à relativa homogeneidade socioeconómica dos islandeses, e à observação de diferenças altamente significativas na fertilidade de casais separados por intervalos muito pequenos de parentesco, concluímos que esta associação tem muito provavelmente uma base biológica.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Entre 1800 e 1824 as islandeses que casavam com um primo de terceiro grau tinham em média quatro crianças e nove netos. Por outro lado, no mesmo período, islandesas cujo marido era apenas primo em oitavo grau ou ainda mais afastado, tinham em média três filhos e sete netos. Entre 1900 e 1924 os resultados eram em tudo semelhantes. Para primos em terceiro grau a média era de três crianças e sete netos, enquanto para oitavo grau ou mais afastado era de duas crianças e cinco netos. Os autores encontraram num entanto um custo ao nível de primos em primeiro ou segundo grau. Convém ser aparentado, mas não demasiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitas variáveis que podem jogar neste tipo de associação, tais como alguém que provém de uma família com mais crianças vai ter mais terceiros primos, ou a possibilidade de que mulheres que casam com os primos comecem a ter filhos mais cedo, mas os autores rebatem-nos com exemplos relativos a sextos e sétimos primos, onde se nota uma diferença significativa. A origem é assim provavelmente genética. Isto tem uma implicação curiosa, que os autores notam no final do artigo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A formação de regiões urbanas densamente habitadas, que  oferece uma vasta oferta de potenciais esposos com parentesco afastado, é uma situação nova para os humanos, em termos evolucionários. Notamos que se a relação entre parentesco e fertilidade tem uma base na biologia reprodutiva humana, então segue-se que o tipo de transição demográfica experimentado pela população islandesa pode contribuir directamente para o abrandar do crescimento populacional noutros locais, através do aumento relativo de casais com parentesco distante.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, as pessoas têm menos filhos nas cidades porque é menos provável que casem com os primos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sabem, se gostam de crianças e querem ter uma família numerosa, procurem a vossa cara-metade entre os vossos primos, ou primas, de terceiro ou quarto grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A imagem do bebé que uso no início da contribuição (uma menina) foi cedida pelo fotógrafo (o pai) à &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Image:HumanNewborn.JPG" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikipedia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Helgason A, Pálsson S, Guðbjartsson DF, Kristjánsson Þ, Stefánsson K. 2008. An association between the kinship and fertility of human couples. Science 319:813-816. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1126/science.1150232" target="_blank"&gt;doi:10.1126/science.1150232&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-7294355864565145384?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/7294355864565145384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=7294355864565145384&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7294355864565145384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7294355864565145384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/as-vantagens-de-casar-com-prima.html' title='As vantagens de casar com a prima'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R7F5Now_LkI/AAAAAAAABTo/Dc8sn-2NfTU/s72-c/neonato_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2197937764696615498</id><published>2008-02-08T21:09:00.003Z</published><updated>2008-10-06T14:57:26.908+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Um cubo com 24 olhos</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6-Ns4w_LiI/AAAAAAAABTY/fPdhQCx6LKc/s1600/cubomedusa_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165503099908861474" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6-M_4w_LhI/AAAAAAAABTQ/e2kSCeQqtYw/s1600/cubomedusa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165502326814748178" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Isto que estamos a ver aqui são olhos, nada mais nada menos do que seis. A marca preta horizontal representa um décimo de milímetro, logo são olhos minúsculos. Os quatro pontinhos mais pequenos são pequenas fossas com pigmentos e células fotorreceptoras no centro, mas os dois maiorzinhos possuem retinas e  lentes. O dono destes olhos tem mais 3 conjuntos iguais a este. Ora que criatura é esta que possui 24 olhos? Não se trata de um peixe, nem de um cefalópode. Pertencem a um animal que tendemos a considerar muito mais primitivo: estes são os olhos de uma cubomedusa, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tripedalia cystophora&lt;/span&gt;, um animal com apenas 10 milímetros que vive nos mares das Caraíbas. As cubomedusas possuem o sino em forma de cubo, e não arredondado, mas fora isso são gelatinosas, quase transparentes, com tentáculos de células urticantes, como a maioria das alforrecas. Só que em vez de uma vida de predador à deriva, os olhos das cubomedusas permitem-lhes ter uma vida de nadadores activos. O mais espantoso é que o fazem  com um sistema nervoso muito rudimentar, sem um verdadeiro cérebro. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/um-cubo-com-24-olhos.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que descreve estes olhos surpreendentes é de Dan Nilsson e colegas e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nature&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os cubozoários, ou cubomedusas, diferem de todos os outros cnidários por possuirem um comportamento activo, semelhante ao dos peixes, e um aparelho sensorial elaborado. Cada um dos quatro lados do animal carrega um pedúnculo sensorial (o ropálio), no qual evoluiu um agregado bizarro de diferentes olhos.  Sabe-se há muito tempo que dois dos olhos em cada ropálio se assemelham aos olhos de animais superiores, mas a função e desempenho desses olhos permeneceram desconhecidos. Mostramos aqui que as lentes das cubomedusas contêm um gradiente finamente ajustado do indíce de refracção produzindo uma imagem livre de aberração. Isto demonstra que mesmo animais simples foram capazes de evoluir a óptica visual sofisticada previamente conhecida apenas em alguns dos filos bilatérios complexos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja em cada face as cubomedusas possuem dois olhos com lentes tão "sofisticadas" como as dos cefalópodes e dos peixes. O olho inferior, mas não o superior, possui mesmo uma pupila móvel:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6-PKIw_LjI/AAAAAAAABTg/A9_GK81m6Fw/s1600/cubomedusa1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165504701931662898" border="0" /&gt;Na imagem da esquerda o olho foi exposto a níveis correspondented a luz solar directa durante 10 minutos, na da direita a escuridão total durante 10 minutos. A pupila demora cerca de 1 minuto a ajustar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, há algo de supreendente nestes olhos: as cubomedusas poderiam produzir imagens com um detalhe semelhante às dos peixes, mas não o fazem.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Contudo, a posição da retina não coincide com a da imagem nítida, levando a campos de recepção muito amplos e complexos nos fotorreceptores individuais. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O plano focal da lente nestes animais fica muito atrás da retina, ou seja, a imagem obtida pelo animal é fortemente desfocada.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Argumentamos que isto pode ser útil em olhos que sirvam uma única tarefa visual. Estas descobertas indicam que o conseguir campos de recepção complexos pode ter sido uma das forças originais por detrás da evolução das lentes animais.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Esta frase pode parecer algo obscura, mas não é tanto assim. O que se passa é que as cubomedusas são um pouco limitadas ao nível do processamento neuronal. Nos vertebrados, coisas como reconhecimento de estruturas, e movimentos de grande escala, são interpetados por redes neuronais, mas as cubomedusas não possuem essa opção. O que as cubomedusas poderão estar a fazer com a desfocagem é remover as altas frequências espaciais no seu campo de visão (isto é as estruturas pequenas). Esta espécie de filtro permitiria às cubomedusas verem as estruturas estacionárias no seu ambiente, e ao mesmo tempo tornar invisíveis o plâncton e pequenas partículas suspensas na água. Os olhos com lente seriam assim úteis para que as cubomedusas possam evitar obstáculos nos ambientes costeiros onde vivem. Em vez de obter a melhor imagem possível, e delegar as várias tarefas de processamento dessa imagem ao cérebro, as cubomedusas delegam diferentes tarefas visuais aos seus quatro tipos diferentes de olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este pode ter sido um passo importante na evolução dos olhos na generalidade dos animais. A curiosidade neste tipo de visão é que uma grande acuidade visual não é necessariamente um requisito: para algumas tarefas uma imagem esborratada funciona melhor. As cubomedusas mostram que lentes, em tudo adequadas a fornecerem grande detalhe e sensibilidade, poderão não ter evoluído exactamente para proporcionar esse detalhe e sensibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que os cientistas planearam experiências para testar as capacidades visuais das cubomedusas, observando como evitam os obstáculos. Falarei nisso numa próxima contribuição. Já agora, um aviso. Se virem uma cubomedusa não pensem em procurar-lhe os olhos sem terem muito cuidado. O veneno destas criaturas é doloroso e pode mesmo ser mortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Dan-E. Nilsson, Lars Gislén, Melissa M. Coates, Charlotta Skogh and Anders Garm (2005). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Advanced optics in a jellyfish eye&lt;/span&gt;. Nature 435, 201-205. &lt;a href="htpp://dx.doi.org/10.1038/nature03484" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;doi: 10.1038/nature03484&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;(obrigado pela correcção Rodrigo.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2197937764696615498?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2197937764696615498/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2197937764696615498&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2197937764696615498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2197937764696615498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/um-cubo-com-24-olhos.html' title='Um cubo com 24 olhos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6-Ns4w_LiI/AAAAAAAABTY/fPdhQCx6LKc/s72-c/cubomedusa_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2571630074252312695</id><published>2008-02-06T00:22:00.000Z</published><updated>2008-02-10T18:15:53.057Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Espécies novas é com os insectos</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R68-F4w_LgI/AAAAAAAABTI/7xgzgDV2adg/s1600/Lordomyrma_azumai0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165415568475368962" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6899ow_LfI/AAAAAAAABTA/mIjJYwhGc2w/s1600/Lordomyrma_azumai_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165415426741448178" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Na imagem podemos ver uma obreira da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lordomyrma azumai&lt;/span&gt;, uma pequena formiga, de 3 a 5 milímetros de comprimento, que é relativamente rara no Japão, onde é conhecida como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mizogashira-ari-zoku&lt;/span&gt;. O género &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lordomyrma&lt;/span&gt; incluía, até recentemente, cerca de 20 outras espécies conhecidas, e todas elas se localizavam na Nova Guiné, Austrália, ou ilhas adjacentes. Esta distribuição algo disjunta levantava algumas questões. Ou havia algo de especial na forma como as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lordodmyrma&lt;/span&gt; japonesas aí chegaram, ou então havia espécies de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lordodmyrma&lt;/span&gt; por descobrir algures no sudoeste asiático. Aliás, descobrir não é a palavra exacta, é mais descrever, existiam relatos de espécies na Península e no arquipélago da Malásia. Ora duas espécies foram recentemente descritas, uma num dos locais habituais, na Melanésia, mas a outra num dos locais antecipados, no Bornéu. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/espcies-novas-com-os-insectos.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;As duas novas espécies de formiga são descritas  por  Andrea Lucky e Eli Sarnat na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zootaxa&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Descrevem-se duas espécies de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lordomyrma&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;L. reticulata sp. nov&lt;/span&gt;. do Bornéu da Malásia, e  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;L. vanua sp. nov.&lt;/span&gt; das Fiji. A ocorrência da primeira no Bornéu expande o alcance deste género, levando-o a incluir o sudoeste asiático, e a descrição de uma nova &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lordomyrma&lt;/span&gt; nas Fiji indica que a amostragem do género permanece ainda por completar, mesmo em regiões onde se considerava ser bem conhecido. Tomadas em conjunto, estas duas descobertas sugerem que as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lordomyrma&lt;/span&gt; ocupam uma distribuição menos disjunta e estão mais amplamente distribuídas do que se suspeitava anteriormente. É necessária uma amostragem mais ampla para revelar quer a diversidade quer a distribuição deste género críptico.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Como é referido no artigo, a descoberta de novas espécies neste género não será muito supreendente. Na maioria, trata-se de formigas pequenas, que vivem na folhagem morta de florestas húmidas, em colónias de tamanho modesto (da ordem das centenas de indivíduos). Além disso não são agressivas, são tímidas e fogem quando perturbadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta de uma nova espécie de insectos não é nada de por aí além, julga-se que haja milhões por classificar. Neste caso, no entanto, o que me atraiu foi a beleza da &lt;a style="font-style: italic;" href="http://myrmecos.wordpress.com/2008/01/31/new-species-lordomyrma-vanua/" target="_blank"&gt;foto da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;L. vanua&lt;/span&gt;, no Myrmecos Blog&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fotografia da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lordomyrma azumai&lt;/span&gt; tirada por Hirotami T. Imai, Masao Kubota, via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://ant.edb.miyakyo-u.ac.jp/E/Taxo/F41801.html" target="_blank"&gt;Japonese Ant Image Database&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Andrea Lucky e Eli M. Sarnat (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;New species of Lordomyrma (Hymenoptera: Formicidae) from Southeast Asia and Fiji.&lt;/span&gt; Zootaxa 1681: 37­46. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.mapress.com/zootaxa/2008/f/z01681p046f.pdf" target="_blank"&gt;PDF&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2571630074252312695?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2571630074252312695/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2571630074252312695&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2571630074252312695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2571630074252312695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/espcies-novas-com-os-insectos.html' title='Espécies novas é com os insectos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R68-F4w_LgI/AAAAAAAABTI/7xgzgDV2adg/s72-c/Lordomyrma_azumai0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2249435044595755006</id><published>2008-02-04T16:01:00.000Z</published><updated>2008-02-10T15:06:07.641Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O musaranho-elefante gigante</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R68Qa4w_LcI/AAAAAAAABSo/cQQgHtZkWrw/s1600/Rhynchocyon_udzungwensis0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165365351717744066" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R68QOYw_LbI/AAAAAAAABSg/IUiwLFWJbcg/s1600/Rhynchocyon_udzungwensis_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165365136969379250" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta criatura de focinho comprido é um macroscelídeo das montanhas da Tanzânia, um grupo de animais conhecidos localmente por senguis. São criaturas que se alimentam de insectos, e cujas afinidades filogenéticas permaneceram enigmáticas durante muito tempo. Supôs-se inicialmente que seria parentes próximos dos musaranhos, daí serem conhecidos por musaranhos-elefante. Filogenias modernas colocam-nos, no entanto, num grupo de animais chamados de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Afrotheria&lt;/span&gt;, que inclui também os elefantes, os hiraxes, os sirénios, e o porco-formigueiro. Até há pouco tempo apenas se conheciam 15 espécies de senguis, cujo peso variava entre 30 e 500 gramas, número que aumentou este mês. O animal da imagem pertence a uma espécie nova, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rhynchocyon udzungwensis&lt;/span&gt;, e é um verdadeiro gigante, com um peso por volta dos 700 gramas. Foi pela primeira vez visto em 2005, em imagens tiradas por câmaras-armadilhas, e em Março de 2006 foram capturados os primeiros exemplares. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-musaranho-elefante-gigante.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[...ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O sengui gigante é descrito num artigo de na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Journal of Zoology&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Descreve-se uma nova espécie de sengui ou musaranho-elefante. Foi descoberto nas montanhas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Udzungwa&lt;/span&gt; na Tanzânia em 2005. Os senguis (ordem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Macroscelidea&lt;/span&gt;, super-coorte &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Afrotheria&lt;/span&gt;) incluem quatros género e 15 espécies de mamífero que são endémicos da África. Esta descoberta é uma contribuição significativa para a sistemática desta pequena ordem. Com base em 49 imagens de uma câmara, 40 avistamentos, e cinco exemplares capturados, o novo sengui é diurno e distingue-se das outras três espécies de Rhynchocyon por possuir uma face pardo-acinzentada, peito e queixo de cor amarelo pálido ou creme, flancos laranja-avermelhados, dorso cor de vinho, e coxas e partes traseiras negras. O peso corporal da nova espécie é de cerca de 700 gramas, que é 25–50% maior que qualquer outro sengui gigante. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O novo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Rhynchocyon&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; é conhecido apenas de duas populações que cobrem cerca de 300 km² de floresta de montanha. Tem uma densidade estimada em 50-80 indivíduos por km²&lt;/span&gt;. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O destaque a negrito implica que existirão apenas uns poucos milhares destes animais. O processo que levou ao reconhecimento formal da espécie eliminou uns quantos. Tal como se descreve no interior do artigo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os animais capturados foram fotografados, medidos, pesados, eutanizados se vivos, e preparados como peles e crânios de estudo-padrão de museu.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Esperemos que num futuro mais ou menos próximo estas pelas não sejam tudo o que resta destes "gigantes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R68QoIw_LeI/AAAAAAAABS4/OM8Ehv_ffSs/s1600/Rhynchocyon_udzungwensis1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165365579351010786" border="0" /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) F. Rovero, G. B. Rathbun, A. Perkin, T. Jones, D. O. Ribble, C. Leonard, R. R. Mwakisoma, N. Doggart (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A new species of giant sengi or elephant-shrew (genus Rhynchocyon) highlights the exceptional biodiversity of the Udzungwa Mountains of Tanzania&lt;/span&gt;. Journal of Zoology 274 (2), 126-133. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1111/j.1469-7998.2007.00363.x" target="_blank"&gt;doi: 10.1111/j.1469-7998.2007.00363.x&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2249435044595755006?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2249435044595755006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2249435044595755006&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2249435044595755006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2249435044595755006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-musaranho-elefante-gigante.html' title='O musaranho-elefante gigante'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R68Qa4w_LcI/AAAAAAAABSo/cQQgHtZkWrw/s72-c/Rhynchocyon_udzungwensis0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-724160046991329041</id><published>2008-02-02T16:10:00.000Z</published><updated>2008-02-09T09:53:13.523Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A indefesa cherovia neozelandesa</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6yJvwTOO6I/AAAAAAAABSQ/byFSGMFlRIs/s1600/cherovia0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164654326199499682" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6yJnATOO5I/AAAAAAAABSI/NcpDmSqB0-w/s1600/cherovia_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164654175875644306" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta imagem mostra uma planta chamada cherovia, de seu nome científico  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pastinaca sativa&lt;/span&gt;, que antes da introdução da batata cumpria, de certa forma, esse papel em muitas partes da Europa. Hoje em dia ainda é cultivada em Portugal, na Serra da Estrela. A cherovia tem a cor do nabo, o aspecto da cenoura, e um sabor que é uma mistura de ambos. Eu gosto bastante, mas a maioria das pessoas que conheço não a apreciam. As cherovias têm a sua praga, a lagarta da cherovia, de seu nome científico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Depressaria pastinacella.&lt;/span&gt; As plantas estão, contudo, protegidas por um tipo de compostos chamados furanocumarinas, que são altamente tóxicos para os insectos. As lagartas da cherovia têm uma tolerância limitada a esse veneno, podendo ingerir até 5% do seu peso dessas toxinas, o que reduz sobremaneira os danos que podem causar na planta. As cherovias acompanharam os humanos na sua expansão pelo mundo, e existem formas bravias em vários locais fora da Europa. Na Nova Zelândia, as cherovias, que aí chegaram há mais de um século, tiveram durante muito tempo uma vida fácil, pois a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;D. pastinacella&lt;/span&gt; ficou para trás. As tais furanocumarinas vêm com custos altos de produção, daí que não seja de espantar que as cherovias neozelandesas apresentem defesas químicas menos eficientes, embora seja também possível que essa fosse uma característica das primeiras cherovias que aí chegaram. Até recentemente isso não era um problema. Só que em 2004 as coisas mudaram, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Depressaria pastinacella&lt;/span&gt; invadiu as ilhas. As cherovias da Nova Zelândia já não estão a salvo em nenhum local, em toda a parte há insectos vorazes. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/indefesa-cherovia-neozelandesa.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que trata das deliciosas cherovias e de lagartas é da autoria de Art Zangerl e colegas e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Proceedings of the National Academy of Sciences&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A interação entre a  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Depressaria pastinacella&lt;/span&gt; (lagarta da cherovia) e a cherovia brava (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pastinaca sativa&lt;/span&gt;), na sua Europa natal e no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;midwest&lt;/span&gt; dos Estados Unidos,  onde existem há muito tempo como espécies não nativas, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;caracteriza-se pelo ajuste químico dos fenótipos, mediado de forma ostensiva por respostas selectivas recíprocas&lt;/span&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O termo fenótipo descreve as características físicas que decorrem da expressão dos genes de um indivíduo (o genótipo). A frase destacada a negrito significa apenas que a planta e da lagarta estão envolvidas numa espécie de guerra química, em que a quantidade de veneno produzida pela planta limita os estragos da lagarta.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O aparecimento inical da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;D. pastinacella&lt;/span&gt; na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;P. sativa&lt;/span&gt; na Nova Zelândia em 2004 providenciou uma oportunidade para quantificar o impacto selectivo de um herbívoro que coevoluíu e para calibrar as taxas de resposta fitoquímica na planta hospedeira. Em 2006 as lagartas reduziram em 75% a produção de sementes nas populações da Nova Zelândia, e em 2007 as infestações aumentarem a severidade em todas as populações excepto uma. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 0pt 10px 10px; padding: 0pt; float: right;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6yJ0wTOO7I/AAAAAAAABSY/9nmvMFF98mM/s1600/Depressaria_pastinacella0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164654412098845618" border="0" /&gt;O resultado destas infestações dramáticas foi uma alteração nas pressões a que planta está sujeita para se conseguir reproduzir. Embora se tenham passado apenas três a quatro anos, a pressão evolutiva é tremenda: é que entre as partes mais atacadas pela lagarta da cherovia estão as zonas florais. As lagartas comem as flores da planta, e os tais 75% por cento querem dizer simplesmente isso: em três quartos das plantas nem uma flor escapou ao apetite voraz das lagartas. Essas plantas têm uma aptidão reprodutiva  igual a zero, não contribuem com genes para as gerações seguintes. É um dos exemplos mais dramáticos de pressão evolutiva observados na natureza. O potencial desta situação para estudos científicos é enorme. Os investigadores vão poder seguir as mudanças na química das plantas à medida que infestação progride. É que todas as outras variáveis, tais como clima, solos,  espécies vegetais vizinhas, permanecem mais ou menos constantes. A única mudança é a presença dos insectos como agente de seleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação não é exactamente nova. As cherovias chegaram à América do Norte no início do século XVII, mas as lagartas demoraram mais dois séculos a chegar. Dois dos autores deste estudo, Berenbaum e Zangerl, tinham estudado a guerra entre cherovias e lagartas nos Estados Unidos, usando exemplares de cherovias com mais de 100 anos guardados em museus, tendo verificado que os índices de furanocumarinas eram muito mais baixos nos exemplares mais antigos. Os autores sugeriram então que a resposta evolutiva das plantas à infestação foi o aumento da produção de furanocumarinas. A Nova Zelândia vai permitir medir a escala temporal em que essa adaptação se desenvolve. É uma oportunidade incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha Técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem inicial de cherovias cortesia de Goldlocki via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:PastinakePflanzegeerntet.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Imagem da lagarta dentro da cherovia cortesia de Art Zangerl.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) A. R. Zangerl, M. C. Stanley, and M. R. Berenbaum (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Selection for chemical trait remixing in an invasive weed after reassociation with a coevolved specialist. &lt;/span&gt;Proceeding of the National Academy of Sciences. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/0710280105v1-0" target="_blank"&gt;doi: 0710280105v1-0&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-724160046991329041?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/724160046991329041/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=724160046991329041&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/724160046991329041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/724160046991329041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/indefesa-cherovia-neozelandesa.html' title='A indefesa cherovia neozelandesa'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6yJvwTOO6I/AAAAAAAABSQ/byFSGMFlRIs/s72-c/cherovia0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-8844502568300194872</id><published>2008-02-01T11:27:00.000Z</published><updated>2008-02-07T15:11:34.590Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bestiário'/><title type='text'>O hipócrita, dissoluto e avarento crocodilo</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6r15ATOO3I/AAAAAAAABR4/5Oe2PmOJWyo/s1600/crocodilo_white.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164210282415668082" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;blockquote&gt;Isto é chamado um COCODRILO devido à sua cor de açafrão (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;crocus&lt;/span&gt;). Reproduz-se no Rio Nilo: um animal com quatro patas, anfíbio, geralmente com 30 pés de comprimento, armado com dentes e garras horríveis. Tão grande é a dureza da sua pele que nenhum golpe pode magoar um crocodilo, nem mesmo se pesadas pedras forem lançadas sobre o seu dorso. Permanece na água durante noite, em terra durante o dia. Incuba os seus ovos em terra. O macho e a fêmea fazem turnos.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6r1vwTOO2I/AAAAAAAABRw/bF3mpM3aVTA/s1600/crocodilo_white_ico.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164210123501878114" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta é a descrição do crocodilo no bestiário de que tenho falado nos últimos dias. A figura que a acompanha, é absolutamente deliciosa. As orelhas (ou serão cornos?), e o focinho não são de estranhar, o animal é colocado no grupo das bestas e não no grupo dos répteis. Não nos devemos esquecer da data deste escritos, século XII, e que autor do texto baseia a sua descrição em relatos de outras pessoas. Não é por isso de espantar que a representação não seja lá muito fiel em relação ao aspecto do animal em questão. Na verdade, no que se refere aos crocodilos, as imprecisões vêm de muito atrás. O bestiário refere, por exemplo, que de entre os animais o crocodilo é o único que move a mandíbula superior, mantendo-se a inferior quieta. O próprio Aristótoles incorreu nesse erro. Mas o que mais aprecio é a descrição que o bestiário faz das propriedades dos excrementos do animal. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-hipcrita-dissoluto-e-avarento.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;blockquote&gt;O seu excremento providencia um unguento com o qual as prostitutas velhas e cheias de rugas untam as suas faces e as tornam belas, até que o suor dos seus esforços o lava do rosto.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O tradutor do bestiário, Terence White, faz algumas considerações sobre o tema. Aprendi assim que Galeno considerava que o excremento de crocodilo era bom para as sardas, que Aécio recomendava que fosse queimado e o fumo enviado para dentro de buracos de cobra, e que Quiranides  defendia que os dentes eram afrodisíacos, desde que fossem retirados do animal vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é hábito, o bestiário faz considerações de índole moral, e é muito severo com as pobres criaturas:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;As pessoas hipócritas, dissolutas e avarentas possuem a mesma natureza que este bruto...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Mais sobre crocodilos nas próximas contribuições, mas sob uma perspectiva mais moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem retirada da referência abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The book of beasts&lt;/span&gt;. Editor Terence Hanbury White. New York: Putnam, 1960. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://digital.library.wisc.edu/1711.dl/HistSciTech.Bestiary" target="_blank"&gt;Páginas na Universidade de Wisconsin&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-8844502568300194872?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/8844502568300194872/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=8844502568300194872&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8844502568300194872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8844502568300194872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/02/o-hipcrita-dissoluto-e-avarento.html' title='O hipócrita, dissoluto e avarento crocodilo'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6r15ATOO3I/AAAAAAAABR4/5Oe2PmOJWyo/s72-c/crocodilo_white.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-543879111571940868</id><published>2008-01-31T08:32:00.000Z</published><updated>2008-02-06T08:40:39.735Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Ainda mais medos dos elefantes</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6lv1wTOO1I/AAAAAAAABRo/J3swBiKZ1xw/s1600/elefante1_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163781417046260562" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6luyATOO0I/AAAAAAAABRg/7aQ7DHDMhb8/s1600/elefante1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163780253110123330" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;A imagem mostra um elefante africano, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Loxodonta africana&lt;/span&gt;, a alimentar-se dos ramos de uma acácia da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acacia tortilis&lt;/span&gt;. Um elefante adulto é uma criatura que come muito, cerca de 110 toneladas de folhagem por ano. Uma parte pequena dessa folhagem vem das incursões, cada vez mais frequentes, que os elefantes fazem aos campos de cultivo dos humanos. Para evitar conflitos onde, apesar do tamanho, a parte mais fraca é o elefante, há que procurar formas não letais para afastar os elefantes dos terrenos agrícolas. É preciso mandar aos animais a mensagem de perigo mas sem que eles estejam de facto em risco de vida. Alguns investigadores pensam que a solução para o problema pode ser encontrada nestas árvores. Os elefantes não se alimentam assim tão à vontade de todas as acácias que encontram no seu caminho. Por vezes evitam as árvores, receosos, pois encontram-se aí criaturas que temem e que evitam. Ora do que é que os elefantes têm tanto medo? Não, não são os ratos de que falei na contribuição anterior, são criaturas muito mais pequenas. Os seres que tanto atemorizam os elefantes são abelhas selvagens africanas, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apis mellifera africana&lt;/span&gt;. Essas abelhas são ferozes, chegando a perseguir os elefantes durante 3 a 5 km. Os pequenos insectos são uma das grandes esperanças para limitar o antagonismo, que existe em África, entre a crescente população humana, e os elefantes. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/ainda-mais-medos-dos-elefantes.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Um dos trabalhos que descreve o comportamento dos elefantes face às abelhas é da autoria de Fritz Vollrath e Iain Douglas-Hamilton, e foi publicado na revista Naturwissenschaften (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os números de elefantes têm caído em Afríca e na Ásia nos últimos 30 anos enquanto o número de humanos tem aumentado, em ambos os casos de forma substancial. O atrito entre estas duas espécies atingiu níveis que são altamente preocupantes quer do ponto de vista ecológico, quer político. Devem procurar-se formas e meios para mantê-las afastadas em áreas sensíveis para a sobrevivência de cada espécie. A agressiva abelha africana pode ser um desses métodos. Mostramos aqui que as abelhas africanas impedem os elefantes de danificar a vegetação e as árvores que acolhem as suas colmeias. Argumentamos que as abelhas podem ser utilizadas de forma proveitosa para proteger, dos danos dos elefantes, não apenas as árvores selecionadas, mas também áreas selecionadas. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;No auge da estação seca, os autores do artigo suspenderam 30 colmeias vazias, e seis colmeias ocupadas, em árvores da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acacia xanthophloea&lt;/span&gt;, num local designado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mpala Ranch&lt;/span&gt;, no Planalto de  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Laikipia&lt;/span&gt;, no Quénia. Compararam então o que acontecia às árvores com colmeias em relação a 36 outras árvores da mesma espécie sem colmeias. A época em que os elefantes atacam as árvores é durante a transição da estação seca para a estação chuvosa. Das árvores sem colmeias, apenas 10% escaparam ao apetite voraz dos elefantes durante esse período. Das árvores com colmeias apenas um terço foi tocada pelos elefantes, e nenhuma das árvores com abelhas nas colmeias foi alvo dos elefantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora os elefantes podem detectar as colmeias através do seu olfacto apurado, mas podem também fazê-lo através do ouvido. Isso pode explicar porque razão as colmeias ocupadas (que emitem um zumbido audível) foram tão eficientes a afastar os elefantes. A importância para um mecanismo de controlo de movimentos é óbvia: uns quantos altifalantes com zumbido podem ser suficientes para manter os elefantes afastados de terrenos de cultivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desempenho de um sistema de afastamento sonoro foi estudado por Lucy King, Iain Douglas-Hamilton, e Fritz Vollrath, tendo os resultados sido publicados na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Current Biology&lt;/span&gt; (ref2). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A intromissão do desenvolvimento humano em áreas que anteriormente eram de vida selvagem está a comprimir os elefantes africanos em regiões cada vez menores, causando níveis elevados de conflito entre humanos e elefantes. Propôs-se que as abelhas melíferas africanas seriam um possível dissuasor para os elefantes.  Fizemos uma experiência passando uma gravação para estudar essa hipótese. Verificámos que uma maioria significativa dos elefantes, numa amostra de 18 famílias bem estudadas e subgrupos de vários tamanhos, reagiram de forma negativa, começando imediatamente a afastar-se ou correr, quando ouviam o zumbido de abelhas perturbadas, enquanto ignoravam o som de controle de ruído branco natural. Se a resposta que se observou era o resultado de condicionamento individual ou aprendizagem de carácter social é algo que ainda não foi estabelecido. O nosso estudo apoia fortemente a hipótese que as abelhas, e talvez mesmo apenas o seu zumbido, podem ser utilizados para manter os elefantes afastados.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Um problema complicado com o que parece ser uma resposta simples: o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Fritz Vollrath e Iain Douglas-Hamilton (2002). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;African bees to control African elephants&lt;/span&gt;. Naturwissenschaften 89:508-­511. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1007/s00114-002-0375-2" target="_blank"&gt;DOI 10.1007/s00114-002-0375-2&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref2&lt;/span&gt;) Lucy E. King, Iain Douglas-Hamilton, and Fritz Vollrath (2007). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;African elephants run from the sound of disturbed bees&lt;/span&gt;. Current Biology, Vol 17, R832-R833.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-543879111571940868?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/543879111571940868/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=543879111571940868&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/543879111571940868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/543879111571940868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/ainda-mais-medos-dos-elefantes.html' title='Ainda mais medos dos elefantes'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6lv1wTOO1I/AAAAAAAABRo/J3swBiKZ1xw/s72-c/elefante1_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-1641081571565638975</id><published>2008-01-29T04:27:00.000Z</published><updated>2008-02-06T06:01:54.355Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bestiário'/><title type='text'>Os medos dos elefantes</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6lJ_QTOOyI/AAAAAAAABRQ/YKMpxUGFRbc/s1600/elefante.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163739798813162274" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;blockquote&gt;Existe um animal chamado Elefante que não tem nenhum desejo de copular.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6lJ1ATOOxI/AAAAAAAABRI/BKkoN3ZY6UU/s1600/elefante_ico.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163739622719503122" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; É assim que, no mesmo bestiário do século XII, de que falei na contribuição anterior, se inicia a parte relativa aos hábitos dos elefantes. Os bestiários eram mais do que a simples descrição do comportamento dos animais, faziam paralelos entre o comportamento animal e a concepção do mundo que se possuía na época, ligada às Escrituras. Não surpreende assim que se estabeleça um paralelismo, entre os hábitos sexuais dos elefantes, e a história de Adão e Eva no Génesis. Os elefantes, macho e fêmea, quando queriam uma cria, deslocar-se-iam para oriente, para o Paraíso, onde comeriam da árvore Mandrágora, cedendo então aos prazeres da carne, e concebendo de imediato. Estranhamente, na época, julgava-se que os elefantes não tinham joelhos, e que copulavam costas com costas, uma suposição que vinha do tempo dos autores gregos da época clássica. No bestiário ficamos também a saber que, se o Elefante não tem problemas em enfrentar um touro, por outro lado tem medo dos ratos. Pois é, aquela imagem do elefante em pânico ao ver um rato, típica dos desenhos animados, afinal tem mais de 800 anos. Curiosamente, pode existir um fundo de verdade na história. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/os-medos-dos-elefantes.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O suposto medo dos ratos é tratado num episódio dos Caçadores de Mitos (Mythbusters), que fizeram uma experiência envolvendo um ratinho branco, um esconderijo feito de excremento de elefante, e dois elefantes num cenário natural:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wXiMs65ZAeU&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wXiMs65ZAeU&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notem que o Adam e o Jamie fizeram mesmo uma experiência de controlo sem o rato, mostrando que não foram nem os fios, nem o monte de excremento a saltar, que assustaram os elefantes. Foi mesmo o ratinho. Deve notar-se que, embora isto signifique que seja possível que o mito tenha a sua base num comportamento real, os elefantes não têm realmente medo de ratos. Aquilo é sobretudo cautela com uma criatura, possivelmente barulhenta, que surge de repente no meio do caminho. Os elefantes nos zoológicos, e nos circos, convivem de perto com ratos e ratazanas, e não lhes prestam grande atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem retirada da referência abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The book of beasts&lt;/span&gt;. Editor Terence Hanbury White. New York: Putnam, 1960. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://digital.library.wisc.edu/1711.dl/HistSciTech.Bestiary" target="_blank"&gt;Páginas na Universidade de Wisconsin&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-1641081571565638975?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/1641081571565638975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=1641081571565638975&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1641081571565638975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1641081571565638975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/os-medos-dos-elefantes.html' title='Os medos dos elefantes'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6lJ_QTOOyI/AAAAAAAABRQ/YKMpxUGFRbc/s72-c/elefante.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-9211605510221108762</id><published>2008-01-27T07:34:00.000Z</published><updated>2008-02-04T07:58:26.274Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bestiário'/><title type='text'>As cobras do leite</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6a-sgTOOwI/AAAAAAAABRA/YdCqovXSl0c/s1600/Lampropeltis_triangulum_syspila0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163023694620932866" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6a-lATOOvI/AAAAAAAABQ4/ERLMI0EJK0Q/s1600/Lampropeltis_triangulum_syspila_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163023565771913970" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;Esta cobra é uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lampropeltis triangulum syspila&lt;/span&gt;, um animal que, apesar das cores berrantes, é relativamente inofensivo para os humanos. Possui no entanto uma má reputação  junto aos agricultores que enveredam pela pecuária, que é extensiva a outras cobras. Essa má reputação provém de uma crendice, que existia já na idade média. Por estranho que pareça, os manuscriptos mais populares na período medieval, a seguir à Bíblia, eram tratados de biologia animal, os bestiários. Os autores dos bestiários deixavam de fora dos seus livros as criaturas fantásticas dos pagãos: os animais descritos eram supostamente criaturas reais, e os hábitos relatados eram considerados como comportamento de facto das criaturas.  Algumas das coisas referidas nos bestiários são claramente fantasiosas, e levam-nos muitas vezes a esboçar um sorriso. Mas não nos podemos esquecer que os autores deste livros limitavam-se a aceitar o testemunho de pessoas mais autorizadas do que eles: caçadores e camponeses, que lidavam directamente com os animais, ou relatos de viajantes que os teriam visto em primeira mão. Ora o que é que isso tem a ver com a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lampropeltis triangulum&lt;/span&gt;? Bem, é que esta cobra é conhecida nos Estados Unidos da América como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;red-milk-snake&lt;/span&gt;, ou seja, a cobra-do-leite vermelha, e a razão para o nome poderia ser decalcada de um bestiário com mais de 800 anos. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/as-cobras-de-leite.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Eis então uma tradução para português, de um excerto de uma tradução do latim para inglês da autoria de Terence Hanbury White, de um bestiário do século XII:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A BOA é uma cobra italiana que persegue manadas de vacas ou grandes grupos de búfalos, e se agarra aos seus úderes plenos com muito leite. Destrói-os ao mamar. Assim, pela devastação do gado (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Boves&lt;/span&gt;), a Boa retira o seu nome. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A cobra-do-leite dos Estados tem exactamente a mesma reputação. Quando as vacas aparecem com os úderes vazios a culpa é das cobras. O facto das cobras aparecerem nos estábulos das vacas não tem grandes segredos: procuram roedores, não leite. Mas, mesmo que se desse importância ao facto de aparecerem nos estábulos com as vacas sem leite, a associação causal não faz sentido, é que uma cobra destas não possui capacidade para secar uma vaca. Para lá das cobras não possuirem um aparelho bucal adequado a mamar nas tetas duma vaca,  trata-se de animais relativamente pequenos. O volume de leite ingerido pela cobra seria sempre diminuto em relação à capacidade da vaca. Mas esse tipo de considerações não detém os agricultores. De acordo com as crendices locais, uma só cobra-de-leite consegue sugar, de uma assentada, leite capaz de saciar quarenta homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo mito existe, ou pelo menos existia quando eu era miúdo, nas aldeias portuguesas.  Quando uma cabra aparecia com as tetas vazias, dando muito menos leite do que era costume, a culpa era invariavelmente de alguma cobra. Pelo menos era o que meu avô me dizia, e eu acreditava na história. Claro que nenhuma das cobras nativas portuguesas se presta a este tipo de actividades, mas as histórias do apetite das cobras por leite abundam em Portugal, e possuem mesmo versões mais tenebrosas.  Uma outra história, que me lembro da minha infãncia, é a da cobra que entra em casa atraída pelo cheiro do leite humano, e apanhando a mãe adormecida com o filho ao colo, aproveita para mamar em vez da criança. Com requintes de malvadez, o animal chegaria ao ponto de tapar a boca da criança com a cauda à laia de chupeta, para a manter sossegada. Nalgumas versões, as cobras  procuram crianças pequenas que tenham acabado de mamar, e entram-lhes pela garganta abaixo para irem buscar o leite, sufocando-as.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, contos de terror das aldeias, mas que as pessoas juram a pés juntos terem acontecido ao avô do tio do primo de um vizinho. Não adianta tentar argumentar acerca da impossibilidade do fenómeno. A maioria das pessoas reage de forma irracional às cobras, e mesmo os meus parentes mais próximos continuam a julgar-me louco por agarrar nas cobras, que me entram em casa, e por largá-las no campo, em vez de simplesmente lhes esborrachar a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bestiários eram levados muito a sério pelas pessoas  da época, e o facto de muitas das histórias persistirem são reveladoras. Na próxima contribuição descreverei mais algumas curiosidades destes bestiários. Sabiam, por exemplo, que para assustar um leão basta mostrar-lhe um galo, em especial se for branco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lampropeltis triangulum syspila&lt;/span&gt; cortesia  de Mike Pingleton via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Red_milk_snake.JPG" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The book of beasts&lt;/span&gt;. Editor Terence Hanbury White. New York: Putnam, 1960. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://digital.library.wisc.edu/1711.dl/HistSciTech.Bestiary" target="_blank"&gt;Páginas na Universidade de Wisconsin&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-9211605510221108762?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/9211605510221108762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=9211605510221108762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/9211605510221108762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/9211605510221108762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/as-cobras-de-leite.html' title='As cobras do leite'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6a-sgTOOwI/AAAAAAAABRA/YdCqovXSl0c/s72-c/Lampropeltis_triangulum_syspila0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-8857877229016888559</id><published>2008-01-25T17:22:00.000Z</published><updated>2008-01-31T01:26:57.084Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Protegido no dia-a-dia graças ao bom cheirinho a cobra</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6EiuwTOOuI/AAAAAAAABQw/-WdgPX7ll88/s1600/cascavel_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161444834578152162" border="0" /&gt; Este chocalho na ponta da cauda pertence a uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crotalus atrox&lt;/span&gt;, uma espécie de cascavel que não desdenharia um suculento esquilo, caso algum passasse por perto. Falei &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/o-perfume-dos-esquilos-cheira-cobra.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;, recentemente, do que poderia ser a descoberta de uma nova estratégia de defesa dos esquilos terrícolas contra as cascaveis. Essa estratégia consistia em mascar pele de cobra, e em seguida lamber o pêlo, imbuindo-o do bom cheirinho a cascavel. Os autores apoiaram essa hipótese no facto dos animais mais vulneráveis (fêmeas e esquilos juvenis) aplicarem o odor com muito maior frequência que os machos adultos. Isso é evidência indirecta e, para conseguir uma resposta mais conclusiva, era preciso observar o efeito sobre as cascaveis. Ora, a mesma equipa de autores do artigo anterior, fez exactamente isso, testou a reacção das cobras. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/protegido-no-dia-dia-graas-ao-bom.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O estudo é da autoria de Barbara Clucas, Donald Owings e Matthew Rowe e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Proceedings of the Royal Society B&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os esquilos terrícolas (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Spermophilus&lt;/span&gt; spp.) evoluiram uma bateria de defesas contra as cascaveis (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crotalus&lt;/span&gt; spp.), que os têm predado ao longo de milhões de anos. Mostrou-se recentemente que as reacções comportamentais características destas esquilos às cascavéis incluem a aplicação do odor da cascavel — os esquilos aplicam o cheiro lambendo vigorosamente o pêlo após mastigarem mudas de pele de cascavel. Apresentamos aqui evidência de que este comportamento é uma defesa antipredador  inovadora fundada na exploração de um odor estranho. Testámos três hipótese funcionais para a aplicação do cheiro a cobra — anti-predação, afastamento de congéneres, e defesa contra parasitas externos — ...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Até aqui tudo parece igual ao artigo anterior, mas desta vez o objecto do estudo incluia as cobras e pulgas:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;... examinando as reacções das cascaveis ao odor de cascavel, esquilos terrícolas e parasitas externos (pulgas). As cascaveis eram mais atraídas para o odor a esquilo terrícola que ao odor a esquilo misturado com o cheiro a cascavel ou apenas ao odor a cascavel. Contudo, o comportamento dos esquilos terrícolas, e a escolha de hospedeiros pelas pulgas, não foram afectados pelo cheiro a cascavel. Logo, os esquilos terrícolas podem reduzir o risco de predação pelas cascaveis aplicando o odor nos seus corpos, potencialmente como uma forma de camuflagem olfactiva. A exploração oportunista de odores heterospecíficos pode ser um fenómeno alargado; muitas espécies aplicam odores estranhos, mas apenas nuns poucos casos se demonstrou servirem na defesa contra predadores.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Camuflagem olfactiva, o que os animais fazem para evitar serem comidos. Dois artigos tão próximos, parece-me que os autores já sabiam a resposta à especulação que propunham no outro artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6EFRwTOOtI/AAAAAAAABQo/xJnOPk0rJao/s1600/cascavel0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161412450524740306" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crotalus atrox&lt;/span&gt; cortesia de Gary Stolz para o U.S. Fish and Wildlife Service, a partir da &lt;a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Crotalus_atrox_USFWS.jpg" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Barbara Clucas, Donald H. Owings and Matthew P. Rowe. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Donning your enemy's cloak: ground squirrels exploit rattlesnake scent to reduce predation.&lt;/span&gt; Proceedings of the Royal Society B. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1098/rspb.2007.1421" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DOI    10.1098/rspb.2007.1421&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-8857877229016888559?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/8857877229016888559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=8857877229016888559&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8857877229016888559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8857877229016888559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/protegido-no-dia-dia-graas-ao-bom.html' title='Protegido no dia-a-dia graças ao bom cheirinho a cobra'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R6EiuwTOOuI/AAAAAAAABQw/-WdgPX7ll88/s72-c/cascavel_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-9078728484426971738</id><published>2008-01-23T21:32:00.000Z</published><updated>2008-02-12T19:09:27.617Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Plástico não, obrigado</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R51MwATOOqI/AAAAAAAABQQ/a9XrLARwwSI/s1600/plastico0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160365135634512546" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R51MqgTOOpI/AAAAAAAABQI/x8umPllK7Y8/s1600/plastico_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160365041145232018" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Uma das presenças mais marcantes da sociedade de consumo moderna, pelo menos dos últimos 50 anos, é um produto criado expressamente para derrotar os processos de reciclagem naturais. O plástico, com a sua capacidade de proteger  do ar e da água, é uma presença omnipresente na vida do dia-a-dia, e de certa forma pode dizer-se que as sociedades modernas são viciadas no plástico. Na maioria das vezes que compramos algo numa loja, trazemos um produto que contém, ou está contido em, plástico. Uma vez terminado o seu uso como saco, embrulho, ou embalagem, o plástico tem como destino o lixo, que muitas vezes encontra o caminho do mar. A maior parte do lixo enviado para os oceanos é decomposto pelos microorganismos marinhos, num período de tempo relativamente curto, em dióxido de carbono e água, mas nem mesmo a mais voraz das bactérias é capaz de se alimentar de plástico. A maioria dos plásticos em uso não são biodegradáveis, é a luz do Sol que os quebra em bocados cada vez menores, todos eles polímeros plásticos, até que eventualmente se obtêm moléculas de plástico individuais. Mas mesmo essas moléculas são demasiado resistentes para a maioria dos organismos digerirem, e permanecem nos oceanos do planeta durante muito tempo, provavelmente 500 anos ou mais. Esta fotografia de Cynthia Vanderlip, mostrando um albatroz morto, com plástico a jorrar das suas entranhas, é emblemática do problema, que atinge neste momento uma escala gigantesca. A superfície dos oceanos tornou-se num verdadeiro mar de plástico. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/plstico-no-obrigado.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Os números do problema são dados num artigo de Charles Moore e colegas na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Marine Pollution Bulletin&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Foi aferido o potencial para a ingestão de partículas plásticas pelas criaturas que se alimentam por filtragem em mar aberto através da medição da massa e da abundância relativa de plástico flutuante e zooplâncton nas águas superficiais sob as células de alta pressão atmosférica do Oceano Pacífico Norte. Foram recolhidas amostras em suspensão em 11 locais escolhidos de forma aleatória, usando uma rede de arrasto com malha 333 u. A abundância e massa do plástico em suspensão foi mais elevada que noutro lugar qualquer do Oceano pacífico com 334 271 peças por km² e 5114 g por km², respectivamente. A abundância de plâncton era aproximadamente cinco vezes mais elevada que a do plástico, mas &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;a massa do plástico era aproximadamente seis vezes superior à do plâncton&lt;/span&gt;. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Estes resultados foram obtidos numa região conhecida como o Giro do Pacífico Norte. Os giros são gigantescas extensões de oceano onde as correntes formam espirais, um pouco como um ralo onde a água roda lentamente, e onde materiais que lá vão parar podem permanecer durante muito tempo. Os giros subtropicais, como o que foi estudado neste trabalho, correspondem a cerca de 40% da superfície dos oceanos, ou seja mais de um quarto da superfície do planeta é neste momento dominada pelo plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes giros subtropicais são regiões de calmaria e as águas são relativamente pobres em nutrientes, logo têm pouco peixe. Alguns dos animais que dominam esta espécie de desertos oceânicos são as salpas, os vorazes aspiradores de plâncton de que &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2006/07/criatura-de-tera-feira-os-vorazes.html" target="_blank"&gt;falei aqui&lt;/a&gt;. Mas as salpas são criaturas gelatinosas, que não têm importância económica para os seres humanos. Não admira por isso que a dimensão do problema do plástico fosse ignorada durante muito tempo. Tudo mudou há cerca de 10 anos atrás, quando Charles Moore e a equipagem do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alguita&lt;/span&gt;, um navio de pesquisa, resolveram passar por um desses locais, depois de uma meritória participação numa regata, em que ficaram em terceiro lugar. O que viram deixou-os estupefactos. Num local que supunham imaculado, em qualquer direcção que olhassem, viam fragmentos de plástico. Durante a semana que levaram a atravessar o giro não encontraram um único local que pudessem considerar limpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema entretanto agravou-se. Uma nova viagem de Charles Moore, em 2007, estimou um aumento, por um factor de 5, na quantidade de plástico no Giro Subtropical do Pacífico Norte, em relação ao que tinha sido encontrado dez anos antes. Isto é particularmente grave, pois estudos recentes mostram que os plásticos funcionam como esponjas das toxinas que se encontram na água, podendo atingir concentrações de químicos tóxicos um milhão de vezes acima das que se encontram na água circundante. Ora um mecanismo de concentração de toxinas deste tipo, num ambiente dominado pelos aspiradores mais eficientes da natureza (as salpas), acarreta riscos enormes e que precisam de ser estudados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou a falar deste tema porque, a 20 de Janeiro de 2008, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alguita&lt;/span&gt; partiu numa nova missão, e &lt;a href="http://orvalguita.blogspot.com/" target="_blank"&gt;tem um blogue&lt;/a&gt;. Eis uma foto do barco, retirada das páginas do blogue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R51M1wTOOrI/AAAAAAAABQY/FHhSDUAfVAo/s1600/IntoHilo2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160365234418760370" border="0" /&gt;É relativamente pequeno, uma verdadeira casquinha de noz. Trata-se de um projecto de divulgação interessante, existe mesmo uma &lt;a href="http://ship2shore.blogspot.com/" target="_blank"&gt;outra versão do blogue,&lt;/a&gt; vocacionada para que professores de liceu possam envolver as suas turmas na viagem do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alguita&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) C. J. Moore, S. L. Moore, M. K. Leecaster and S. B. Weisberg (2001). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Comparison of Plastic and Plankton in the North Pacific Central Gyre&lt;/span&gt;. Marine Pollution Bulletin, Volume 42, Issue 12, Pages 1297-1300. &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-9078728484426971738?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/9078728484426971738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=9078728484426971738&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/9078728484426971738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/9078728484426971738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/plstico-no-obrigado.html' title='Plástico não, obrigado'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R51MwATOOqI/AAAAAAAABQQ/a9XrLARwwSI/s72-c/plastico0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-4525463553571529801</id><published>2008-01-22T23:19:00.000Z</published><updated>2008-01-23T01:12:27.852Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Extras'/><title type='text'>Não, não sou o único...</title><content type='html'>&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R5Z8fPMhdlI/AAAAAAAABQA/vMADqdNmxJ0/s1600/killerklowns3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158447299296327250" border="0" /&gt;... a não gostar de palhaços. Quando era miúdo e via aqueles adultos vestidos de forma esquisita, e com a cara pintada de forma sinistra, sentia-me sempre pouco à vontade. Não se tratava de uma fobia, nunca me senti assustado. As vozes esquisitas e as supostas piadas davam-me vontade de esconder, mas não de medo. Simplesmente não lhes achava piada, e apossava-se de mim aquela sensação de vergonha, que por vezes sentimos quando alguém faz figura de parvo à nossa frente. Mas sempre pensei que existiria algo de estranho comigo, afinal toda a gente sabe que "as crianças adoram palhaços". Ou será que não? &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/no-no-sou-o-nico.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Uma revista dedicada a cuidados de enfermagem, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nursing Standard Magazine&lt;/span&gt;, publicou resultados de um estudo efectuado no hospital de Sheffield. Ao planear a decoração da ala das crianças, um conjunto de investigadores resolveu fazer o óbvio: perguntar às crianças antes de preencher o espaço com imagens de palhaços. A resposta dos 250 petizes entrevistados, dos 4 aos 16 anos, não deixa espaço para dúvidas. Eis uma das frases dos autores do estudo, extraída &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/7189401.stm" target="_blank"&gt;deste comunicado de imprensa&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Descobrimos que os palhaços são universalmente detestados pelas crianças. Algumas consideram-nos assustadores e inescrutáveis.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A extensão do fenómeno não deixou de me surpreender: nem uma das 250 crianças afirmou gostar de palhaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem do filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Killer Klowns from Outer Space&lt;/span&gt; obtida a partir de &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.badmovies.org/movies/killerklowns/" target="_blank"&gt;www.badmovies.org/movies/killerklowns/&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-4525463553571529801?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/4525463553571529801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=4525463553571529801&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/4525463553571529801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/4525463553571529801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/no-no-sou-o-nico.html' title='Não, não sou o único...'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R5Z8fPMhdlI/AAAAAAAABQA/vMADqdNmxJ0/s72-c/killerklowns3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-1489486714730142620</id><published>2008-01-21T17:17:00.000Z</published><updated>2008-01-21T00:23:43.811Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O perfume dos esquilos cheira a cobra</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4-OQPMhdgI/AAAAAAAABPY/dQ6P52D72Go/s1600/Spermophilus_variegatus0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156496507970614786" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4-N-vMhddI/AAAAAAAABPA/PPnXxm7HK7g/s1600/Spermophilus_variegatus_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156496207322904018" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Nas últimas contribuições falei de estratégias de alguns animais para atrairem as presas e asssim conseguirem uma refeição fácil. Existe no entanto o reverso da medalha, estratégias adoptadas pelos animais para evitarem ser comida de outros. O esquilo da imagem, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Spermophilus variegatus&lt;/span&gt;, está muito provavelmente a fazer exactamente isso. Este esquilo está a mastigar nada mais nada menos que a pele de um dos  seus predadores habituais. Aquela coisa nas patas e boca do esquilo é um bocado de pele de cascavel. Ora aqueles dentes atarefados a cortar e mastigar não procuram alimento, mas sim perfume: depois de uma boa mastigadela o esquilo lambe o seu pêlo, untando o corpo com um saudável cheirinho a cobra. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/o-perfume-dos-esquilos-cheira-cobra.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4-OU_MhdhI/AAAAAAAABPg/boj9EEpvrH0/s1600/Spermophilus_variegatus1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156496589574993426" border="0" /&gt;Barbara Clucas e colegas resolveram investigar quais as razões deste comportamento, tendo publicado os resultados na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Animal Behaviour&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Por vezes encontram-se substâncias químicas, produzidas por uma espécie, no corpo de outra espécie. Muitas vezes os animais ingerem tais substâncias estranhas e armazenam-nas no seu integumento, mas relatamos aqui um caso de aplicação directa de substâncias heterospecíficas no corpo. Os esquilos terrícolas da Califórnia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Spermophilus beecheyi&lt;/span&gt;, e os esquilos das rochas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Spermophilus variegatus&lt;/span&gt;, aplicam directamente odores obtidos do seu mais importante predador, as cascaveis, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crotalus&lt;/span&gt; spp., mastigando as peles das mudas das cascaveis e lambendo o seu pêlo. Verificámos que a sequência de áreas lambidas durante a aplicação era essencialmente a mesma para as duas espécies.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui uma imagem de um animal da outra espécie de esquilos estudada pelos autores do artigo a mastigar uma pele de cobra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4-OEvMhdeI/AAAAAAAABPI/4W7zXUJX840/s1600/Spermophilus_beecheyi0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156496310402119138" border="0" /&gt;e logo a seguir a espalhar o odor pelo seu corpo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4-OLPMhdfI/AAAAAAAABPQ/Pm5G9FtFZ7s/s1600/Spermophilus_beecheyi1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156496422071268850" border="0" /&gt;Qual é então a explicação mais provável para o comportamento?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Consideramos três hipóteses respeitantes à função desta "aplicação de cheiro de cobra": defesa antipredador, defesa contra parasitas externos, e afastar congéneres. Para testar estas hipóteses avaliámos padrões nas diferenças na quantidade aplicada entre classes de sexo e idade e comparámo-los com padrões reflectindo diferenças na importância da predação, carga de pulgas e agressão por congéneres, como fontes de selecção.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O evitar dos predadores  pode não parecer óbvio, mas  as cobras poderão optar por não percorrer terrenos de caça onde já teria andado uma outra cobra. Na verdade parece ser essa a explicação:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Não encontrámos diferenças entre espécies na quantidade aplicada; contudo os juvenis e as fêmeas adultas de ambas as espécies empenhavam-se em períodos de aplicação mais longos do que os machos adultos. Este padrão de diferenças, nas classes de sexo e idade na aplicação do odor a cobra, apoia apenas a hipótese anti-predadores, pois os juvenis são mais vulneráveis à predação, e as fêmeas adultas protegem activamente os seus jovens. Não encontrámos evidência para apoiar as hipóteses, quer da defesa contra os parasitas, quer do afastar dos congéneres. Logo, o comportamento da aplicação do odor a cobra pode ser uma nova forma de defesa química contra predadores. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Deve notar-se que os autores são algo cautelosos. Primeiro é preciso testar se existe de facto o efeito sobre os predadores. Além disso existem contextos sociais onde isto não foi testado: pode tratar-se de uma forma das mães afastarem das suas tocas fêmeas da mesma espécie com impulsos infanticidas (sim, as mães esquilos matam os pequenos umas das outras). Para já defesa contra cobras parece a explicação mais provável, e como comportamento é fascinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Barbara Clucas, Matthew P. Rowe, Donald H. Owings, and Patricia C. Arrowood (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Snake scent application in ground squirrels, Spermophilus spp.: a novel form of antipredator behaviour&lt;/span&gt;. Animal Behaviour, Volume 75, Issue 1, Pages 299-307. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.anbehav.2007.05.024" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;doi:10.1016/j.anbehav.2007.05.024&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-1489486714730142620?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/1489486714730142620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=1489486714730142620&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1489486714730142620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1489486714730142620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/o-perfume-dos-esquilos-cheira-cobra.html' title='O perfume dos esquilos cheira a cobra'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4-OQPMhdgI/AAAAAAAABPY/dQ6P52D72Go/s72-c/Spermophilus_variegatus0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3010546697914497232</id><published>2008-01-19T21:16:00.000Z</published><updated>2008-01-19T21:29:01.411Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Extras'/><title type='text'>Grandes títulos</title><content type='html'>O texto sobre as formigas de rabinho vermelho vai ter que esperar. Os comunicados de imprensa abundam mas o artigo científico ainda não está disponível. No volume de Dezembro havia contudo um artigo de pesquisa com um título sugestivo&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Quando cuidar de, abandonar, ou comer a vossa descendência: a evolução dos cuidados parentais e do canibalismo filial.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Hope Klug e Michael B. Bonsall. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;When to Care for, Abandon, or Eat Your Offspring: The Evolution of Parental Care and Filial Cannibalism.&lt;/span&gt; Am Nat 2007. Vol. 170, pp. 886–901. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1086/522936" target="_blank"&gt;DOI: 10.1086/522936&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3010546697914497232?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3010546697914497232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3010546697914497232&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3010546697914497232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3010546697914497232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/grandes-ttulos.html' title='Grandes títulos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2876399989261895014</id><published>2008-01-18T06:43:00.000Z</published><updated>2008-01-18T17:10:47.840Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Uma cauda para apanhar pássaros</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R5Bq9fMhdjI/AAAAAAAABPw/2WvIXzHUWaM/s1600/Pseudocerastes_urarachnoides0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156739177917806130" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R5Bq2PMhdiI/AAAAAAAABPo/-1kKWsjA1Fw/s1600/Pseudocerastes_urarachnoides_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156739053363754530" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Em 2006 foi descrita uma nova espécie de cobra, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pseudocerastes urarachnoides&lt;/span&gt;,  um animal fabuloso, e que estranhamente passou quase despercebido nos comunicados de imprensa. Eu ignorava completamente tão interessante criatura até que  o Carel resolveu falar nisso na sua &lt;a href="http://rigorvitae.blogspot.com/2008/01/serpents-tail.html" target="_blank"&gt;última contribuição no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rigor Vitae&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Ora o que há de tão interessante neste animal? Notem que o nome &lt;span style="font-style: italic;"&gt; urarachnoides&lt;/span&gt; vem do grego: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ura&lt;/span&gt; quer dizer cauda, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arachno&lt;/span&gt; é aranha, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ides&lt;/span&gt; quer dizer semelhante. Ou seja, esta é uma  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pseudocerastes &lt;/span&gt;com a cauda semelhante a uma aranha. Para compreender bem a coisa é preciso recuar quarenta anos. A "Segunda Expedição de Rua ao Irão", em 1968, embora se destinasse à colecta de mamíferos, recolheu contudo alguns répteis e anfíbios. Essas criaturas foram depositadas no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Field Museum of Natural History&lt;/span&gt;, onde um senhor chamado Steven Anderson notou uma excrescência semelhante a solifugídeo, um tipo de aracnídeo, na ponta da cauda de uma cobra atribuída inicialmente à espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pseudocerastes persicus&lt;/span&gt;. Na altura, existindo apenas um exemplar, não se podia afirmar com certeza se aquela excrescência teria uma base genética, se seria devida a um tumor, ou causada por um parasita. A  cobra permaneceu assim, guardada mas não esquecida, até que em 2003 uma cobra em tudo semelhante foi capturada. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/uma-cauda-para-apanhar-pssaros.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Os animais de 1968 e de 2003 são descritos num artigo de Hamid Bostanchi e colegas, incluindo o tal senhor chamado Steven Anderson, na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Proceedings of the California Academy of Sciences&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Descreve-se uma nova espécie de víbora, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pseudocerastes urarachnoides&lt;/span&gt;, dos Montes Zagros no oeste do Irão. A nova espécie tem uma cauda curta, poucos pares de subcaudais (15 nos exemplares conhecidos), com os pares distais formando uma protuberância oval; as escamas dorsais da cauda projectam.se para formar apêndices alongados ao longo dos lados da protuberância terminal.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui a fabulosa ornamentação da cauda deste animal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R5BrF_MhdkI/AAAAAAAABP4/L3RPtPa1nXA/s1600/Pseudocerastes_urarachnoides2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156739323946694210" border="0" /&gt; Paracem mesmo patas de artrópode.  Radiografias dos exemplares não mostraram evidências de danos nas vértebras dessa zona do corpo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4-M0vMhdcI/AAAAAAAABO4/KXCVljAepRE/s1600/Pseudocerastes_urarachnoides1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156494936012584386" border="0" /&gt;Tudo indica que estas "patas" na ponta da cauda são normais nestas criaturas. Ora para que servirá tal ornamentação? Os autores sugerem que será utilizada nos hábitos predatórios do animal:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Especulamos que o apêndice caudal pode servir como engodo para captura de presas num predador de emboscada.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os autores notam que um dos animais possui vestígios de um pássaro no estômago (são visíveis as patas), e é provável que a estrutura se destine a atrair esse tipo de presas. Isto é algo que tem que ser verificado, pois o animal não foi observado na natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Hamid Bostanchi, Steven C. Anderson, Haji Gholi Kami, and Theodore J. Papenfuss (2006). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A New Species of Pseudocerastes with Elaborate Tail Ornamentation from Western Iran (Squamata: Viperidae)&lt;/span&gt;. Proceedings of the California Academy of Sciences, Fourth Series Volume 57, No. 14, pp. 443–450. &lt;a href="http://research.calacademy.org/research/scipubs/pdfs/v57/proccas_v57_n14.pdf" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PDF&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2876399989261895014?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2876399989261895014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2876399989261895014&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2876399989261895014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2876399989261895014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/uma-cauda-para-apanhar-pssaros.html' title='Uma cauda para apanhar pássaros'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R5Bq9fMhdjI/AAAAAAAABPw/2WvIXzHUWaM/s72-c/Pseudocerastes_urarachnoides0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-8990430912556225983</id><published>2008-01-17T11:45:00.001Z</published><updated>2008-01-17T12:59:57.511Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>As fabulosas formigas planadoras</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R49MKPMhdWI/AAAAAAAABOI/CCnDXtk8CxE/s1600/Cephalotes_atratus_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156423837123966306" border="0" /&gt;Um cientista, de seu nome Stephen Yanoviak, encontrava-se no ano de 2004 empoleirado a 30 metros de altura nas selvas do Equador, à espera que mosquitos se alimentassem do seu próprio sangue, quando se desembaraçou de algumas formigas que estavam a mordê-lo, empurrando-as das alturas. Uma queda dessas no perigoso chão da floresta, ou dentro de água, levaria em princípio à morte dos infelizes insectos. Só que, para espanto de Yanoviak, as formigas executaram umas fabulosas voltas de 180 graus e conseguiram poisar no tronco, subindo de volta ao local de onde tinham sido empurradas. Estava descoberto o vôo planado das formigas da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cephalotes atratus&lt;/span&gt;. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/as-fabulosas-formigas-planadoras.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;A descoberta foi descrita por Stephen Yanoviak, Robert Dudley e Michael Kaspari num artigo na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nature&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Numerosos vertebrados arborícolas não voadores usam descida controlada (quer paraquedismo quer planar no sentido restrito) para evitar predação ou localizar recursos, e pensa-se que controlar a direcção durante um salto ou queda é um estádio importante na evolução do vôo. Mostramos aqui que as obreiras da formiga neotropical &lt;i&gt;Cephalotes atratus&lt;/i&gt; L. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hymenoptera: Formicidae&lt;/span&gt;) usam descida aérea dirigida para voltarem ao seu tronco de origem com mais de 80% de sucesso durante uma queda. Quedas registadas em vídeo revelam que as obreiras da &lt;i&gt;C. atratus&lt;/i&gt; descem com o abdómen à frente com trajectórias de declive pronunciado e a velocidades relativamente elevadas; uma experiência no terreno mostra que as formigas em queda usam pistas visuais para localizarem os troncos antes de atingirem o chão da floresta. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A fabulosa técnica destas formigas pode ser apreciada &lt;a href="http://webcast.berkeley.edu:8080/ramgen/events/publicaffairs/glidingants.rm" target="_blank"&gt;neste filme&lt;/a&gt;, cortesia de Stephen Yanoviak. As formigas caem a qualquer coisa como quatro metros por segundo e muitas vezes falham a primeira aterragem, mas tentam de novo e lá conseguem agarrar-se ao tronco.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Obreiras menores da &lt;i&gt;C. atratus&lt;/i&gt;, e mais geralmente espécies menores de &lt;i&gt;Cephalotes&lt;/i&gt;, ganham de novo contacto com o seu tronco de origem em distâncias menores do que o fazem as obreiras maiores. Levantamentos de formigas arborícolas comuns sugerem que a descida dirigida ocorre na maioria das espécies da tribo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cephalotini&lt;/span&gt; e nas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pseudomyrmecinae&lt;/span&gt; arborícolas, mas não em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ponerimorfos&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dolichoderinae&lt;/span&gt; arborícolas. Este é o primeiro estudo a documentar a mecânica e a importância ecológica desta forma de locomoção na linhagem mais diversificada da Terra, os insectos. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, é comum a muitas espécies de formigas arborícolas, embora não a todas. A forma exacta como as formigas conseguem planar não é conhecida. As cabeças achatadas podem ter que ver com a coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora algum tempo depois deste artigo Stephen Yanoviak  notou  formigas, semelhantes em tudo às &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cephalotes atratus&lt;/span&gt;, excepto no facto de possuirem um abdómen vermelho e não preto, e de o manterem no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R49PmPMhdYI/AAAAAAAABOY/xd-Owsk-nEY/s1600/Cephalotes_atratus1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156427616695186818" border="0" /&gt;Não se trata de uma nova espécie, há algo bastante mais tenebroso por trás desta imagem. A história completa na próxima contribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fotos cortesia de Stephen P. Yanoviak, obtidas a partir do &lt;a href="http://www.berkeley.edu/news/media/releases/2005/02/09_ants.shtml" target="_blank"&gt;comunicado de imprensa na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;University of California, Berkeley&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Stephen. P. Yanoviak, Robert Dudley e Michael Kaspari (2005). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Directed aerial descent in canopy ants&lt;/span&gt;. Nature 433, 624-626. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1038/nature03254" target="_blank"&gt;doi:10.1038/nature03254&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-8990430912556225983?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/8990430912556225983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=8990430912556225983&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8990430912556225983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8990430912556225983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/as-fabulosas-formigas-planadoras.html' title='As fabulosas formigas planadoras'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R49MKPMhdWI/AAAAAAAABOI/CCnDXtk8CxE/s72-c/Cephalotes_atratus_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-8944466298670285485</id><published>2008-01-16T16:39:00.000Z</published><updated>2008-01-17T13:00:56.877Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Agitar os dedos para um repasto canibal</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4455PMhdTI/AAAAAAAABNw/kjjiMcf929s/s1600/Chaunus_marinus_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156122278880179506" border="0" /&gt; Esta imagem mostra o agitar muito rápido de um dedo do pé do sapo-cururu, de seu nome científico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chaunus marinus &lt;/span&gt;(conhecido anteriormente por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bufo marinus&lt;/span&gt;). Trata-se de um sapo relativamente grande, que pode chegar aos 24 centímetros de comprimento e 2800 gramas de peso. Nativo da América Central e do Sul, foi importado para outros lugares do planeta ,onde se tornou uma praga, com impacto nocivo na fauna desses locais. Isso sucede porque o cururu tem duas glândulas no dorso que segregam uma toxina poderosa, e predadores não habituados a este sapo morrem envenenados ao tentarem consumi-lo. Ora porque razão é que este animal está a agitar o dedo? Não se trata de nervosismo, mas sim de vontade de comer. O sapo está a tentar atrair comida, mas não uma comida qualquer. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/agitar-os-dedos-para-um-repasto-canibal.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui a imagem de corpo inteiro do cururu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R446RPMhdVI/AAAAAAAABOA/3Jn9v2kcUsA/s1600/Chaunus_marinus0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156122691197039954" border="0" /&gt;A presa que o cururu procura é revelada num artigo de Mattias Hagmana e Richard Shine na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Animal Behaviour&lt;/span&gt; (ref1). O estudo foi feito numa população de animais que infestam o Território Norte da Austrália. Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Muitos predadores de emboscada possuem estruturas e comportamentos cuja função plausível é atrair presas, mas essa hipótese só raramente foi sujeita a testes empíricos directos. Se o engodo evoluíu para atrair tipos de presas específicos então prevemos que só se manifestará se a presa estiver presente, e apenas por predadores com tamanho adequado a esse tipo de presa.  O engodo deve também induzir uma maior aproximação da presa; e aspectos do comportamento (por exemplo a frequência do movimento do engodo) devem ter sido afinados pela selecção para induzir uma resposta máxima da presa. Descrevemos aqui um sistema de engodo de um novo tipo: cururus de tamanho médio e pequeno (mas não metamórficos nem grandes), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chaunus marinus&lt;/span&gt;, agitam o longo dedo médio do pé dos membros traseiros para cima e para baixo numa exibição óbvia. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os animais metamórificos são sapos que já passaram a fase de girino mas ainda não atingiram a forma adulta.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Admitindo a hipótese funcional, o agitar do dedo é despoletado pelo movimento de objectos comestíveis, como grilos ou sapos metamórficos. Os sapos metamórficos são atraídos para este estímulo, e ensaios com um modelo mecânico mostram que quer a cor quer a frequência vibracional do dedo correspondem de muito perto à frequência mais eficiente para atrair congéneres menores na direcção do engodo.  &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Pois é, estes sapos são canibais e tentam atrair sapos menores da mesma espécie para poderem comê-los. Os autores dissecaram 28 sapos juvenis (com comprimentos entre 21 e 55 milímetros) e verificaram que cerca de 64% das presas consumidas por esses animais eram membros menores da mesma espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Mattias Hagmana e Richard Shine (2008). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deceptive digits: the functional significance of toe waving by cannibalistic cane toads, Chaunus marinus&lt;/span&gt;. ANIMAL BEHAVIOUR, 75, 123e131. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1016/j.anbehav.2007.04.020" target="_blank"&gt;doi:10.1016/j.anbehav.2007.04.020&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-8944466298670285485?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/8944466298670285485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=8944466298670285485&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8944466298670285485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/8944466298670285485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/agitar-os-dedos-para-um-repasto-canibal.html' title='Agitar os dedos para um repasto canibal'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4455PMhdTI/AAAAAAAABNw/kjjiMcf929s/s72-c/Chaunus_marinus_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-7923201338241118871</id><published>2008-01-12T05:06:00.000Z</published><updated>2008-01-13T06:39:13.921Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A moral dos macacos</title><content type='html'>&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3059/1738/400/icone060728aa.jpg" alt="" border="0" /&gt; A meia-dúzia de leitores habituais deste blogue sabe que passei o mês de Dezembro no Sul da Índia, em busca de chá e de macacos, os fabulosos langures negros das Nilgiris. Num outro mês de Dezembro, no remoto ano de 1964, Jules Masserman, Stanley Wechkin, e William Terris publicaram um artigo também sobre macacos. Não sobre os langures da Nilgiris, mas sobre os macacos resus, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Macaca mulatta&lt;/span&gt;, como os que se mostra na imagem ao lado. O artigo desses senhores, apenas duas páginas, deixa uma impressão profunda em quem o lê. Pelo menos esse foi o meu caso. Os autores colocaram os macacos face a um dilema: passar fome ou magoar outro macaco. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/moral-dos-macacos.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo sobre as difíceis escolhas dos macacos resus, da autoria de Jules Masserman, Stanley Wechkin, e William Terris foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;American Journal of Psychiatry&lt;/span&gt; (ref1). Em que é que consistiu a tal experiência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete fêmeas e oito macacos resus machos, capturados no estado selvagem, foram colocados numa jaula, com dois fios que caíam do tecto, ligados a interruptores. Os macacos foram então treinados a obter comida, puxando um dos fios quando acendia uma luz vermelha, e o outro quando acendia uma luz azul. O período de treino durou até os macacos conseguirem uma eficácia de 90% na tarefa. Um outro macaco,  um "animal de estímulo", como lhe chamam  os autores, foi então colocado num compartimento ao lado, separado por um semi-espelho: o macaco no compartimento com os fios e as luzes via o outro, mas o "animal de estímulo" não conseguia ver o compartimento ao lado. Ao fim de quatro dias, os investigadores fizeram então uma maldade: programaram um dos interruptores para dar um choque eléctrico ao animal de estímulo. Deve notar-se que os animais que escolhessem comer apenas quando a luz de uma dada cor fosse activada não sucumbiriam à falta de alimento, mas passariam fome. Para ficarem saciados os animais teriam que dar choques ao desgraçado na outra jaula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados foram claros, apenas 5 dos 15 animais não mostraram uma preferência estatisticamente significativa pela alavanca que dava apenas comida e não electrocutava o animal do lado. Mas desses cinco dois fizeram-no porque depois de verem o animal no outro compartimento levar um choque se recusaram a puxar qualquer um dos fios. Um deles passou fome durante cinco dias, o outro durante doze! Os animais mantiveram um padrão de resposta consistente mesmo quando os investigadores mudaram os parceiros, tendo notado que os animais que tinham sofrido eles próprios choques eléctricos optavam com maior probabilidade por respostas extremas de privação de alimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência mostrou que a maioria dos macacos resus prefere, de forma consistente, passar fome do que conseguir comida à custa de um choque eléctrico num congénere. A resposta dos animais não está relacionada de forma significativa com a idade, tamanho, sexo ou posição hierárquica do outro macaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um resultado que nos toca de tão "humano": fazer sacrifícios pelo bem dos outros, algo que entra no domínio do que definimos como moralmente correcto. Nestes pequenos macacos, capturados na natureza e colocados em jaulas, não deixa de ser algo de sublime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem dos macacos cortesia de Nikita Golovanov, obtida a partir &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Rhesus_Macaques_4528.jpg" target="_blank"&gt;desta&lt;/a&gt; página de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Jules Masserman, Stanley Wechkin, and William Terris (1964). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;`Altruistic' Behavior in Rhesus Monkeys&lt;/span&gt;. American Journal of Psychiatry vol. 121, pp. 584-585. &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-7923201338241118871?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/7923201338241118871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=7923201338241118871&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7923201338241118871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7923201338241118871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/moral-dos-macacos.html' title='A moral dos macacos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3265090511844722305</id><published>2008-01-11T00:22:00.000Z</published><updated>2008-01-11T03:40:39.603Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Os pinguins descoloridos e a falta de higiene de uma princesa espanhola</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4biG_MhdRI/AAAAAAAABNg/1K3lyZ4H_W0/s1600/adeliabeige0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154055433243161874" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4biAvMhdQI/AAAAAAAABNY/uUC-L2-GTBA/s1600/adeliabeige_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154055325868979458" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta é uma imagem de um pinguim de Adélia, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pygoscelis adeliae&lt;/span&gt;. Já falei aqui por várias vezes destes pinguins, incluindo uma famosa referência à física dos seus disparos de excrementos. Pois bem hoje vou falar destes pinguins e da relação que ele possuem com roupa interior não lavada. Confusos? Tem tudo que ver com o facto de este pinguim em particular apresentar um casaco beige em vez do tradicional negro. Trata-se de um fenómeno chamado leucismo e que é relativamente raro nos pinguins. Esta foto foi tirada na Antártida numa colónia de cerca de 4,000 adélias, e este era o único pinguim beige. Ser fora do normal não grangeia a este animal grande simpatia por parte dos seus congéneres. Segundo os membros da expedição que observaram o animal, os adélias "normais" implicavam regularmente com o pinguim beige. Alguns autores preferem chamar isabelinismo a estes casos, pois para os ingleses &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isabella&lt;/span&gt; era o nome que se dava (caíu em desuso no século XIX) a uma cor cinzento-amarelada. Há uma lenda por trás desse nome, que mete princesas e a sua roupa interior, e que eu não resisto a contar aqui. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/os-pinguins-descoloridos-e-falta-de.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Embora raro, o fenómeno do isabelinismo nos pinguins encontra-se descrito na literatura científica, e David Everitt e Colin Miskelly fazem um resumo dos conhecimentos num artigo na revista Notornis (ref1). Foi aí que encontrei a tal história. Numa tradução livre da parte relevante:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Uma origem relatada para o adjectivo 'isabelino' é na verdade algo desagradável e em desacordo com a beleza das aves. Diz-se estar relacionada com um voto feito pela arquiduquesa Isabel da Áustria em 1600 de não mudar a sua roupa interior, nem mesmo para a lavar, até que o seu marido, o Arquiduque Alberto da Áustria, conquistasse a cidade de Ostende, unindo assim as províncias do norte e do sul dos Países Baixos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;De certa forma esta princesa Isabel faz parte da história luso-brasileira. É filha de Filipe II de Espanha, que era também rei de Portugal (Filipe I) e logo governava também o Brasil nessa época. Conseguir que a tal princesa espanhola ganhasse hábitos de higiene mais saudáveis não foi fácil:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Demorou três anos até 1604 para unir as províncias com o custo de mais de 40,000 vidas espanholas. A cor &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isabella&lt;/span&gt; é supostamente uma descrição da roupa interior suja dessa dama. Contudo, esta origem é refutada no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shorter Oxford dictionary&lt;/span&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Depois de pesquisar um pouco descobri que a história é falsa porque o termo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isabella&lt;/span&gt;  para designar cor cinzento-amarelada surge num documento relativo à rainha de Inglaterra, um ano antes do voto da princesa espanhola. Embora a origem do termo não esteja ligado a esta Isabel, a falta de higiene dos membros femininos da realeza espanhola pode apesar de tudo estar ligada à designação destes lindos pinguins. Tudo se passaria um século antes, com outra Isabel. O termo existe em Francês e Alemão e está ligado a uma história semelhante, só que envolve Isabel a Católica e o cerco de Granada, pelo seu marido Fernando de Aragão, que terminou em 1492 com a conquista da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis outro exemplo de um adélia isabelino, fotografado por Leon Baradat numa viagem de turismo à Antártida, em 2003:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4biO_MhdSI/AAAAAAAABNo/BhPBX2o_9lg/s1600/adeliabeige1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154055570682115362" border="0" /&gt;Os pinguins isabelinos ão animais bonitos, quer a sua designação se deva ou não a roupa interior suja. Mas os pinguins não vêm apenas em branco e preto ou branco e beige. Há também pinguins-azuis, mas esses terão que esperar por uma próxima contribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem no início da contribuição de Brett Jarrett (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mawson's Hut Foundation&lt;/span&gt;) que pode ser encontrada no blogue &lt;a href="http://mawsonshutsexpedition2007-8.blogspot.com/2008/01/rare-penguin.html" target="_blank"&gt;Mawson's Huts 2007-8&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Imagem de pinguim isabelino entre os seus congéneres escuros da autoria de Leon Baradat via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Isabelline_Adelie.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) DAVID A. EVERITT, COLIN M. MISKELLY (2003). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A review of isabellinism in penguins&lt;/span&gt;. Notornis, Vol. 50: 43-51. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.blogger.com/www.notornis.org.nz/free_issues/Notornis_50-2003/Notornis_50_1_43.pdf" target="_blank"&gt;PDF&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3265090511844722305?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3265090511844722305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3265090511844722305&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3265090511844722305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3265090511844722305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/os-pinguins-descoloridos-e-falta-de.html' title='Os pinguins descoloridos e a falta de higiene de uma princesa espanhola'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4biG_MhdRI/AAAAAAAABNg/1K3lyZ4H_W0/s72-c/adeliabeige0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2747312426761828458</id><published>2008-01-10T03:59:00.000Z</published><updated>2008-01-10T06:22:16.043Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>As iguanas quando arrefecem caem no céu</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4W1D_MhdPI/AAAAAAAABNQ/RXIv-TmGtxw/s1600/iguana2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153724428703593714" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4W0jvMhdMI/AAAAAAAABM4/WFYFDCKqd9g/s1600/iguana_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153723874652812482" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Quando a temperatura cai abaixo dos 5 a 10 graus Celsius, iguanas, parecidas a esta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Iguana iguana,&lt;/span&gt; "desligam", não sendo capazes de se agarrar aos ramos e troncos. O resultado é uma chuva de iguanas no chão da floresta. Isso aconteceu esta semana na Florida, nos Estados Unidos da América, onde as temperaturas nocturnas chegaram aos 3 graus negativos. Estas quedas não significam necessariamente a morte dos animais: com o nascer do Sol e o aumento das temperaturas muitos animais recuperam (podem suportar de 4 a 10 horas imóveis no frio). Mas nem todos o fazem, o que até nem é mau de todo. É que as iguanas ("os iguanas" para os leitores brasileiros) da Florida são uma peste, animais não nativos importados do México. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/as-iguanas-quando-arrefecem-caem-no-cu.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Imagens de um dos intervenientes nesta verdadeira chuva de iguanas podem ser vistas &lt;a href="http://www.miamiherald.com/416/story/365463.html" target="_blank"&gt;nestas páginas do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Miami Herald&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Ora quão sério é o problema com estas criaturas na Florida e como surgiu? Tudo pode ter começado com animais como este, um juvenil, que possui um tamanho adequado para animal de estimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4W0-PMhdOI/AAAAAAAABNI/bJi0hO1rh3M/s1600/iguana1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153724329919345890" border="0" /&gt;Só que os pequenitos crescem até mais de dois metros de comprimento da cabeça até à ponta da cauda, e muitos donos desistem delas, libertando-as na natureza, onde procriam de uma forma capaz de fazer inveja aos coelhos. Com a ausência de predadores o resultado é uma praga de iguanas, que devastam as plantas e incomodam os seres humanos de muitas e variadas maneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O instituto da Ciências Alimentares e Agrícolas da Florida publica mesmo circulares sobre como lidar com o problema. Numa tradução livre de um desses textos, da autoria de W. H. Kern (ref1), na parte relativa aos estragos provocados pelos animais:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Danos causados pelas iguanas incluem consumirem plantas com valor ambiental, arbustos e árvores, comerem orquídeas e muitas outras flores, comerem frutos como bagas, figos, mangas, tomates, bananas, líchias, etc. As iguanas não consomem citrinos. As tocas que elas escavam minam os passeios, diques e fundações. Tocas de iguanas próximas de diques permitem a erosão e eventual colapso desses diques. Os excrementos das iguanas cobrem as áreas onde elas tomam banhos de sol. Isso é desagradável à vista, causa queixas relativamente a odores, e é uma fonte possível de bactérias &lt;span style="font-style: italic;"&gt;salmonella&lt;/span&gt;, uma causa comum de intoxicação alimentar. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de animais inofensivos:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;As iguanas adultas são animais grandes e poderosos que podem morder, capazes de arradelas graves com as suas garras extremamente afiadas, e capazes de dolorosas pancadas com as suas poderosas caudas. As iguanas normalmente evitam as pessoas mas defender-se-ão contra animais de estimação e pessoas que tentem apanhá-los ou encurralá-los&lt;/blockquote&gt;.&lt;br /&gt;Acho que é de facto uma boa ideia evitar estes dentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4W03vMhdNI/AAAAAAAABNA/neWiYCcHcQs/s1600/iguana0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153724218250196178" border="0" /&gt;O autor discute várias formas de captura destes animais: com armadilhas, laços, e mesmo tiros ou flechas (se bem que a Florida tenha leis anticrueldade que se estendem aos reptéis). Uma vez capturadas as iguanas não podem ser libertadas, têm que ser mantidas em cativeiro, vendidas como animais de estimação, destruídas ou então consumidas! Sim, porque pelos vistos possuem uma carne tenra e suculenta.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A carne de iguanas adultas e os seus ovos são comidos e considerados uma iguaria ao longo dos seus locais de origem, especialmente durante a semana da Páscoa. Em 2004, o preço de carne de iguana era de 31 dólares dos EUA por quilo, na Marilândia. Adultos grandes, demasiado perigosos para serem mantidos como animais de estimação, podem ter valor como carne nos mercados de cariz étnico que se destinam a emigrantes da América do Sul e Central. Contudo, é melhor fazer um acordo com o gerente do mercado antes de aparecer com um saco de iguanas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Um pitéu algo caro. Já vi iguanas pequenitas à venda por estes lados, nas lojas de animais, e sem dúvida algumas terão fugido ou sido libertadas quando se tornaram demasiado grandes. Com geadas frequentes, mesmo no sul do país, é pouco provável que cheguem a formar colónias. Mesmo assim, pelo sim pelo não, talvez seja boa ideia arranjar algumas receitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagens cortesia da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;University of Florida, Institute of Food and Agricultural Sciences (UF/IFAS) for the people of the State of Florida&lt;/span&gt;. Podem ser obtidas na referência abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) W. H. Kern, Jr (2004). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dealing with Iguanas in the South Florida Landscape&lt;/span&gt;. Fact Sheet ENY-714, a series of the Entomology and Nematology Department, Florida Cooperative Extension Service, Institute of Food and Agricultural Sciences, University of Florida. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://edis.ifas.ufl.edu/in528" target="_blank"&gt;http://edis.ifas.ufl.edu/in528&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2747312426761828458?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2747312426761828458/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2747312426761828458&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2747312426761828458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2747312426761828458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/as-iguanas-quando-arrefecem-caem-no-cu.html' title='As iguanas quando arrefecem caem no céu'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R4W1D_MhdPI/AAAAAAAABNQ/RXIv-TmGtxw/s72-c/iguana2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-139205352091018437</id><published>2008-01-08T05:00:00.000Z</published><updated>2008-01-08T05:11:40.581Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Um fóssil vivo avinagrado</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R1SK3ZJKoJI/AAAAAAAABMY/oqIXjy5-v2c/s1600/cachorro-vinagre.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139885758983348370" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R1SKuJJKoII/AAAAAAAABMQ/pwiY0jcUluU/s1600/cachorro-vinagre_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139885600069558402" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Volta e meia surge na imprensa um relato sobre a descoberta de um qualquer famigerado "fóssil-vivo", com a referência obrigatória ao celecanto. O termo é muitas vezes enganador, em geral o "fóssil vivo" e os "fósseis extintos" são apesar de tudo bastante diferentes. Há no entanto casos de espécies que foram descritas na literatura científica a partir de esqueletos encontrados em depósitos fósseis, e que se julgavam extintas, mas que afinal até existiam na natureza. É o caso do dono do crânio que se pode ver nesta figura, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Speothos venaticus&lt;/span&gt;, que foi descrito em 1842, por um senhor chamado Lund, a partir de fósseis encontrados nas caves de Lagoa Santa, em Minas Gerais, no Brasil. Verificou-se depois que se tratava de um animal que se podia encontrar em grande parte do território brasileiro. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/12/um-fssil-vivo-avinagrado.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Como a dentição deixa antever trata-se do crânio de um carnívoro, mais exactamente de um canídeo, cujas afinidades com os restantes canídeos são ainda um pouco obscuras. Há por exemplo diferenças na dentição em relação ao lobo cinzento, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Canis lupus&lt;/span&gt;, cujo crânio se mostra na imagem abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R1SLLZJKoLI/AAAAAAAABMo/_U_WiULk-KY/s1600/lobo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139886102580732082" border="0" /&gt;Notem bem o número de molares no maxilar, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Speothos venaticus&lt;/span&gt; possui penas um em cada maxila, o lobo possui dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que estamos a falar de canídeos, de crânios e de dentes não resisto a mostrar mais uma imagem, que parece saída de um pesadelo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R1SK_pJKoKI/AAAAAAAABMg/3W9GoZtaaS0/s1600/Chihuahua.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139885900717269154" border="0" /&gt;Que horrível criatura possui um tal crânio? Trata-se de um cachorro doméstico, da minúscula variante conhecida como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chihuahua&lt;/span&gt;. A origem do cachorro doméstico tem sido tema de muita confusão e mesmo de alguma controvérsia, mas a maioria dos autores modernos  favorecem a hipótese de que se trata de uma versão domesticada do lobo cinzento. Os cachorros domésticos são a espécie de mamíferos com maior variabilidade morfológica que se conhece, embora tendam a seguir alguns padrões, em particular relacionados com o tamanho. Quando "encolhem" em tamanho tendem a apresentar crânios progressivamente mais arredondados, tal como se observa facilmente neste &lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chihuahua&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;. Os cães domésticos apresentam em geral dentes também menores que as espécies de canídeos silvestres, uma característica que permite distinguir os cães dos restos fósseis de lobos em contextos arqueológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como referi o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Speothos venaticus &lt;/span&gt;existe na maior parte do território brasileiro, e noutros países centro- e sul-americanos, tais como o Panamá, a Venezuela, a Bolívia, o Peru, o Equador, o Paraguai e a Argentina. Apesar da vasta distribuição geográfica, esta criatura, conhecida no Brasil como cachorro do mato vinagre, é muito rara, e muito difícil de observar na natureza. Que o diga Beatriz de Mello Beisiegel, que resolveu obter o seu grau de doutor com uma dissertação sobre a história natural desta criatura. Mas isso ficará para a próxima contribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dr. Pamela Owen, 2001, "Speothos venaticus" (On-line), Digital Morphology. Acedido a 21 de Novembro de 2007 no endereço &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://digimorph.org/specimens/Speothos_venaticus/" target="_blank"&gt;http://digimorph.org/specimens/Speothos_venaticus/&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Dr. Pamela Owen, 2001, "Canis lupus" (On-line), Digital Morphology. Acedido a 21 de Novembro de 2007 no endereço &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://digimorph.org/specimens/Canis_lupus_lycaon/" target="_blank"&gt;http://digimorph.org/specimens/Canis_lupus_lycaon/&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Ms. Jennifer Olori, 2005, "Canis familiaris" (On-line), Digital Morphology.. Acedido em 21 de Novembro de 2007 no endereço &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://digimorph.org/specimens/Canis_familiaris" target="_blank"&gt;http://digimorph.org/specimens/Canis_familiaris&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-139205352091018437?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/139205352091018437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=139205352091018437&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/139205352091018437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/139205352091018437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/12/um-fssil-vivo-avinagrado.html' title='Um fóssil vivo avinagrado'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R1SK3ZJKoJI/AAAAAAAABMY/oqIXjy5-v2c/s72-c/cachorro-vinagre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-1189302193728716067</id><published>2007-12-21T18:11:00.000Z</published><updated>2008-01-08T05:13:47.356Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagens'/><title type='text'>Sucesso</title><content type='html'>&lt;img style="padding: 0pt; border: none; margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R2wCW_MhdLI/AAAAAAAABMw/d9KpHe7bTLM/s1600/sucesso.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146491068121969842" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para breve, o regresso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-1189302193728716067?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/1189302193728716067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=1189302193728716067&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1189302193728716067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1189302193728716067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/12/sucesso.html' title='Sucesso'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R2wCW_MhdLI/AAAAAAAABMw/d9KpHe7bTLM/s72-c/sucesso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-1936319695235133026</id><published>2007-11-19T06:56:00.000Z</published><updated>2007-11-19T07:05:33.257Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Extras'/><title type='text'>Hiato</title><content type='html'>Estou mais uma vez lá fora em viagem, e daqui até final do ano só devo passar cerca de uma semana em Portugal. Entre hotéis e pensões, entre a Alemanha e a Índia, vai ser um pouco difícil actualizar o blogue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-1936319695235133026?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/1936319695235133026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=1936319695235133026&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1936319695235133026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1936319695235133026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/hiato.html' title='Hiato'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-1731593460006539335</id><published>2007-11-18T02:11:00.000Z</published><updated>2007-11-19T04:30:10.378Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>As libelinhas emissoras de rádio</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R0EMiUj_XlI/AAAAAAAABL4/o45ztRN8eaI/s1600/Wikelski2006_0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134398833953824338" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R0ELvEj_XkI/AAAAAAAABLw/u0ovUm4QtL4/s1600/Wikelski2006_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134397953485528642" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; O estudo sobre as &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/o-mundo-visto-por-entre-as-pernas-dos.html" target="_blank"&gt;câmaras dos corvos&lt;/a&gt; da Nova Caledónia recordou-me outro avanço na monitorização de pequenas criaturas voadoras. Colocar câmaras de 14 gramas numa ave com um peso de umas quantas centenas de gramas pode parecer notável. Mas e quando o objecto de estudo pesa apenas cerca de um grama? Bem, nesse caso precisamos apenas de um cientista, de um tubo de cola e do último grito em miniaturização electrónica. A libélula da imagem, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Anax junius&lt;/span&gt;,  carrega um emissor com cerca de 300 miligramas com autonomia para cerca de 12 dias. Não fornece imagens mas emite um sinal que permite localizar o animal. O peso do dispositivo electrónico é cerca de um terço do peso do insecto, mas as libelinhas são criaturas fortes. São capazes de carregar presas muito mais pesadas que este emissor e, durante o acasalamento, os machos transportam as fêmeas sem grandes problemas. As libelinhas carregaram estes emissores rádio como parte de um estudo sobre os seus hábitos migratórios. Pois é, tal como muitas aves, algumas libélulas emigram para climas mais soalheiros quando se aproximam os períodos de frio.&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/as-libelinhas-emissoras-de-rdio.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O comportamento migratório das libélulas de Nova Jérsia (EUA) é descrito num artigo de Martin Wikelski e colegas na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Biology Letters&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Todos os anos milhares de milhões de borboleta, libelinhas, mariposas e outros insectos migram através dos continentes, e tem sido feito um progresso considerável na compreensão de fenómenos migratórios ao nível da população. Contudo, sabe-se pouco quanto aos destinos e às estratégias individuais dos insectos. Colocámos emissores rádio miniaturizados (cerca de 300 miligramas) no tórax de 14 libélulas (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Anax junius&lt;/span&gt;) e seguimo-las durante a sua migração outonal durante doze dias, usando eviões &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cessna&lt;/span&gt; equipados como receptores, e equipas de terra. As libélulas mostraram dias de migração e de paragem distintos. Em média, migraram a cada 2.9±0.3 dias, e o seu avanço médio total foi de 58±11km em 6.1±0.9 dias (11.9±2.8 km por dia) numa direcção geralmente de sudoeste (186±52°).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Deve notar-se que este progresso de cerca de 12 km dia não é nada de notável para animais que conseguem voar a 5 metros por segundo. Os autores fornecem no texto alguns valores interessantes: uma libélula possui reservas de gordura em torno de 300 miligramas, que lhe permitiriam voar cerca de 8.3 horas, o que daria cerca de 150 km. As libélulas optam contudo por não gastarem demasiado, voam durante períodos curtos e mantêm sempre alguma gordura no corpo. Mesmo assim, um avanço desta ordem significa que estes animais fazem cerca de 700 km durante os dois meses que dura a estação migratória nestas libélulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais notável é que o padrão destas migrações é semelhante ao observado em animais muito diferentes:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Migraram exclusivamente durante o dia, quando as velocidades do vento eram inferiores a 25 km por hora, independentemente da direcção do vento, mas apenas após duas noites de temperaturas mais baixas (redução de 2.1±0.6°C na temperatura mínima). Os padrões migratórios e as regras de decisão aparentes das libélulas são notavelmente semelhantes aos propostos para as aves canoras, e podem representar uma estratégia de migração geral, para a migração de longa distância de organismos com velocidades elevadas de vôo auto-propulsionado. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os insectos ganharam os ares muito provavelmente há mais de 400 milhões de anos, muito antes das aves. Confrontados com um problema semelhante, as aves e os insectos migradores evoluiram de forma independente para uma solução muito parecida. Há, no entanto, uma diferença entre aves e libélulas migradoras. Os insectos que regressam na Primavera seguinte não são os que partiram no Outono, mas sim uma nova geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino com uma imagem de um dos migradores do estudo, prestes a fazer-se ao caminho, com o seu sistema de monitorização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R0ENPUj_XnI/AAAAAAAABMI/NKsYw_-l_lU/s1600/Wikelski2006_1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134399607047937650" border="0" /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Martin Wikelski, David Moskowitz, James S. Adelman, Jim Cochran, David S. Wilcove, &amp;amp; Michael L. May (2006). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Simple rules guide dragonfly migration&lt;/span&gt;. Biology Letters 2:325-329. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1098/rsbl.2006.0487" target="_blank"&gt;doi:10.1098/rsbl.2006.0487&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-1731593460006539335?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/1731593460006539335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=1731593460006539335&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1731593460006539335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1731593460006539335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/as-libelinhas-emissoras-de-rdio.html' title='As libelinhas emissoras de rádio'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/R0EMiUj_XlI/AAAAAAAABL4/o45ztRN8eaI/s72-c/Wikelski2006_0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-9192443326059313170</id><published>2007-11-11T12:22:00.000Z</published><updated>2007-11-12T05:02:00.885Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sopa da Pedra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagens'/><title type='text'>Sopa da Pedra, edição de Fajão</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzfVC_ygLvI/AAAAAAAABKY/uOFpaCmgc4c/s1600/Fajao_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131804547871682290" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzfLufygLpI/AAAAAAAABJo/0E2-asptHE8/s1600/Fajao0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131794300079713938" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Fajão é uma povoação no Concelho da Pampilhosa da Serra, estrategicamente colocada num vale recôndito rodeado de montanhas. Para quem goste de passeatas aos altos e baixo há muito por onde escolher: é rodeada pelo rochedos de Penalva e pelo cabeço da Mata, pela Serra da Rocha, pela Serra da Amarela e pelo Picoto de Cebola. Mas Fajão tem algo a que os apreciadores dos calhaus não serão capazes de resistir: grande parte das casas são feitas de pedra. Trata-se de uma das "Aldeias do Xisto" de Portugal. É um local muito bonito e aprazível, mas também muito pequeno, moram por volta de 300 pessoas  em toda a freguesia, que inclui outras povoações. Existem no entanto vários locais de interesse, incluindo uma notável igreja do século XVIII, com imagens de santos e de Nossa Senhora do Rosário do século XVI, o  &lt;a href="http://ceiroquinho.cmc.free.fr/cmc_turismo/museu_fajao/museu.html" target="_blank"&gt;museu Monsenhor Nunes Pereira&lt;/a&gt;, e uma casa de pasto onde aconselho para almoço o excelente javali local, regado com uma boa escolha de vinhos alentejanos. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/sopa-da-pedra-edio-de-fajo.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzfL6PygLrI/AAAAAAAABJ4/GZjkESZuM1Y/s1600/Fajao2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131794501943176882" border="0" /&gt;Inspirados por este panorama da aldeia vejamos então alguns dos temas com interesse na blogosfera paleo/geológica em português durante o mês de Outubro. Comecemos por it até ao Açores e recuar no tempo, até 50 anos atrás, cortesia do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;GEOCRUSOE&lt;/span&gt;. No remoto mês de Outubro de 1957 Portugal &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://geocrusoe.blogspot.com/2007/10/capelinhos-em-outubro-de-57-construo-da.html" target="_blank"&gt;ganhava uma ilhota, no Faial&lt;/a&gt;. Mas a &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://geocrusoe.blogspot.com/2007/10/capelinhos-o-fim-da-ilha-nova.html" target="_blank"&gt;ilhota nova desapareceria&lt;/a&gt; ainda antes de terminar esse mesmo mês de Outubro. O aniversário dos Capelinhos não foi ignorado no Faial, sendo celebrado com &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://geocrusoe.blogspot.com/2007/10/50-aniversrio-dos-capelinhos-msica.html" target="_blank"&gt;música a condizer&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interesse Geológico do Faial não se esgota contudo no Vulcão dos Capelinhos, e o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;GEOCRUSOE&lt;/span&gt; mostra &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://geocrusoe.blogspot.com/2007/10/falhas-geolgicas.html" target="_blank"&gt;detalhes de uma ilha com falhas&lt;/a&gt;. Essas falhas geológicas, estão relacionadas com &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://geocrusoe.blogspot.com/2007/10/falhas-geolgicas-tipos-de-movimentos.html" target="_blank"&gt;vários tipos de movimentos&lt;/a&gt;.  Um só sismo pode provocar desníveis de um metro e no Faial, por toda a parte, há &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://geocrusoe.blogspot.com/2007/10/falhas-geolgica-no-faial-i-escarpa-de.html" target="_blank"&gt;traços de antigos tremores de terra na paisagem&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzfL-_ygLsI/AAAAAAAABKA/QiT9yZW7OKw/s1600/Fajao3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131794583547555522" border="0" /&gt;Esta casa típica, logo à entrada da aldeia, traz-nos ao próximo grupo de contribuições, dedicadas a pedras vistas nas profundezas, com muita água e lama. Água suficiente para dar banho aos nalga, sobretudo para os que gostam de se roçar no barro. Foi o que sucedeu com o &lt;a href="http://nalga.wordpress.com/2007/10/09/o-banho-do-nalga-e-nao-so/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Núcleo dos Amigos das Lapas, Grutas e Algares&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Eles gostaram tanto que não resistiram às &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://nalga.wordpress.com/2007/10/30/saudades-da-lama-gruta-de-alvide/" target="_blank"&gt;saudades da lama de Alvide&lt;/a&gt;, e fizeram mesmo um filme com as &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://nalga.wordpress.com/2007/10/20/formas-carsicas-presentes-na-gruta-de-alvide/" target="_blank"&gt;formas cársicas nas grutas&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já agora, sabiam que se pode fazer espeleologia sem sair da cidade? O &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://nalga.wordpress.com/2007/10/29/espeleologia-urbana-subterraneos-do-porto-tunel-2/" target="_blank"&gt;Porto visto das suas entranhas&lt;/a&gt;. Mais uma dos &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NALGA&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzfL1fygLqI/AAAAAAAABJw/gR-9h4obb9g/s1600/Fajao1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131794420338798242" border="0" /&gt;A flora de Fajão inclui esta planta, o medronheiro, que atrai os fabricantes algarvios de aguardante de medronho, que compram grande parte da produção local. Esta é uma boa desculpa para introduzir o próximo tema. Para quem gosta de ver cinema de capacete o Algarve é o destino indicado, com um gostinho a sal e a profundezas. Bebam mais informação cortesia &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://geopedrados.blogspot.com/2007/10/cinema-230-metros-de-profundidade-ii.html" target="_blank"&gt;Geopedrados&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se visitarem Fajão, fiquem para jantar, pois o cabrito é excelente, e não se esqueçam de provar a aguardente de mel do sítio. Não se preocupem quanto a terem que se fazer à estrada. Podem dormir na prisão, que por acaso até fica bastante em conta. É o edifício de xisto no cimo das escadas de pedra da imagem abaixo, transformado numa confortável pensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzfMDvygLtI/AAAAAAAABKI/qlolEP2BD9U/s1600/Fajao4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131794665151934162" border="0" /&gt;Para terminar a visita pela blogosfera nada melhor que dinossauros. Em Cantanhede, os dinossauros extinguem-se a 9 de Dezembro deste ano, estando destinados ao uso como matéria prima nas obras da Câmara Municipal. Até lá são de areia. Tudo explicado no &lt;a href="http://dererummundi.blogspot.com/2007/10/dinossauro-de-areia.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;De Rerum Natura&lt;/span&gt;.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paleontólogo Octávio Mateus arrasta os seus ossos na Mongólia, algures no Gobi entre anquilossauros, tarbossauros, e ovirraptores. As revelações vêm no &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://geoleiria.blogspot.com/2007/10/as-aventuras-de-um-paleontlogo-membro.html" target="_blank"&gt;GeoLeiria&lt;/a&gt;. Claro que nestas coisas é sempre bom ir beber à fonte, se bem que referente ao mês de Setembro. Visitem por isso os &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://lusodinos.blogspot.com/2007/09/expedio-monglia.html" target="_blank"&gt;Lusodinos&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar com paleontologia, fotos da bela e do monstro. A bela é uma jovem africana, o monstro é &lt;strike&gt;Luís Azevedo Rodrigues&lt;/strike&gt; um fémur de plateossaurídeo, via &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://cienciaaonatural.blogspot.com/2007/10/bela-e-o-fmur-do-monstro.html" target="_blank"&gt;Ciência Ao Natural&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzfMJ_ygLuI/AAAAAAAABKQ/pOpUQl_sRRQ/s1600/Fajao5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131794772526116578" border="0" /&gt;Com esta imagem das montanhas vizinhas de Fajão termina o Sopa da Pedra de Outubro de 2007. A lista de temas foi elaborada a partir dos emails enviados pelo leitores. Aceito sugestões relativas ao mês de Novembro até ao primeiro fim de semana de Dezembro, aqui nos comentários ou no email que podem encontrar na barra lateral. Para detalhes relativos aos temas que me interessam consultem a &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/sopa-da-pedra-verso-zero.html"&gt;versão zero&lt;/a&gt;. Já sabem, nada de política ou controversas criacionistas: só pedras e fósseis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As imagens são da minha autoria e podem ser usadas livremente.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-9192443326059313170?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/9192443326059313170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=9192443326059313170&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/9192443326059313170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/9192443326059313170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/sopa-da-pedra-edio-de-fajo.html' title='Sopa da Pedra, edição de Fajão'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzfVC_ygLvI/AAAAAAAABKY/uOFpaCmgc4c/s72-c/Fajao_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2117762992761235025</id><published>2007-11-09T01:12:00.000Z</published><updated>2007-11-19T04:37:31.599Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Extras'/><title type='text'>Viagem e direitos de autor</title><content type='html'>Eu tenho estado em França e não me tem sido possível colocar as contribuições em atraso, incluindo as da sopa da pedra. Volto amanhã, pelo que no sábado devo actualizar o blogue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, notei uma coisa. Aqui há uns meses, este blogue recebia umas largas centenas de visitas diárias provenientes do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;google.&lt;/span&gt; Essas caíram para umas dezenas e tem tudo a ver com o facto de algumas pessoas estarem a duplicar conteúdo meu na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;internet&lt;/span&gt;. Não é que isso me incomode, tudo o que está aqui pode ser usado desde que respeitem os desejos dos autores das imagens que uso e tenham cautela com as citações que faço a outras pessoas. O problema é que a cópia literal dos textos é encarada pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;google&lt;/span&gt; como estando a fazer batota e baixa a posição das minhas (e das vossas) páginas nos algoritmos de busca. Eu não vou incomodar ninguém por causa disso, mas, por favor, coloquem em linha duplicados apenas dos conteúdos que vos sejam realmente necessários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2117762992761235025?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2117762992761235025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2117762992761235025&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2117762992761235025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2117762992761235025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/viagem-e-direitos-de-autor.html' title='Viagem e direitos de autor'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-557124538092418338</id><published>2007-11-02T22:05:00.000Z</published><updated>2007-11-18T05:41:04.351Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O mundo visto  por entre as pernas dos corvos</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rz_Nk0j_XjI/AAAAAAAABLo/zDepCgOtQKI/s1600/Rutz2007_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134048132694236722" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rz-0mkj_XgI/AAAAAAAABLQ/ddmRAWpE7nI/s1600/Rutz2007_0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134020674968313346" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; A semana do corvo surgiu em antecipação de um artigo que saiu agora no princípio de Novembro de 2007. Uma das questões sobre o uso de feramentas pelos corvos da Nova Caledónia, o  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides&lt;/span&gt;, é o porquê deste comportamento pouco habitual. Isso é algo que não pode ser estudado com animais em cativeiro, a resposta dessa questão só pode ser encontrada observando animais na natureza. Colocar observadores humanos a seguirem os corvos é algo de pouco práctico. Estes corvídeos são afectados pela presença humana e habitam em zonas de floresta montanhosa, onde a visibilidade é limitada. A solução que os cientistas encontraram está ilustrada na imagem: capturaram animais bravios e colocaram-lhes câmaras minúsculas entre as penas da cauda. Essas câmaras não interferem com o movimento do animal e caem com as penas aquando da muda. O ângulo de visão é o adequado a um animal que se alimenta no solo, entre os detritos, ou que usa ferramentas para pesquisar em buracos. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/o-mundo-visto-por-entre-as-pernas-dos.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que descreve este avanço nas observações do dia a dia dos corvos selvagens é da autoria de Christian Rutz e colegas e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Science&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os corvos da Nova Caledónia (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides&lt;/span&gt;) são famosos por usarem ferramentas para a busca de alimento de carácter extractivo, mas o contexto ecológico deste comportamento pouco habitual é em grande parte desconhecido. Desenvolvemos câmaras de vídeo miniaturizadas, transportadas pelo animal, para registar a ecologia alimentar de corvos selvagens movimentando-se livremente na natureza. As nossas gravações em vídeo permitiram estimar a eficiência da busca de alimento e revelaram que o uso de ferramentas, e a escolha de materiais para ferramentas, são mais diversificados do que se julgava anteriormente. O estudo através do vídeo tem um grande potencial para o estudo do comportamento, e ecologia, de muitas outras espécies de aves, que são tímidas ou vivem em locais inacessíveis.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O dispositivo colocado nos animais permitia dois tipos de monitorização. Um emissor VHF de tipo convencional permitia determinar a posição de animal. Esta técnica é usada de forma relativamente comum para determinar o habitat de várias espécies animais, mas não fornece informação sobre o tipo de actividades que o animal desenvolve nesses locais. Os corvos carregavam por isso um emissor a 2.4 GHz que transmitia um sinal vídeo de imagens a cores com som. O sinal de vídeo era transmitido após um perídodo de habituação (que podia chegar a 48 horas). As montagens que incluiam a câmara, baterias, e vários sensores, mediam aproximadamente  4.5×2.0×1.3 centímetros e pesavam 14.54 ± 0.21 g, correspondendo a menos de 5% da massa corporal dos corvos. Os autores escolheram o período da muda da pena nos corvos para assegurarem que as câmaras seriam largadas quando muito ao fim de poucas semanas. Estes e uma série de outros aspectos destinados a minimizarem o efeito sobre os animais são discutidos no artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados eram recolhidos a partir de receptores portáteis operados a partir do solo, com duas equipas independentes a operarem equipamentos redundantes, para maximizar a recepção do sinal vídeo. Eis aqui o exemplo do trajecto de um animal que passou a sua manhã na vizinhança de um pequeno vale em forma de crescente. O azul indica o período antes de iniciar a transmissão do sinal vídeo, o vermelho o período onde o sinal vídeo estava disponível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rz-000j_XiI/AAAAAAAABLg/HclNcnfaI4M/s1600/Rutz2007_2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134020919781449250" border="0" /&gt;O interessante é poder observar o que o animal faz nesses instantes. Por exemplo, observou-se que um dos animais durante a tarde efectuou as seguintes actividades: fabricou e usou ferramentas, capturou três lagartos pequenos, manuseou duas conchas vazias de caracol, e apanhou e comeu um fruto.  Estes acontecimentos estavam separados por sequências em que o animal buscava comida no chão ou saltando de ramo para ramo. Para mostrar a importância das câmaras, atentem nesta frase, relativa a esse animal, retirada do artigo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Vimos o pássaro apenas uma vez apesar de nos encontrarmos a menos de 100 metros da sua localização durante a filmagem, com visão não obstruída de todos os recantos relevantes do habitat. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o comportamento do animal não seria documentado, mesmo com observadores nas imediações. Eis aqui alguma imagens da actividade desenvolvida pelos corvos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rz-0uUj_XhI/AAAAAAAABLY/3hacu1_LKVI/s1600/Rutz2007_1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134020808112299538" border="0" /&gt;O artigo é acompanhado por uma série de filmes. Podemos ver corvos a capturarem caracóis e lagartos, a comerem frutos, a fabricarem ferramentas, a deslocarem-se pelo chão, e a voarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.sciencemag.org/content/vol0/issue2007/images/data/1146788/DC1/1146788s1.mov" target="_blank"&gt;Filme s1&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.sciencemag.org/content/vol0/issue2007/images/data/1146788/DC1/1146788s2.mov" target="_blank"&gt;Filme s2&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.sciencemag.org/content/vol0/issue2007/images/data/1146788/DC1/1146788s3.mov" target="_blank"&gt;Filme s3&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.sciencemag.org/content/vol0/issue2007/images/data/1146788/DC1/1146788s4.mov" target="_blank"&gt;Filme s4&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 7 horas e meia de filmagens analisadas pelos investigadores, em que foram observados doze corvos, os autores observaram o manuseamento de 6 caracóis (dois comidos, os outros com conchas vazias), três lagartos pequenos (todos comidos), dois pequenos invertebrados (ambos comidos), três objectos não identificados (consumidos), oito frutos (sete comidos pelo menos parcialmente), e uma incursão com consumo de pequenas bagas. A partir das observações os autores estimaram que os corvos consomem oito items da sua dieta por cada hora em que buscam alimentam. O valor parece baixo, embora os autores notem que não existem estudos semelhantes sobre outras espécies de corvos tropicais. Este aspecto talvez explique as capacidades tecnológicas destes corvos. Num ambiente difícil o fabrico e uso de ferramentas podem aumentar e muito o sucesso dos animais na busca de alimento. Isso é algo a verificar com outros estudos, este artigo expõe sobretudo a nova técnica de observação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observações deste tipo, com câmaras presas a animais, não são novidade, são efectuadas há já algum tempo em animais marinhos, bastante maiores. Desde que se ajuste a flutuabilidade do dispositivo, por forma a que seja neutra, os impactos sobre os animais são em geral mínimos. Só com os avanços na miniaturização de dispositivos electrónicos se pôde avançar para as aves. O potencial para estudos de ecologia e mesmo fisiologia é imenso. Os autores notam que neste estudo a cloaca e a barriga dos corvos eram visíveis o que significa que se podia determinar a frequência com os animais respiravam e defecavam. Este estudo é apenas o início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Christian Rutz, Lucas A. Bluff, Alex A. S. Weir, Alex Kacelnik (2007). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Video Cameras on Wild Birds&lt;/span&gt;. Science Vol. 318. no. 5851, p. 765. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1126/science.1146788" target="_blank"&gt;doi:10.1126/science.1146788&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-557124538092418338?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/557124538092418338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=557124538092418338&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/557124538092418338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/557124538092418338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/11/o-mundo-visto-por-entre-as-pernas-dos.html' title='O mundo visto  por entre as pernas dos corvos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rz_Nk0j_XjI/AAAAAAAABLo/zDepCgOtQKI/s72-c/Rutz2007_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-5621806696925736339</id><published>2007-10-21T01:07:00.000+01:00</published><updated>2007-11-18T05:42:42.661Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A semana do corvo: as escolhas dos gatos</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzjFi_ygLwI/AAAAAAAABKg/Kmn1BGQLhjo/s1600/gatos0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132068980418162434" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Os três gatinhos&lt;br /&gt;perderam os chapelinhos&lt;br /&gt;puseram-se a chorar&lt;br /&gt;oh mãe, mãezinha&lt;br /&gt;os nossos chapelinhos&lt;br /&gt;não os podemos achar&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzovvvygLxI/AAAAAAAABKo/zMLd8dBYdj8/s1600/gatos_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132467222670749458" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Quando vejo crias de gato ocorre-me sempre esta cantilena infantil. Eu sei que a canção fala em três gatinhos e que na figura estão quatro, mas o que interessa é o espírito da coisa. Notem que, tal como os da canção, os da fotografia não têm chapéus, e se não parecem muito afectados por isso é porque é a hora do almoço. A imagem dos gatos a comer é adequada para mais uma ressalva na interpretação dos resultados das experiências de comportamento animal de que tenho falado por aqui. Os seres humanos que participaram nas experiências, que descrevi na última contribuição, seguramente não davam o mesmo valor a um M&amp;amp;M que um chimpanzé dá a uma bolacha. Para os seres humanos, a experiência é sobretudo um desafio intelectual, em que a recompensa pesa pouco. Para os animais não humanos, a recompensa é primordial. É pouco provável que um animal não humano se vá empenhar numa tarefa árdua a menos que esteja mesmo interessado no que vai ganhar. Só que a ânsia pela recompensa pode levar alguns animais a desempenhos menos conseguidos, e sobretudo a uma grande diferença no comportamento de indivíduos da mesma espécie. Isso vê-se por exemplo com os indivíduos da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Felis silvestris catus&lt;/span&gt;. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/as-escolhas-dos-gatos.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O estudo que refere o comportamento dos gatos é o mesmo artigo de Francisco Silva, Dana Page e Kathleen Silva, publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Learning &amp;amp; Behavior&lt;/span&gt; (ref1), que referi na contribuição anterior. Em vez dos tubos usou-se o teste da mesa com armadilhas. Um dos exemplos das configurações utilizadas é este, em que recompensas são colocadas atrás de um ancinho, tendo à frente um buraco onde a recompensa pode cair (esquerda) ou uma marca na mesa que não captura a recompensa (direita).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rzxg_Ej_XcI/AAAAAAAABKw/fDLvSCcC-ZU/s1600/mesa0.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133084311968243138" border="0" /&gt;Vejamos então o que fizeram os gatos:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Um estudo a decorrer no nosso laboratório, do comportamento dos gatos domésticos em problemas de mesas com armadilhas, mostra um custo de estudar exclusivamente primatas. Confrontados com um problema de mesas com armadilha modificado, mas semelhante ao da figura, o gato 1 nunca respondeu correctamente acima do esperado ao acaso após mais de 200 tentativas. Este gato era insensível à presença de um buraco funcional num dos lados da mesa.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Será que isto quer dizer algo sobre as capacidades cognitivas dos gatos, ou mesmo deste gato em particular? Nem por isso:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Um segundo gato, contudo, escolheu recuperar a comida no lado mesa sem o buraco em quase 100% das tentativas após as 10 primeiras, resultados que são muito melhores que os que se obtêm com os chimpanzés.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os autores usaram outros tipos de configurações. Por exemplo, o ancinho pode estar também à frente da armadilha e neste caso tanto faz qual dos lados se escolhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzxhwEj_XeI/AAAAAAAABLA/VePnVr4jriU/s1600/mesa1.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133085153781833186" border="0" /&gt;O  gato 2 mostrou perceber o que estava em jogo.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Mais tarde, quando submetido a testes em que a comida era colocada em frente ao buraco (isto é, a armadilha era ineficaz), este gato distribuíu o seu comportamento igualmente entre ambos os lados da mesa. Esta comportamento do gato sugere que percebeu os principais causais abstractos envolvidos no problema da mesa armadilhada.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O problema do gato 1 é que parece que à vista da comida ficava de tal maneira obcecado que inibia os seus processos mentais.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Experiências adicionais mostraram que cobrindo a comida com um bocado de pano aumentava as respostas correctas do primeiro gato. Se seguirmos a forma de pensar avançada nalguns estudo da física do dia-a-dia dos chimpanzés, estes resultados preliminares sugerem que os gatos podem ter uma melhor compreensão das características causais de um problema físico do que os chimpanzés. Isto parece estranho.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Parece estranho, de facto. Tal como os autores deste estudo referem parece mais provável que haja algo errado com as premisas do raciocínio que leva a esse tipo de conclusões. Enquanto testes "positivos" como o do gato 2 são relativamente claros na interpretação de que o gato percebeu a tarefa de um modo "tipicamente humano", é óbvio pelo exemplo do gato 1 que há outros factores em jogo. O facto de os animais por vezes fazerem disparates não é só por si indicativo da falta de capacidades cognitivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem dos gatinhos mais a sua mãe cortesia de Laitche via &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Laitche-P013.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Silva, Francisco J.; Page, Dana M.; Silva, Kathleen M. (2005). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Methodological-conceptual problems in the study of chimpanzees' folk physics: How studies with adult humans can help.&lt;/span&gt; Learning &amp;amp; Behavior 33: 47­5&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-5621806696925736339?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/5621806696925736339/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=5621806696925736339&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5621806696925736339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5621806696925736339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/as-escolhas-dos-gatos.html' title='A semana do corvo: as escolhas dos gatos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RzjFi_ygLwI/AAAAAAAABKg/Kmn1BGQLhjo/s72-c/gatos0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2192997701016551213</id><published>2007-10-20T11:14:00.000+01:00</published><updated>2007-10-28T01:43:51.408+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A semana do corvo: as escolhas dos humanos</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyGytNUM6tI/AAAAAAAABIU/PvvRaGyN0_A/s1600/Crowstampico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125574340662586066" border="0" /&gt; Nem sempre os corvos da Nova Caledónia parecem assim tão espertos. Mesmo a Betty, perita em improvisar ganchos, continua frequentemente a tentar primeiro com o arame direito, mesmo depois de ter sido submetida à mesma experiência várias vezes. Outras vezes a Betty, depois de fazer um gancho, agarra-o pelo lado errado. Seria fácil encarar isso como evidência de que os corvos não possuem uma compreensão de tipo humano das tarefas que executam. Mas o que é exactamente essa compreensão humana? Como é que os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Homo sapiens&lt;/span&gt; se comportam no tipo de tarefas que temos visto os  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides&lt;/span&gt; a executarem? É aqui que entra a experiência dos chimpanzés de que falei ontem. Quando foi repetida, usando humanos adultos, estes mostraram as mesmas preferências que os chimpanzés. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/as-escolhas-dos-humanos.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que analisa o lado humano da questão é da autoria de Francisco Silva, Dana Page e Kathleen Silva e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Learning &amp;amp; Behavior&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Examinámos em três experiências a física do dia-a-dia dos humanos (isto é, um conhecimento do mundo físico espontâneo e que ocorre naturalmente ), usando variações de problemas usados para estudar a física do dia-a-dia dos chimpanzés. Confrontados com o problema do tubo e armadilha em duas experiências, os adultos humanos mostraram uma preferência desnecessária para inserirem um pauzinho na extremidade do tubo mais afastada da recompensa, para a empurrarem para fora pela outra extremidade. Quando confrontados com problemas da mesa e armadilha os humanos evitaram, de forma desnecessária, o lado com o buraco. A semelhnaça entre o comportamento de humanos e chimpanzés nestas tarefas ilustra problemas metodológicos e conceptuais nos estudos de física do dia-a-dia dos chimpanzés e sugere explicações alternativas para o seu comportamento. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Neste estudo os investigadores analisaram muitas variantes do problema to tubo, variando a posição relativa do buraco e da recompensa. Isto porque uma explicação para o comportamento observado nos chimpanzés é que eles estariam simplesmente a recorrer à opção que significava deslocar a recompensa pela menor distância possível. Os autores  consideraram três variáveis: (1) a presença de uma armadilha ou armadilhas, (2) a presença de uma armadilha ou armadilhas não funcionais, (3) a distância da recompensa à ponta do tubo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira experiência foi feita com 10 alunos de licenciatura. Em vez de bolachas a recompensa eram M&amp;amp;M's, os tubos eram opacos e nalguns casos nem sequer havia maneira de tirar o M&amp;amp;M. Eis aqui todas as configurações usadas, agrupadas de acordo com as características.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyPYTtUM6zI/AAAAAAAABJE/MInVttjWNjo/s1600/tuboc.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5126178633971198770" border="0" /&gt;No grupo 1, ou não há armadilha ou a armadilha não interfere na progressão do M&amp;amp;M, que é colocado mais perto de uma das extremidades. No grupo 2 é possível extrair o M&amp;amp;M, colocado no centro do tubo, a partir de qualquer um dos lados. No grupo 3 as armadilhas funcionam, sendo o M&amp;amp;M colocado em várias posições na vizinhança de diferentes extremidades. No grupo 4 o M&amp;amp;M era colocado no meio, num tubo com uma armadilha funcional. O grupo 5 era uma maldade, pois o M&amp;amp;M cairia no buraco, de onde quer que fosse empurrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que ao contrário dos chimpanzés os humanos não tiveram problemas em retirar os M&amp;amp;M nos grupos 3 e 4. Uma das coisas mais curiosas neste estudo foi que no grupo 5, nove dos dez indivíduos testados empurraram o M&amp;amp;M a partir do lado direito. Isso pode ser talvez explicado porque 8 dos indivíduos eram destros. Mas o que estava realmente em jogo era a estratégia em relação à distância à recompensa. No grupo 2, onde as armadilhas não funcionavam e a recompensa estava no meio, os testandos tentaram tantas vezes de um lado como do outro. No grupo 1 os indivíduos a serem testados escolheram preferencialmente empurrar a partir do lado mais afastado. Esse é o comportamento que a chimpanzé Megan adoptou no estudo de que falei ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os autores repetiram o teste, só que em vez de tubos e M&amp;amp;M usaram esquemas no papel, e pediram a 24 alunos de licenciatura para os resolverem. À partida não havia razões para resultados diferentes, à excepção talvez do grupo 5. De facto nos grupo 1 o tal comportamento à chimpanzé também se verificou. Curiosamente, no Grupo 2, onde a recompensa estaria no meio, houve uma tendência significativa de empurrar a partir da esquerda, algo que se verificou também no grupo 5. Uma das hipótese que os autores referem, e que é aquela que me ocorreu de imediato, tem a ver como a forma como estes indivíduos estariam habituados a ler, da esquerda para a direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os autores fizeram ainda uma experiência com uma mesa, em que se podia transportar uma recompensa, através de um lado onde havia um buraco, mas demasiado pequeno e onde a recompensa passava sem cair, ou de um lado onde  não havia buraco. Em princípio não havia razão para escolher um lado em detrimento do outro, mas em 19 alunos de licenciatura testados, 15 preferiram sempre o lado sem buraco. Isto mais uma vez não significa que os humanos não tenham percebido o problema, significa apenas que em geral somos naturalmente cautelosos. Nós sabemos que as coisas caem dentro de buracos, o buraco parece pequeno, mas para quê arriscar quando do outro lado não há buraco nenhum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este estudo mostra que é precisa muita cautela ao interpretar o resultado de experiências com animais. É óbvio que todos aqueles estudantes percebiam como funcionava a armadilha. Isso significa que ao contrário do que assumiram os autores do estudo dos chimpanzés, o comportamento da Megan não pode ser usado como evidência de que ela não percebe o mecanismo causal que faz com que a armadilha funcione (a gravidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora já falámos de chimpanzés, humanos, e que tal gatos? Amanhã há mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Silva, Francisco J.; Page, Dana M.; Silva, Kathleen M. (2005). Methodological-conceptual problems in the study of chimpanzees' folk physics: How studies with adult humans can help. Learning &amp;amp; Behavior 33: 47­58 &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2192997701016551213?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2192997701016551213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2192997701016551213&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2192997701016551213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2192997701016551213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/as-escolhas-dos-humanos.html' title='A semana do corvo: as escolhas dos humanos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyGytNUM6tI/AAAAAAAABIU/PvvRaGyN0_A/s72-c/Crowstampico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-5070755863973213447</id><published>2007-10-19T23:39:00.000+01:00</published><updated>2008-01-17T16:15:19.914Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A semana do corvo: a inteligência dos símios</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyJ8vdUM6wI/AAAAAAAABIs/t8nRzjRNUtE/s1600/chimpanze0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125796480666102530" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyJ8pNUM6vI/AAAAAAAABIk/3cRj9lD9lEE/s1600/chimpanze_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125796373291920114" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; O desempenho dos corvos de que falei nas contribuições anteriores tem que ser contextualizado comparando com outros animais, humanos e não humanos. Ora em 2000, um senhor chamado Povinelli e alguns colaboradores fizeram 27 experiências, para tentarem perceber se os chimpanzés seriam capazes de compreender como funcionam conceitos invisíveis, como a gravidade. Os resultados foram publicados num livro com um título sugestivo, que se pode traduzir como «A física do dia-a-dia para os antropóides: A teoria de como funciona o mundo segundo os chimpanzés.» Os resultados foram aparentemente esclarecedores, levando os autores a concluir que os chimpanzés, ao contrários dos humanos, não conseguem invocar conceitos abstractos para resolver problemas. Uma dessas experiências era particularmente interessante e relevante para a questão da inteligência dos corvídeos. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/inteligncia-dos-smios.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;A experiência que é referida por Reaux e Povinelli no tal livro sobre a física dos chimpanzés (ref1) é relativamente simples. Recorre ao uso dos chamados tubos-armadilha. Eis um esquema aqui abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyKUVtUM6xI/AAAAAAAABI0/BQWTi97wTug/s1600/tuboa.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125822426563537682" border="0" /&gt;Dentro do tubo há uma recompensa, por exemplo uma bolacha. Para remover a bolacha dá-se ao chimpanzé um pau para que ele possa empurrar a bolacha para fora do tubo. O chimpanzé só obtém sucesso se usar o pauzinho no lado em que a armadilha está mais próxima dele que a bolacha, caso contrário a bolacha cai num buraco de onde o chimapanzé não consegue tirá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os chimpanzés revelam grande dificuldade na tarefa e são raros os que conseguem uma taxa de sucesso superior à que se esperaria do simples acaso. Mas alguns portam-se à altura, e dos chimpanzés estudados por Reaux e Povinelli houve uma fêmea chamada Megan que conseguiu um bom desempenho. Os cientistas não ficaram no entanto muito convencidos sobre as capacidades da Megan e confrontaram-na com o dispositivo de pernas para o ar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyKUcNUM6yI/AAAAAAAABI8/L6FbTnATR9Q/s1600/tubob.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125822538232687394" border="0" /&gt;Nesta situação tanto faz um lado ou outro, mas a Megan em 39 de 40 tentativas optou sempre por introduzir o pauzinho por forma a fugir à ratoeira. Não havendo necessidade disso, os autores interpretaram então o resultado como significando que os chimpanzés:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;não compreenderam como a armadilha funcionava no contexto das interações causais entre a ferramenta, a recompensa, e a armadilha ela mesma.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Uma frase algo pomposa para dizer que a Megan até podia compreender o efeito da armadilha, mas não percebia o conceito de gravidade. Os chimpanzés pareciam assim muito diferentes dos humanos, ou será que não? Uns anos depois, um outro estudo, sobre os primos verticais dos chimpanzés, teve resultados surpreendentes. Isso fica para a próxima contribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem do chimpanzé com ar sonhador no início da contribuição cortesia de Aaron Logan, retirada da sua &lt;a href="http://www.lightmatter.net/gallery/albums.php"&gt;galeria LIGHTmatter&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Reaux, J. E., &amp;amp; Povinelli, D. J. (2000). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The tube-trap problem&lt;/span&gt;. In D. J. Povinelli, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folk physics for apes: The chimpanzee's theory of how the world works&lt;/span&gt; (pp. 108-131). Oxford: Oxford University Press.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-5070755863973213447?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/5070755863973213447/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=5070755863973213447&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5070755863973213447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5070755863973213447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/inteligncia-dos-smios.html' title='A semana do corvo: a inteligência dos símios'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyJ8vdUM6wI/AAAAAAAABIs/t8nRzjRNUtE/s72-c/chimpanze0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-5627140380400400505</id><published>2007-10-18T10:12:00.000+01:00</published><updated>2007-10-26T10:58:51.553+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A semana do corvo: Betty, a desenrascada</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyGzONUM6uI/AAAAAAAABIc/4Rt4owBOwZ4/s1600/Crowstamp.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125574907598269154" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyGytNUM6tI/AAAAAAAABIU/PvvRaGyN0_A/s1600/Crowstampico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125574340662586066" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Eis aqui um selo da Nova Caledónia com uma uma imagem do animal emblemático da ilha o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides&lt;/span&gt;. No selo podem ver exemplos das ferramentas que os corvos neocaledónicos produzem a partir de folhas. Estes animais são capazes de coisas fantásticas que indiciam capacidades cognitivas elevadas, e hoje vou mostrar um dos exemplos mais espantosos, relacionado com um corvo fêmea, a Betty, de que falei nas duas contribuições anteriores. Como referi na última contribuição, a Betty tinha um parceiro com mau feitio, o Abel. Um dia os investigadores que trabalhavam com estes dois corvos colocaram-nos frente a uma experiência em que, para obterem a sua comida favorita, pedacinhos de coração de porco, tinham que puxar um pequeno balde, tendo de escolher entre duas ferramentas de arame: uma direita, outra em forma de gancho. Ora o Abel fugiu com o gancho mas a Betty não se atrapalhou, mesmo nunca tendo visto arame antes desta experiência, soube o que fazer. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/betty-desenrascada.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo onde o comportamento da Betty é descrito é da autoria de Alex A. S. Weir, Jackie Chappell e Alex Kacelnik e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Science&lt;/span&gt; (ref1). Desta vez nem vou traduzir o resumo, é que não são precisas palavras basta ver o filme:&lt;br /&gt;&lt;object width="175" height="212"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TtmLVP0HvDg&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/TtmLVP0HvDg&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="175" height="212"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;A Betty tenta umas quantas vezes com o arame direito, não consegue puxar o balde, e então decide fazer um gancho. Os corvos fazem ganchos na natureza mas não desta maneira. Frente a uma ferramenta com a forma errada e um material pouco familiar a Betty não se atrapalhou, improvisou e lá conseguiu a sua recompensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem do selo via &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Crowstamp.jpg" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Alex A. S. Weir, Jackie Chappell, and Alex Kacelnik (2002). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shaping of Hooks in New Caledonian Crows&lt;/span&gt;. Science, Vol. 297. no. 5583, p. 981. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DOI&lt;/span&gt;: &lt;a href="http://dx.doi.org710.1126/science.1073433" target="_blank"&gt;10.1126/science.1073433&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-5627140380400400505?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/5627140380400400505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=5627140380400400505&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5627140380400400505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5627140380400400505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/betty-desenrascada.html' title='A semana do corvo: Betty, a desenrascada'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyGzONUM6uI/AAAAAAAABIc/4Rt4owBOwZ4/s72-c/Crowstamp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2854984183276481263</id><published>2007-10-17T13:03:00.000+01:00</published><updated>2007-10-25T16:46:24.322+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A semana do corvo: a física do dia-a-dia dos corvos</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rxoie-LrBaI/AAAAAAAABHk/v1Ylh9BL5_w/s1600/ChappellKacelnik2004_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123445441570735522" border="0" /&gt;Como mostrei na contribuição anterior, os corvos da Nova Caledónia, espécie  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides&lt;/span&gt;, sabem escolher bem o comprimento das ferramentas que usam. Ora os cientistas decidiram testar um outro aspecto relativo à forma como estes animais lidam com as ferramentas, algo a que eles chamam &lt;span style="font-style: italic;"&gt;folks physics&lt;/span&gt;, ou seja física do dia-a-dia. Os cientistas mais uma vez procuraram verificar se estes animais manifestam algum tipo de compreensão das propriedades dos objectos que estão a utilizar, e não se limitam apenas ao recurso a um conjunto de reacções pré-determinadas. Aqui ao lado está um dos animais que participou no estudo anterior, uma fêmea chamada Betty, e que foi protagonista também deste estudo. A Betty está atarefada a usar um pauzinho para fazer cair comida do outro lado de um tubo transparente. Só que a tarefa não é fácil, é que o pauzinho que está a usar tem algumas lascas na ponta e não é adequado à tarefa. Mas não se preocupem, a Betty resolveu o problema em pouco tempo, pouco mais que um piscar de olhos. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/fsica-do-dia-dia-dos-corvos.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O trabalho é da autoria de Jackie Chappell e Alex Kacelnik e foi publicado na revista Animal Cognition (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Um elemento importante do uso complexo e flexível de ferramentas, em particular quando o fabrico de ferramentas está envolvido, é a habilidade de selecionar ou fabricar as ferramentas adequadas antecipando as necessidades de uma qualquer tarefa dada e uma habilidade raramente testada em não primatas. Examinamos aspectos desta habilidade nos corvos neocaledónicos, uma espécie que se sabe fazedora e utilizadora exímia de ferramentas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O estudo é muito detalhado, e consistiu em experiências bastante diferentes das tarefas com que seriam confrontados num meio natural. Tinham que empurrar um pequeno pote com comida por forma a cair do outro lado de um tubo transparente. Para isso tinham que manobrar um pauzinho enfiado através de um orifício estreito. O esquema mostra-se abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RyCs8tUM6sI/AAAAAAAABIM/Y09ENv4GNV8/s1600/esquema.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125286534904081090" border="0" /&gt;Os investigadores deixaram os corvos familiarizarem-se com o dispositivo em quatro tentativas. Os animais não tiveram quaisquer problemas em perceber a tarefa. Continuando com o resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Examinamos aqui a forma como lidam com o diâmetro das ferramentas. Na experiência 1, mostramos que quando confrontados com três raminhos soltos que podiam ser usados como ferramentas, eles preferiam o mais estreito. Quando os três pauzinhos estavam dispostos por forma a que uma estava solto e os outros dois num feixe, eles só desmanchavam o feixe quando a ferramenta preferida estava atada.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;As ferramentas nesta experiência eram dadas pelos humanos e eram relativamente rígidas, não se dobrando nem se partindo. Daí que a escolha pelo pau mais fino, mais fácil de manobrar e mais leve faça sentido. Com ferramentas naturais isso não sucede: um raminho demasiado fino dobra-se ou parte-se quando se tenta empurrar algo com ele.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Na experiência 2 mostramos que eles produzem e modficam uma ferramenta com um diâmetro adequado de um ramo de árvore, de acordo com o diâmetro do orifício através do qual a ferramenta terá que ser inserida. Estes resultados juntam-se ao quadro de evidências que mostra os corvos neocaledónicos como produtores e utilizadores de ferramentas sofisticados com um nível de compreensão elevado da física do dia-a-dia&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os corvos faziam em geral um utensílio com um diâmetro próximo do da abertura, não recorrendo aos ramos mais estreitos e flexíveis. Curiosamente de vez em quando escolhiam raminhos demasiado curtos para empurrarem o potezinho até ele cair, uma prova de que esta é uma tarefa à qual não estão habituados. Na natureza, e nos exemplos que mostrei anteriormente, os corvos puxavam a comida, não a empurravam. De vez em quando os animais produziam uma ferramenta que se verificava ter problemas. Eis aqui um desses casos com a Betty:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxoinuLrBbI/AAAAAAAABHs/PtNNZiVq-HE/s1600/ChappellKacelnik2004_00.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123445591894590898" border="0" /&gt;A ponta do raminho tinha uma aparas que estorvavam os esforços da Betty em conseguir comida. Mas ela não se atrapalhou, reparem como ela retira lascas da extremidade do seu raminho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxoiyOLrBcI/AAAAAAAABH0/X9FCUDLeS4g/s1600/ChappellKacelnik2004_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123445772283217346" border="0" /&gt;Com a "nova" ferramenta num instante mandou o pequeno pote para fora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rxoi3uLrBdI/AAAAAAAABH8/zqQ14W3NVzE/s1600/ChappellKacelnik2004_02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123445866772497874" border="0" /&gt;Mas nem tudo na vida da Betty é fácil. Ela tem um parceiro com mau feitio que assim que viu a possibilidade de uma refeição fácil avançou imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxojAeLrBeI/AAAAAAAABIE/ajrMBJZ660Y/s1600/ChappellKacelnik2004_03.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123446017096353250" border="0" /&gt;Voltarei à Betty na próxima contribuição com uma das coisas mais extraordinárias que jamais vi um animal não humano fazer. Curiosamente tem que ver com o tal parceiro com mau feitio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Chappell, J., &amp;amp; Kacelnik, A. (2004). Selection of tool diameter by New Caledonian crows Corvus moneduloides. Animal Cognition, 7: 121-127. DOI &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1007/s10071-003-0202-y" target="_blank"&gt;10.1007/s10071-003-0202-y&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2854984183276481263?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2854984183276481263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2854984183276481263&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2854984183276481263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2854984183276481263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/fsica-do-dia-dia-dos-corvos.html' title='A semana do corvo: a física do dia-a-dia dos corvos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rxoie-LrBaI/AAAAAAAABHk/v1Ylh9BL5_w/s72-c/ChappellKacelnik2004_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-9060440431046588284</id><published>2007-10-16T01:57:00.000+01:00</published><updated>2007-10-25T12:25:37.214+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>O peixe-boi anão</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxazKeLrBZI/AAAAAAAABHc/hw6fsqrLAzQ/s1600/peixe-boi-anao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122478618662602130" border="0" /&gt;Esta criatura adorável é um peixe-boi anão, um manatim da Amazónia brasileira. Na Amazónia já era conhecida uma espécie de peixe-boi, o&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Trichechus inunguis&lt;/span&gt;, com 2.5 a 3 metros de comprimento e 350 a 500 kg de peso. O peixe-boi é na verdade um mamífero de um grupo conhecido por sirénios. É isso mesmo, estamos a falar de sereias na Amazónia. O animal aqui ao lado, por incrível que pareça, é um adulto, com 1.3 metros de comprimento e 60 kg de peso. O animal foi "descoberto" por Marc van Roosmalen, que submeteu um artigo onde o considera uma nova espécie, mas o artigo ainda não foi publicado, pelo que para já não vou avançar com o nome proposto para a criaturinha. Agora o que me espanta nesta "descoberta" é que o animal é bem conhecido pelas populações locais, que lhe chamam simplesmente "pretinho". Aliás o crânio-tipo que Marc van Roosmalen usou para definir a possível nova espécie proveio de um animal consumido por seres humanos. Isto levanta alguns problemas, pois o animal só é conhecido das águas do rio Arauazinho, e deverão existir pouco mais de 100 destas criaturas. Para quando uma expedição científica de grande envergadura para investigar casos deste tipo? Afinal basta perguntar aos moradores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-9060440431046588284?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/9060440431046588284/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=9060440431046588284&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/9060440431046588284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/9060440431046588284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/o-peixe-boi-ano.html' title='O peixe-boi anão'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxazKeLrBZI/AAAAAAAABHc/hw6fsqrLAzQ/s72-c/peixe-boi-anao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-3376467027479365341</id><published>2007-10-15T05:25:00.000+01:00</published><updated>2007-10-16T04:52:19.374+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A semana do corvo: a ferramenta certa com o tamanho certo</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxQL5-LrBYI/AAAAAAAABHU/vbMSTCMFSzw/s1600/ChappellKacelnik2002_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121731766799500674" border="0" /&gt;Como foi referido na contribuição anterior, os corvos da Nova Caledónia, da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides,&lt;/span&gt; fabricam e utilizam ferramentas mesmo sem terem sido expostos a tais comportamentos. O comportamento é assim em parte instintivo, e só por si não significa que estes corvos sejam particularmente inteligentes. As teias de aranha, os ninhos de barro de certas vespas, algumas termiteiras muito elaboradas, são alguns exemplos, entre muitos outros, de que os animais são capazes de fazer coisas elaboradas sem que isso exija capacidades cognitivas avançadas. Para avaliar a inteligência animal um dos testes é colocar os animais em situações novas, e verificar se conseguem adaptar o seu desempenho para lá de qualquer padrão inato que possam possuir. No caso dos corvos neocaledónicos os cientistas resolveram executar a experiência que se mostra na imagem. Os cientistas forneceram pauzinhos de vários tamanhos e colocaram comida a várias distâncias dentro dos tubos transparentes. O que se procurava ver com esta experiência era se os corvos testavam pauzinhos ao acaso, ou se escolhiam de forma sistemática a ferramenta mais adequada. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/ferramenta-certa-com-o-tamanho-certo.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O trabalho que testa as escolhas dos corvos é da autoria de Jackie Chappell e Alex Kacelnik, e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Animal Cognition&lt;/span&gt; (ref1). Os corvos usados nesta experiência não nasceram em cativeiro, trata-se de animais que foram capturados na natureza, um macho e uma fêmea, de seu nome Betty, que se pode ver na imagem no iníco da contribuição. Os animais são mantidos numa gaiola onde podem voar livremente, e durante o dia têm acesso a um pátio, com brinquedos, bebedouros onde podem tomar banho, cascalho, locais com terra onde podem escavar, e mesmo brinquedos de cachorro. Os autores referem que, poucas horas depois de terem sido colocados neste local, os corvos arrancaram pauzinhos dos troncos de árvore que lhes serviam de poleiro, e desataram a pesquisar todos os buracos e fendas das imediações, incluindo as tomadas de electricidade e os alarmes de incêndio, que tiveram que ser vedados. Embora não fosse esse o objectivo do estudo, os autores notam ainda que os animais aparentavam explorar e brincar com os vários objectos que tinham à disposição. Noto ainda que é referido que, durante as experiências que se irão descrever em seguida, os animais não foram privados nem de água nem de comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora quais foram então os resultados da experiência? Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Descrevemos uma experiência que mostra que os corvos neocaledónicos são capazes de escolher ferramentas de tamanho adequado para uma nova tarefa, sem aprendizagem por tentativa e erro. Esta espécie é quase única entre todas as espécies animais (juntamente com alguns primatas) no grau de uso e manufactura de ferramentas polimórficas na seu ambiente natural. Contudo, a flexibilidade do seu uso de ferramentas não tinha sido testada até agora. A flexibilidade, incluindo a habilidade de selecionar a ferramenta adequada a uma tarefa, é considerada como o paradigma das adaptações cognitivas complexas para o uso de ferramentas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Os autores fizeram na verdade duas experiências, ambas com resultados interessantes.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Na experiência 1, testámos a habilidade de dois animais cativos (um macho e uma fêmea) de selecionarem um pau (de um intervalo de comprimentos providenciado) que igualasse a distância à comida colocada num tubo horizontal transparente. Ambos os animais escolheram ferramentas que igualavam a distância ao seu alvo significativamente mais vezes do que se esperaria pelo acaso. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Isto é interessante, pois significa que os animais conseguem projectar o alcance da ferramenta. Os autores notam que os corvos repartiam as escolhas entre as duas possibilidades: «ou se escolhe a ferramenta que mais se aproxima da distância ou ,em caso de dúvida, se opta pela que tem o maior tamanho.» Esta dupla estratégia foi usada 70% das vezes, quando se fosse por acaso teria sido usada apenas 19% das vezes. A fêmea cometeu mais erros que o macho (escolheu por vezes uma ferramenta mais curta do seria necessário) mas numa amostra tão pequena isso não é significativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda experiência envolvia um teste à distância. Esta situação corresponde mais ao que se passa na natureza, em que os utensílios são fabricados longe dos orifícios a pesquisar.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Na experiência 2 usámos uma tarefa semelhante, mas com as ferramentas colocadas fora da vista do tubo de comida, de forma a que os pássaros tinham que recordar a distância à comida antes de selecionarem uma ferramenta. A tarefa foi completada apenas pelo macho, que escolheu uma ferramenta de tamanho suficiente bastante mais vezes do que se esperaria pelo acaso, mas que não mostrou uma preferência por igualar a distância.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Na verdade a fêmea não "falhou", ela nem sequer tentou. Mas não ficou inactiva, simplesmente andou pelo resto da gaiola em busca de comida, chegando mesmo a usar alguns dos pauzinhos destinados a esta experiência noutros locais da gaiola. O macho, no entanto, não mostrou grandes problemas nem hesitou muito, assim que decidia que queria aquela comida levava sensivelmente o mesmo tempo a completar a tarefa que no teste anterior. A tarefa era claramente mais difícil que a anterior, em que o macho só se enganou uma vez em vinte tentativas. Na experiência 2, em vinte tentativas, houve quatro situações em que o macho escolheu uma ferramenta demasiado curta, mas em duas delas recuperou a comida à mesma: agarrou no pauzinho pela ponta e meteu parte do bico dentro do tubo. Nos outros dois casos voltou à pequena bancada com os pauzinhos, escolheu um maior, e recuperou então a comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer estranho que os animais, pelo menos na primeira experiência, tentassem por vezes escolher uma ferramenta do tamanho certo e não agarrassem logo na ferramenta maior. Os autores especulam um pouco a esse respeito. Eles notam que uma ferramenta maior pode ser mais difícil de manobrar e logo levar a que a tarefa demore mais tempo. Se nesta experiência o tempo não é um factor importante, na natureza, com competidores, e presas vivas e capazes de se moverem, pode ter alguma influência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns de vocês poderão estar a pensar que a fêmea em questão era relativamente pouco esperta, mas não desdenhem já das capacidades da Betty. Esse pássaro fez uma das coisas mais espantosas que já vi um animal não humano fazer. Falarei disso daqui a duas contribuições. Para a próxima continuarei nas questões de escolha. Os corvos neocaledónicos sabem escolher bem o tamanho, mas e quanto à espessura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Chappell, J., &amp;amp; Kacelnik, A. (2002). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tool selectivity in a non-mammal, the New Caledonian crow (Corvus moneduloides)&lt;/span&gt;. Animal Cognition, 5:71-78. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1007/s10071-002-0130-2" target="_blank"&gt;DOI:10.1007/s10071-002-0130-2&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-3376467027479365341?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/3376467027479365341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=3376467027479365341&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3376467027479365341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/3376467027479365341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/ferramenta-certa-com-o-tamanho-certo.html' title='A semana do corvo: a ferramenta certa com o tamanho certo'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxQL5-LrBYI/AAAAAAAABHU/vbMSTCMFSzw/s72-c/ChappellKacelnik2002_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-2455056290282209499</id><published>2007-10-14T23:07:00.000+01:00</published><updated>2007-10-16T00:27:47.819+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A semana do corvo: capacidades inatas</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxK1LOLrBXI/AAAAAAAABHM/wXRzH4fjg1E/s1600/Kenward2005.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121354930663916914" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxK0x-LrBWI/AAAAAAAABHE/wma7VOXk0uU/s1600/Kenward2005_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121354496872220002" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; A imagem mostra um corvo da Nova Caledónia, a espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides,&lt;/span&gt; muito atarefado a usar um pauzinho para retirar comida de uma fenda. O uso de ferramentas existe num razoável número de outras criaturas na natureza, mas que revelam em geral pouca flexibilidade, e é muitas vezes inato. Claro que o facto de um comportamento se basear numa capacidade inata, não invalida o papel da aprendizagem e mesmo a existência de um padrão cultural. A produção e uso eficiente de ferramentas exigem obviamente um conjunto de competências motoras, e consequentes adaptações fisiológicas e neurológicas, e podem revelar-se nalguns tipos de propensão inata, mesmo entre os humanos. Todos os pais sabem que os bebés humanos começam a bater com objectos noutros objectos, e mesmo nos pais e visitas, muito antes de estarem aptos a usar martelos de forma adequada. Assim, antes de falar de cultura e aprendizagem noutras espécies, é importante perceber quais as competências de animais "ingénuos", isto é, que nunca tiveram acesso a treino. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/capacidades-inatas.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O estudo que analisa até que ponto as capacidade dos corvos neocaledónicos são inatas foi publicado num artigo de Ben Kenward e colegas na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nature&lt;/span&gt; (ref1). Os autores estudaram quatro animais jovens que tinham sido criados à mão por seres humanos desde pequenos, sem acesso a pauzinhos e coisas que tais. Os autores estudaram duas situações, uma em que mostravam o que fazer aos animais, e outra em que os colocavam sozinhos face a  pauzinhos e comida escondida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui um exemplo de um animal, com 98 dias, chamado  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uék&lt;/span&gt;, a quem foi mostrado o que fazer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxKP3-LrBRI/AAAAAAAABGc/q3xsSR5McPA/s1600/Kenward2005A.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121313918021207314" border="0" /&gt;O corvo olhou muito atentamente para o que o ser humano fez, chegando ao ponto de agarrar a extremidade do pauzinho. Depois de comer o que o humano tinha retirado, resolveu experimentar o utensílio, que ainda estava dentro da fenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxKQEOLrBSI/AAAAAAAABGk/ka6-cxDJ45Q/s1600/Kenward2005B.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121314128474604834" border="0" /&gt;O animal entreteve-se a manobrar o pauzinho de forma semelhante à que viu o humano fazer. Estes corvos são criaturas que mostram curiosidade e capacidade  de reproduzir o que observam. No entanto, o que fazem quando confrontados com ferramentas, sem que lhes seja mostrado como proceder? Isso foi testado com outros dois animais que nunca viram humanos ou congéneres a usarem ferramentas, nem tinham tido contacto prévio com ferramentas. O resultado é indicado nesta tradução livre do resumo do artigo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt; Os corvos neocaledónicos (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides&lt;/span&gt;) são entre as aves os mais prolíficos utilizadores de ferramentas. A variação regional na forma das suas ferramentas pode ser o resultado de evolução cultural cumulativa, um fenómeno considerado como apanágio da cultura humana. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mostramos aqui que corvos neocaledónicos juvenis criados à mão em cativeiro fabricam e utilizam ferramentas de forma espontânea, sem qualquer contacto com adultos da sua espécie e sem demonstrações anteriores por parte de humanos.&lt;/span&gt; A nossa descoberta é um passo crucial para produzir modelos de transmissão cultural nesta espécie, e nos animais em geral. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, é claro que estes corvos possuem uma capacidade pré-programada para o uso e mesmo o fabrico de ferramentas.  Para lá de serem capazer agarrar num pauzinho e andar com ele às voltas, os animais foram também capazes de fabricar ferramentas sem serem ensinados. Eis aqui um exemplo, em que um corvo chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corbeau&lt;/span&gt;, rasga uma tira da folha de uma planta do género &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pandanus&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxKn0-LrBTI/AAAAAAAABGs/o4zeDZZ8BUo/s1600/Kenward2005C.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121340254760666418" border="0" /&gt;Eis o mesmo animal, a usar uma tira desse tipo para procurar comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxKvk-LrBUI/AAAAAAAABG0/6PkHoEX7zTY/s1600/Kenward2005D.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121348775975781698" border="0" /&gt;Não tendo encontrado nenhuma comida naquele lado o animal tentou noutro sítio e foi recompensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxKv9uLrBVI/AAAAAAAABG8/YVqS8-BF4w4/s1600/Kenward2005E.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121349201177544018" border="0" /&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corbeau&lt;/span&gt; aprendeu a fazer tudo isto sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como referi no início, o facto de os animais conseguirem utilizar e fabricar ferramentas, sem serem ensinados, não quer dizer no entanto que não haja espaço para aprendizagem, e mesmo para um qualquer tipo de cultura. Os autores notam que as ferramentas produzidas por estes animais "ingénuos" são bastante diferentes daquelas que os animais usam na natureza. Isso, e a atenção que os animais mostraram face ao uso de ferramentas pelos humanos, sugere que possa existir uma componente cultural sobreposta a uma tendência inata. Além disso, os corvos parecem capazes de avaliar a aptidão das ferramentas para o fim que têm em vista, sem precisarem de recorrer a tentativa e erro.  Mas isso terá que ficar para a próxima contribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Ben Kenward, Alex A. S. Weir, Christian Rutz, and Alex Kacelnik (2005). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tool manufacture by naive juvenile crows&lt;/span&gt;. Nature, 433: 121. &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1038/433121a" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DOI:10.1038/433121a&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-2455056290282209499?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/2455056290282209499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=2455056290282209499&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2455056290282209499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/2455056290282209499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/capacidades-inatas.html' title='A semana do corvo: capacidades inatas'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxK1LOLrBXI/AAAAAAAABHM/wXRzH4fjg1E/s72-c/Kenward2005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-4181218866720017754</id><published>2007-10-13T06:51:00.000+01:00</published><updated>2007-10-13T07:19:15.870+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Extras'/><title type='text'>A semana do corvo</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxBfbOLrBQI/AAAAAAAABGU/IBtzXCCGZXs/s1600/mapa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120697697588413698" border="0" /&gt; Algures debaixo daquele pontinho azul ficam as ilhas da Nova Caledónia, um local de paisagens deslumbrantes, e lar de animais e plantas únicos. Já falei &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/09/os-corvos-aqueles-grandes-pensadores.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; de um desses animais, o corvo da espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides&lt;/span&gt;. Trata-se de um corvo capaz de, não apenas utilizar, mas também fabricar ferramentas, e com capacidades cognitivas que se conhecem apenas nos seres humanos e nos grandes símios. É seguramente um dos animais mais fascinantes do planeta. A começar no próximo Domingo, e durante toda a semana, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corvus moneduloides &lt;/span&gt;será o convidado de honra aqui no Cais de Gaia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-4181218866720017754?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/4181218866720017754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=4181218866720017754&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/4181218866720017754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/4181218866720017754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/semana-do-corvo.html' title='A semana do corvo'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxBfbOLrBQI/AAAAAAAABGU/IBtzXCCGZXs/s72-c/mapa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-7073884794050714966</id><published>2007-10-13T04:40:00.000+01:00</published><updated>2007-10-13T04:03:06.000+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Segurança na estrada</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxAxl-LrBPI/AAAAAAAABGM/MTikWBpy4Qk/s1600/alce5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120647304737129714" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxAwguLrBOI/AAAAAAAABGE/wP3LQ5g8cXc/s1600/alce_ico1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120646115031188706" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Falei, na penúltima contribuição, de um trabalho de 2001, de um senhor chamado Joel Berger, que se disfarçava de alce para estudar o impacto da chegada de predadores, como ursos e lobos, em regiões onde os humanos os tinham exterminado dezenas de anos antes. Como referi, após um período inicial de desnorte, em que os alces tratavam os lobos como simples coiotes, e em que as mães os deixavam aproximarem-se a curta distância das crias, matando-as mesmo ao seu lado, os alces aprenderam a ser cuidadosos. Joel Berger continuou a estudar estas populações de alces, e acaba de documentar uma estratégia notável que as mães alces, como a da figura, usam para conseguirem um parto livre de ursos. Como descrevi, algumas contribuições atrás, as estradas são locais perigosos para os alces, mas pelos vistos também têm os seus benefícios, como as mães alces rapidamente descobriram. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/segurana-na-estrada.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O novo artigo de Joel Berger foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Royal Society Biology Letters&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;As áreas protegidas são pontos de referência cruciais para aferir a mudança ecológica, contudo, certas áreas de África, Ásia e da América do Norte, que retêm grandes carnívoros, estão sob intensa pressão económica e política para acomodar uma quantidade imensa de visitantes e providenciar a infrastrutura adequada. Uma consequência indesejada é a forte modulação da interação  tripartida envolvendo pessoas, predadores, e presas, uma dinâmica que coloca em questão até que ponto a interação e distribuição dos animais são independentes de influências humanas subtis.  &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Este é um aspecto que eu já referi a propósito das aves ciganas e dos golfinhos: o chamado ecoturismo é sobretudo turismo, e de ecológico tem muito pouco. O afluxo regular de visitantes tem sempre algum tipo de efeito pernicioso no ecossistema. No caso dos alces as modificações estão ligadas a infrastruturas construídas pelos humanos.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Aqui, eu recorro à notável sincronia dos nove dias em que nascem 90% do alces neonatos no ecossistema de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Yellowstone&lt;/span&gt;, para demonstrar uma mudança substancial na forma como as presas evitam os predadores; os locais de parto deslocam-se das zonas com ursos pardos aversos ao tráfego, e na direcção de estradas pavimentadas. Este modificação ao longo de um decénio esteve associada com a recolonização dos carnívoros, mas &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;nem as mães em zonas livres de ursos nem as mães fora dos períodos de parto alteraram os seus padrões de uso das paisagens&lt;/span&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O ênfase é meu e ilustra um ponto importante, os alces fêmeas continuam a alimentar-se nas suas áreas tradicionais, é só durante o período crítico do parto, e apenas em regiões com ursos, que se aproximam das estradas alcatroadas. Porque é que os alces o fazem? Os humanos são pouco tolerantes em relação a predadores de grande envergadura que se aproximem demasiado, daí que os ursos receiem as estradas, mantendo em geral pelo menos cerca de 500 metros de distância das bermas. É nesta "zona livre de ursos" que os alces fêmeas dão à luz. É um resultado curioso e muito interessante, com implicações que vão para além do caso dos alces. &lt;blockquote&gt;Estas descobertas oferecem evidência conclusiva de que os mamíferos usam os humanos como escudo contra os carnívoros e levantam a possibilidade de que essa redistribuição ocorreu noutros grupos de mamíferos, devido à presença humana, tomando formas que temos ainda que adivinhar. Para interpretar o funcionamento ecológico dos sistemas dentro dos parques, temos também que levar em consideração os efeitos antropogénicos indirectos na distribuição e comportamento das espécies.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Pois é, os parques não são vitrinas em que se observa a dinâmica natural dos animais que lá vivem. São sistemas artificiais, fortemente influenciados pela presença humana. Neste caso, os humanos trazem benefícios a uma das partes (os alces), mas retiram aos ursos a possibilidade de uma refeição fácil, e inflacionam a taxa de sobrevivência dos alces jovens. Toda a dinâmica do parque, incluindo os tipos de vegetação e populações de aves é afectada, pois as populações de alces têm um impacto profundo no ecossistema. Não deixa no entanto de ser notável ver como as populações de alces se adaptaram em tão pouco tempo à presença dos predadores, e desenvolveram estratégias tão eficientes para os evitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem via &lt;a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:%C3%89lan_RMNP.jpg" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Joel Berger (2007). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fear, human shields and the redistribution of prey and predators in protected areas&lt;/span&gt;. Royal Society Biology Letters, no prelo. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1098/rsbl.2007.0415" target="_blank"&gt;doi:10.1098/rsbl.2007.0415&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-7073884794050714966?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/7073884794050714966/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=7073884794050714966&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7073884794050714966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/7073884794050714966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/segurana-na-estrada.html' title='Segurança na estrada'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RxAxl-LrBPI/AAAAAAAABGM/MTikWBpy4Qk/s72-c/alce5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-6850140084291160913</id><published>2007-10-12T09:43:00.000+01:00</published><updated>2007-10-12T10:48:32.121+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Geologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paleontologia'/><title type='text'>Sopa da pedra - versão zero</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw895OLrBMI/AAAAAAAABF0/YCsbNjGMxbY/s1600/caisdegaia_00.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120379354612434114" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw89meLrBLI/AAAAAAAABFs/3pWDqPngKWM/s1600/caisdegaia_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120379032489886898" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Algumas pessoas têm reclamado que eu não coloco apontadores para outros blogues na barra lateral. A questão é que não gosto disso, não me apetece ter uma barra com centenas de nomes, a maioria deles entretanto desaparecidos. Se vejo algo de que gosto prefiro escrever sobre isso ou incluir um laço numa das minhas contribuições. Sendo assim, decidi iniciar uma nova rubrica. No primeiro  fim de semana do mês de Novembro farei uma resenha de contribuições sobre Geologia e Paleontologia, em português, publicadas durante o mês de Outubro noutros blogues. Aceito sugestões; se tiverem encontrado algo interessante, ou se quiserem fazer publicidade ao vosso blogue, enviem uma mensagem para o email que se encontra na barra lateral, ou deixem um comentário aqui. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/sopa-da-pedra-verso-zero.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O critério é algo vasto. As coisas que me interessam são:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Ruminações de especialistas do ramo, desde que minimamente interessantes, e que não se percam em considerações sobre política ou criacionismo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Menções a descobertas por parte de não especialistas, tal como  se faz neste blogue, desde que  incluam referências e não se limitem a ser cópias de comunicados de imprensa.  &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Entusiastas que falem dos seus passeios a grutas, recolha de fósseis e calhaus, visitas a museus, etc.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;Porque não uma sopa de vermes ou algo semelhante dedicada à Biologia? Bem, logo se verá. Para já isto parece-me mais fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Já que algumas pessoas mostraram curiosidade em relação ao nome deste blogue aproveito para esclarecer. Não tem nada que ver com teorias da Terra como organismo vivo, nem com grupos ecológicos. Vila Nova de Gaia é uma cidade no norte de Portugal, situada na margem esquerda do Douro, junto à Foz. O Cais de Gaia é o nome da zona ribeirinha, que mostro na imagem. A fotografia é da minha autoria, e pode ser usada livremente.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-6850140084291160913?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/6850140084291160913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=6850140084291160913&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6850140084291160913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6850140084291160913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/sopa-da-pedra-verso-zero.html' title='Sopa da pedra - versão zero'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw895OLrBMI/AAAAAAAABF0/YCsbNjGMxbY/s72-c/caisdegaia_00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-416534234891573745</id><published>2007-10-12T06:02:00.001+01:00</published><updated>2007-10-12T09:05:12.002+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>A candura das presas</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw8mcOLrBII/AAAAAAAABFU/ZGRjcifxf1c/s1600/JoelBerger_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120353567628788866" border="0" /&gt; A imagem ao lado mostra dois cavalheiros vestidos com uma fantasia animal. Não se trata de nenhum jogo, nem de nenhuma partida, trata-se de trabalho científico muito sério. Eu falei &lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/04/treinada-para-enfrentar-as-feras.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;, há algum tempo atrás, do trabalho que investigadores de uma universidade brasileira faziam para habituar emas, criadas em cativeiro, aos predadores que iriam encontrar se libertadas num meio natural. Vou voltar a essa questão mas de um outro prisma: o que sucede quando predadores voltam a áreas de onde tinham desaparecido? Uma situação desse tipo está a acontecer no Parque de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Yellowstone&lt;/span&gt;, no Estados Unidos, com a reintrodução dos lobos e com a expansão da população de ursos pardos. Uma das espécies afectadas é o alce (espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alces alces&lt;/span&gt;) e é dessa criatura que Joel Berger e colega estão disfarçados. O disfarce permitia-lhes aproximarem-se dos animais e lançarem-lhes  bolas de neve ensopadas em urina humana, de lobo, e de urso. Claro que a imprensa pegou sobretudo no aspecto algo folclórico e deu pouca importância à investigação em si. Os investigadores chegaram a ser convidados a aparecer, vestidos de alce, em programas televisivos, mas recusaram, pois não lhes era dado tempo suficiente para estabelecerem a seriedade do trabalho que faziam. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/candura-das-presas.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Esta pesquisa foi publicada num artigo de Joel Berger, Jon Swenson, e Inga-Lill Persson na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Science&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A extinção actual de muitos dos grandes carnívoros terrestres deixou muitas das espécies-presa existentes sem conhecimento de predadores contemporâneos, uma situação que tem paralelo à de 10,000 a 50,000 anos atrás, quando animais ingénuos encontraram pela primeira vez caçadores humanos coloizadores. Ao longo das frentes modernas de recolonização por carnívoros, os ursos castanhos (também chamados pardos) matam alces adultos ingénuos a taxas desproporcionalmente elevadas na Escandinávia, e mães alces que perderam crias para os lobos recolonizadores na região de Yellowstone na América do Norte desenvolveram hipersensibilidade aos uivos dos lobos. Embora as presas, que não tinham tido contacto com predadores durante a 50 a 130 anos, fossem altamente vulneráveis aos encontros iniciais, ajustes comportamentais para reduzir a predação surgiram apenas numa única geração. O facto de pelo menos uma espécie-presa ter aprendido rapidamente a ter cuidado com os carnívoros reintroduzidos deve mitigar medos relativos à extinção localizada de presas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Há vários pontos neste estudo que merecem um tratamento mais detalhado. Os autores escolheram locais na Escandinávia, Alasca e na região do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Yellowstone&lt;/span&gt;, onde podiam encontrar três tipos de populações: (i) populações livres de predadores, (ii) populações não habituadas a predadores mas que enfrentavam uma recolonização nos seus territórios por predadores, e (iii) populações em locais onde alces e lobos coexistiam há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os autores submeteram os alces a toda uma série de estímulos, por exemplo os auditivos. Vestidos de alce, os autores passavam gravações de vários sons aos animais. Como controlo, verificaram que ao passarem ruído de água a correr não havia diferenças no comportamento de alces habituados e não habituados. Contudo, quando passavam sons de lobos, havia um aumento de 250% nos comportamentos de vigilância nos alces do Alasca habituados a predadores, relativamente a grupos, também do Alasca, mas habituados a viverem em regiões sem lobos. Curiosamente, os alces das regiões onde coexistem há muito com predadores são sensíveis a um outro estímulo auditivo: os crocitares de chamamento dos corvos quando encontram carcaças de animais mortos. Os alces que viviam em regiões com experiência prolongada no contacto com predadores mostravam uma resposta seis vezes maior a esses chamamentos em relação aos animais ingénuos. Faz sentido pois os bandos de corvos estão muitas vezes ligados a ursos e lobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre animais ingénuos e habituados era também patente na resposta a estímulos olfativos. Aqui entra mais uma vez aquela história do disfarce de alce. Os autores fizeram 70 tentativas em que lançavam urina de lobo no meio de alces ingénuos, e em nenhuma delas os animais abandonaram o local. Aliás em 16% dos casos os alces ingénuos aproximavam-se mesmo dos odores. Os alces habituados nunca o faziam. Quando enfrentam lobos ou ursos, os alces baixam a cabeça, recolhem as orelhas, e erguem os pêlos do pescoço. Os alces habituados reagiam desta forma em 47% das vezes em que eram confrontados com os odores. Apenas em 11% dos casos é que os alces ingénuos mostraram comportamento agressivo quando confrontados com estímulos olfativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dá para perceber a resposta dos alces aos predadores é em grande parte aprendida, não é uma coisa inata. As populações sem contacto "esquecem" o que devem fazer. Isso vê-se claramente nas taxas de predação. Nas regiões em que entram em contacto com populações ingénuas os ursos têm um sucesso muito maior no que se refere à captura de alces adultos. Os autores referem, por exemplo, que numa região de Yellowstone, onde alces e ursos coexistem desde 1880, não há registos de alces adultos mortos por ursos de 1959 a 1992. Noutra região de Yellowstone, onde só recentemente começaram a aparecer ursos, 10 alces adultos foram mortos por ursos entre 1996 e 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas após a fase vulnerável do impacto inicial, os alces mostraram ser capazes de reagir. As mães alces, em zonas onde a presença de predadores era algo recente, e que tinham perdido crias para lobos, mantinham-se muito mais vigilantes (aumento de 500%) no ano seguinte e escolhiam outros locais para darem à luz as suas crias. Desenvolviam também uma sensibilidade extrema aos uivos dos lobos, muito mais que animais de zonas onde os alces e lobos nunca deixaram de coexistir. Uma geração não foi no entanto tempo suficiente para os animais aprenderem a recear o cheiro a urina dos lobos e ursos, nem o crocitar dos corvos. Mas a reacção dos alces é encorajadora, pois os autores receavam um cenário de extinção generalizada, tal como tinha sucedido quando os caçadores humanos invadiram continentes como a Austrália e as Américas onde os animais não os temiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação no caso dos alces é apesar de tudo algo diferente da que sucedeu com os seres humanos. Os homens caçavam tudo, machos e fêmeas,  juvenis e adultos. Embora lobos e ursos matem alces adultos, os alvos primordiais são sobretudo os juvenis e as crias. Isso permite aos adultos, após um contacto inicial com mortalidade elevada, ajustarem os comportamentos de uma época de procriação para a seguinte. Claro que os  alces mostraram também serem animais relativamente adaptáveis e espertos, e é possível que os animais que se extinguiram no contacto com os humanos tivessem mais dificuldade nesses aspectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um artigo recente mostra um desenvolvimento curioso nesta adaptação dos alces aos predadores. É a tal referência às estradas que tinha anunciado na contribuição anterior, e de que falarei amanhã. Deixo-vos para já com uma imagem que ilustra bem o tamanho destes animais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw8mmOLrBJI/AAAAAAAABFc/1JU0n35VEJo/s1600/alce4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120353739427480722" border="0" /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem cortesia de Dieter Wirz via &lt;a style="font-style: italic;" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Moose_Zoo_%C3%96stersund.jpg" target="_blank"&gt;Wikimedia Commons&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Berger, J., J. E. Swenson, and I. Per-Illson (2001).  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Re-colonizing Carnivores and Naive Prey; Conservation Lessons from Pleistocene Extinctions.&lt;/span&gt; Science 291:1036-1039. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1126/science.1056466" target="_blank"&gt; DOI:10.1126/science.1056466&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-416534234891573745?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/416534234891573745/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=416534234891573745&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/416534234891573745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/416534234891573745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/candura-das-presas.html' title='A candura das presas'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw8mcOLrBII/AAAAAAAABFU/ZGRjcifxf1c/s72-c/JoelBerger_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-5342487345271415336</id><published>2007-10-11T00:06:00.000+01:00</published><updated>2007-10-12T08:53:57.211+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Colidir com um alce</title><content type='html'>&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw3r1OLrBDI/AAAAAAAABEs/HnfpXZaJgfM/s1600/alce_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120007650962768946" border="0" /&gt;Este é um sinal rodoviário que se pode encontrar com alguma frequência na Terra Nova, no Canadá. Não é um aviso qualquer,  mas sim algo a que convém prestar mesmo muita atenção. No sinal podem ver um carro desfeito e ao lado a silhueta imponente de um alce (espécie &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alces alces&lt;/span&gt;). A imagem do alce incólume e do carro destruído dá uma ideia daquelas cenas típicas de desenhos animados, em que ninguém se magoa, só que as coisas não são bem assim. Os embates com automóveis são muito perigosos, quer para os alces, quer para os humanos. Algo que confirmei ao encontrar alguma literatura sobre o tema, em sueco. Mais especificamente, encontrei um relatório sobre testes do comportamento de diversos modelos de automóveis em embates com alces. Claro que nesses testes os suecos não usam animais vivos, recorrem a "bonecos", mas os estragos são semelhantes aos de um alce verdadeiro. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/colidir-com-um-alce.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O trabalho sobre os testes de embate com alces é da autoria de Ylva Matstoms e faz parte de uma série de relatórios designada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;VTI meddelande&lt;/span&gt; (ref1). Está quase tudo em sueco mas há um pequeno resumo em inglês. A partir desse resumo é fácil perceber o que está em jogo. Na Suécia, em cada ano, cerca de 80 pessoas morrem, ou são feridas com gravidade, em acidentes envolvendo alces. No resumo em inglês não referem as baixas no lado dos alces, mas suponho que sejam em número muito mais elevado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 0pt 10px 10px; padding: 0pt; float: right;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw3s4uLrBEI/AAAAAAAABE0/BLwnfW5M6N0/s1600/alce0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120008810603938882" border="0" /&gt;O álcool não é,em geral, uma causa destes acidente. Os condutores humanos envolvidos nestas colisões estavam  em geral sóbrios, e suponho que os alces também. A maioria dos embates ocorre em estradas públicas, com um limite de velocidade de 90 km/hora, com o alce a aparecer de forma súbita e inesperada, não dando ao condutor tempo para se desviar, ou mesmo travar a viatura. Numa colisão com animais pequenos, os bichos batem no pára-choques do carro e são projectados. Isso não sucede com um alce. Um alce é um pouco como ter um barril de mais de meia tonelada em cima de umas andas. Face a automóvel de passageiros de tamanho normal, as pernas do alce ficam ao nível do pára-choques e o corpo do animal ultrapassa em altura o tejadilho do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui um esquema dos primeiros 60 milissegundos de uma colisão típica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw37S-LrBFI/AAAAAAAABE8/1R6tSb8bFCo/s1600/alce1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120024654738293842" border="0" /&gt;Nos primeiros instantes de um embate o infeliz alce fica de imediato com as pernas partidas, mas muito pouca energia é transferida do veículo para o corpo do animal. O verdadeiro impacto não é com o pára-choques do automóvel, mas sim com o pára-brisas, a parte estruturalmente mais fraca do veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw4UW-LrBHI/AAAAAAAABFM/ZqWPHkwThmQ/s1600/alce3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120052211248465010" border="0" /&gt;Como o alce acaba muitas vezes por esmagar o tejadilho, e lançar o pára-brisas na direcção dos ocupantes, nem mesmo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;airbag&lt;/span&gt; e cintos de segurança ajudam por aí além num acidente destes. Daí o interesse em fazer testes de colisão. O modelo que os suecos usam é uma coisa, com o tamanho e peso aproximados de um alce, suspensa  a uma  altura corrpespondente ao corpo do animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui o resultado de um dos testes dessa coisa chamada "Alce II".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw4PDuLrBGI/AAAAAAAABFE/RE426tErSAM/s1600/alce2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120046382977844322" border="0" /&gt;O carro ficou bastante destruído. Mas não se pense que o modelo exagera os efeitos das colisões. Eu sabia que tinha visto algo relativo a este tema, alguns anos atrás. Após procurar um pouco na minha caixa do correio, encontrei referência a umas imagens, que circulavam por volta de 2004, sobre um acidente envolvendo um alce. Infelizmente, os endereços onde se encontrariam as imagens já não tinham nada lá. Contudo na internet nada se perde e, após pesquisar um pouco, lá encontrei o que queria. As imagens podem ser vistas &lt;a href="http://www.snopes.com/photos/accident/moose.asp" target="_blank"&gt;aqui.&lt;/a&gt; O mais supreendente é que a senhora que ia no automóvel escapou apenas com ferimentos ligeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo este enredo de alces e automóveis tem a ver com um estudo científico recente. É uma história de alces que procuram a vizinhança das estradas. Será que são suicidas? Tudo será revelado na próxima contribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sinal rodoviário obtido via &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Newfoundland_Moose_Sign.jpg" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Ylva Matstoms (2003). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Evaluation of the moose dummy Mooses II with a view to consumer guidance&lt;/span&gt;. VTI meddelande 955. &lt;a href="http://www.vti.se/templates/Report____2797.aspx?reportid=2451" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PDF&lt;/span&gt; (em sueco)&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-5342487345271415336?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/5342487345271415336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=5342487345271415336&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5342487345271415336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/5342487345271415336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/colidir-com-um-alce.html' title='Colidir com um alce'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rw3r1OLrBDI/AAAAAAAABEs/HnfpXZaJgfM/s72-c/alce_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-6648327526154423345</id><published>2007-10-10T02:30:00.000+01:00</published><updated>2007-10-10T06:15:26.597+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Uma história de corvos interpretada por orangotangos</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rww_yOLrA9I/AAAAAAAABD8/J_8k3DXTn34/s1600/MiloWinter_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119537008446473170" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rww_UeLrA8I/AAAAAAAABD0/VUdCur7Wh6k/s1600/MiloWinter0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119536497345364930" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; A ilustração aqui ao lado refere-se a uma conhecida fábula de Esopo, "o corvo e o jarrro." É a história de um corvo morto de sede que encontra um jarro com água, mas com apenas um pouquinho no fundo, de tal maneira que o animal não consegue lá chegar com o bico. O jarro é também demasiado pesado para que o animal o consiga virar. O corvo tem no entanto uma ideia e começa a largar pequenas pedras dentro do jarro. Tantas lança que a água finalmente sobe o suficiente para que o animal possa saciar a sua sede. Esta é mais ou menos a versão que me recordo da minha infância e a moral da história era qualquer coisa como "o engenho vale mais que a força bruta."  Ora foi publicado  um artigo que é uma espécie de encenação moderna desta história, só que em vez de um corvos temos como protagonistas orangotangos, em vez de sede temos a vontade de comer um amendoim, e em vez da largada de seixos temos cuspidelas de água. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/uma-histria-de-corvos-interpretada-por.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O trabalho com os orangotangos é da autoria de Natacha Mendes, Daniel Hanus, e Josep Call e foi publicado na revista  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Royal Society Biology Letters&lt;/span&gt; (ref1). Pelo que percebi da referência à FCT nos agradecimentos, Natacha Mendes é uma estudante portuguesa a fazer o seu doutoramento por terras germânicas. Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Investigámos o uso de água como ferramenta confrontando cinco orangotangos (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pongo abelii&lt;/span&gt;) com um amendoim a flutuar fora de alcance dentro de um tubo vertical transparente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui, em imagens, o dispositivo, e uma mãe orangotango maila sua cria. A mãe inspeciona o dispositivo, vê que o dedo não chega ao amendoim e depois desaparece da imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RwxX7-LrBCI/AAAAAAAABEk/Boy4E71E8mY/s1600/NatachaMendes2007A.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119563564229264418" border="0" /&gt;A cria repete o comportamento da mãe, que na verdade não tinha desistido. Limitou-se a procurar em volta até encontrar uma ferramenta para tirar o amendoim.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Todos os orangotangos recolheram água de um bebedouro e cuspiram-na para dentro do tubo para ganhar acesso ao amendoim. Os indivíduos necessitaram de uma média de três bocas cheias de água para alcançarem o amendoim. Esta solução ocorreu na primeira tentativa e todos os indivíduos continuaram a usar esta estratégia de sucesso nas tentativas subsequentes.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui os mesmo animais da sequência anterior, com a mãe a encher o tubo com a água que traz na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RwxXj-LrBBI/AAAAAAAABEc/CJZaYrvYrpE/s1600/NatachaMendes2007B.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119563151912403986" border="0" /&gt;Só que este esguicho não foi suficiente. Ele verifica de novo o alcance dos dedos e confirma que o amendoim está fora de alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RwxXaOLrBAI/AAAAAAAABEU/uqpA2j2yPe0/s1600/NatachaMendes2007C.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119562984408679426" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt; Parte então novamente em busca de água, que desta vez enche o tubo até colocar o amendoim ao alcance dos dedos.&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RwxXHuLrA_I/AAAAAAAABEM/LkDlAqJ5o0k/s1600/NatachaMendes2007D.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119562666581099506" border="0" /&gt;Como é costume neste tipo de estudos os autores fizeram uma série de controlos:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A demora em obter a recompensa diminuíu de forma drástica após a primeira tentativa. Para além disso, a demora entre as cuspidelas em relação à primeira boca cheia também diminuíu dramaticamente na primeira tentativa para as seguintes na mesma  tentativa ou em tentativas subsequentes. Condições de controlo adicional sugeriram que esta resposta não era devida à simples presença do tubo, à exitência de água no interior, ou à frustração de não conseguir a recompensa.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Adoro que tenham controlado para o "já que não te consigo agarrar cuspo-te em cima." O resumo termina com uma frase que parece a conclusão óbvia do estudo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt; A aquisição súbita do comportamento, o tempo das acções e as diferenças com condições de controlo fazem deste comportamento um candidato provável para a resolução ponderada de problemas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Fascinante. Interrogo-me quantos alunos das nossas universidades seriam capazes de resolver este problema pelo engenho e não pela força bruta. Eis aqui as imagens que mostram a mãe orangotango a recolher a sua recompensa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RwxWxuLrA-I/AAAAAAAABEE/jknYJ0Acaac/s1600/NatachaMendes2007E.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119562288623977442" border="0" /&gt;O olhar triste da cria não lhe serviu de nada, a mãe comeu o amendoim. Simpatizei com o pequenito, espero que os tratadores lhe tenham dado qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ilustração da fábula de Esopo por Milo Winter (1886-1956) via &lt;a href="http://www.gutenberg.org/files/19994/19994-h/19994-h.htm" target="_blank"&gt;etexto no projecto Gutemberg.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagens da experiência retiradas do filme que acompanha o artigo indicado como ref1 abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Natacha Mendes, Daniel Hanus, e Josep Call (2007). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Raising the level: orangutans use water as a tool&lt;/span&gt;. Royal Society Biology Letters Volume 3, Number 5, 453-455. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1098/rsbl.2007.0198" target="_blank"&gt;DOI:10.1098/rsbl.2007.0198&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-6648327526154423345?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/6648327526154423345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=6648327526154423345&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6648327526154423345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/6648327526154423345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/uma-histria-de-corvos-interpretada-por.html' title='Uma história de corvos interpretada por orangotangos'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rww_yOLrA9I/AAAAAAAABD8/J_8k3DXTn34/s72-c/MiloWinter_ico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-1635349305002766618</id><published>2007-10-09T08:20:00.000+01:00</published><updated>2007-10-09T09:38:04.593+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paleontologia'/><title type='text'>A guerra das escamas compridas</title><content type='html'>&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RwsyJ-LrA5I/AAAAAAAABDc/jcfgJ4dl7GE/s1600/longisquama2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119240548328866706" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp2.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RwsxfuLrA4I/AAAAAAAABDU/Cj--EriKEDM/s1600/longisquama_ico1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119239822479393666" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; Esta é uma reconstrução do aspecto do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama insignis&lt;/span&gt;, o tal réptil estranho encontrado por Alexander Sharov na Quirguízia. O animal é de facto bizarro mas assim à primeira vista não parece coisa para despertar grandes paixões, nem capaz de inflamar os ânimos. Na verdade, descrita em 1970, a criatura foi durante muito tempo encarada como um curiosidade, e só recentemente se gerou a controvérsia de que falei nas contribuições anteriores. Esta história do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; é um bom exemplo de como as coisas podem ficar feias entre cientistas, quando há subjectividade na avaliação dos dados. Já referi anteriormente o artigo original de Terry Jones e colegas que falavam nas penas, e num artigo de Robert Reisz e Hans-Dieter Sues, que dizia que não era nada disso. Por incrível que possa parecer, ambos os trabalhos tinham como base o mesmo fóssil. Onde se vê até que ponto as coisas ficaram azedas é em comentários e subsequentes respostas ao artigo de Terry Jones na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Science&lt;/span&gt; que eu não resisto a mostrar aqui. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/guerra-das-escamas-compridas.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;Vamos então às guerras do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; (ref1). No início do primeiro comentário, Richard Prumm é algo lacónico:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O réptil do Triásico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; possui apêndices integumentares em forma de lâminas que Terry D. Jones e colegas no seu relato "Penas não avianas num arcossauro do Triásico Tardio" propõem serem homólogas às penas avianas. Contudo, um exame da sua evidência sugere que esta conclusão tem falhas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Basicamente o autor fornece uma leitura diferente das características morfológicas das estruturas e conclui que as semelhanças são superficiais. Isto baseado numa análise do fóssil que teria feito na mesma altura que a equipa do artigo de Terry Jones e colegas. A resposta de Jones e colegas é igualmente contundente e nem é preciso entrar nos detalhes:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Richard Prum diz que  "examinou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; com os autores em Abril de 1999." Embora cada coautor do nosso relato tenha passado muitas horas durante 3 a 4 dias a estudar todo o material disponível o "exame" de Prum (testemunhado por todos os coautores) consistiu de 5 a 10 minutos de manuseamento apenas da placa principal. Muitas das suas outras afirmações são igualmente enganadoras ou incorrectas. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Acho que nãoé preciso citar mais nada desta parte da resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda um comentário de Unwin e Benton que para lá de diferenças na interpretação morfológica das "penas", foca os aspectos filogenéticos. Os vários grupos de répteis podem distinguir-se por aberturas entre os ossos do crânio, as fenestras (janelas). Foi com base nessas aberturas, que julgou identificar no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama,&lt;/span&gt; que Sharov o identificou como arcossauriano. Unwin e Benton dizem contudo que essas aberturas não são fiáveis no crânio do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; e poderão simplesmente representar danos no fóssil. Vão ainda mais longe:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Nos vestígios conhecidos do esqueleto do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; faltam todas as outras características de diagnóstico arcossauriano [a fúrcula mencionada por Jones et al. consiste em clavículas emparelhadas, tal como Sharov notou originalmente], mas exibem duas características, dentes acrodontes e uma interclavícula, que são típicas dos lepidossauros. Em consequência, suspeitamos que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; não é um arcossauro.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ou seja chegam mesmo a propor que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; poderá estar mais próximo das cobras e lagartos (lepidossauros) que das aves e crocodilos (arcossauros). Ora Terry Jones e colegas responderam à letra:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Embora Unwin and Benton sugiram que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; não seria um arcossauro, uma fenestra anteorbital, a marca que define os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Archosauria&lt;/span&gt;, é claramente visível na contra-placa. Contrariamente às afirmações adicionais por Unwin and Benton, a interclavícula é retida num certo número de arcossauros (por exemplo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Euparkeria&lt;/span&gt;) e aves, e a fúrcula do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; é virtualmente idêntica à do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Archaeopteryx&lt;/span&gt;. Devido à pobre preservação, a natureza exacta da inclusão dos dentes não pode, no presente, ser determinada a partir dos exemplares conhecidos. Concordamos com Sharov, e todos os autores anteriores, no provável estatuto arcossauriano do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Como se pode ver por esta amostra de citações, cada um dos lados vê as coisas que lhe dão jeito e atribui os problemas a questões de preservação do fóssil. Os argumentos são do tipo "tu vês isso mas é um disparate, eu vejo isto e eu é que sei." É óbvio que para acalmar os ânimos precisamos de mais fósseis desta criatura, que possam para já confirmar que as estruturas pertencem mesmo ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt;, e que nos permitam ter mais certezas na interpretação do esqueleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ilustração cortesia de Arthur Weasley via &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Longisquama_BW.jpg" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikimedia Commons&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Richard O. Prum;, D. M. Unwin, M. J. Benton;, Terry D. Jones, John A. Ruben, Paul F. A. Maderson, and Larry D. Martin (2001). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama Fossil and Feather Morphology&lt;/span&gt;. Science Vol. 291. no. 5510, pp. 1899 - 1902. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1126/science.291.5510.1899c" target="_blank"&gt;DOI: 10.1126/science.291.5510.1899c&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-1635349305002766618?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/1635349305002766618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=1635349305002766618&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1635349305002766618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/1635349305002766618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/guerra-das-escamas-compridas.html' title='A guerra das escamas compridas'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/RwsyJ-LrA5I/AAAAAAAABDc/jcfgJ4dl7GE/s72-c/longisquama2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-4188897931311434423</id><published>2007-10-08T06:12:00.000+01:00</published><updated>2007-10-09T09:23:47.536+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paleontologia'/><title type='text'>Nem sempre uma escama longa é uma pena</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; padding: 0pt; float: left;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rws1ueLrA7I/AAAAAAAABDs/_sKD_hfUPAo/s1600/longisquama_ico2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119244473928975282" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rwr48uLrA0I/AAAAAAAABC4/W4ybTnrzE2o/s1600/longisquama0.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119177648532816706" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; De volta ao enigmático réptil descoberto por Sharov na década de 1960, ou mais exactamente às coisas que o bicho tinha nas costas. O  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; era um animal pequeno, que viveria uma vida provavelmente arborícola alimentando-se de insectos nas florestas da Ásia cerca de 220 milhões de anos atrás. O mundo do Triásico em que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama insignis&lt;/span&gt; vivia era povoado por outros répteis fantásticos, como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sharovipteryx mirabilis&lt;/span&gt; de que falei há pouco tempo, e de outros seres igualmente bizarros conhecidos como lagartos-macacos, de que falarei proximamente. Para já vou falar da controvérsia em relação às hastes que lhe saíam das costas. A discussão não demorou muito a passar para a literatura científica. Uns meses depois do artigo que dizia que as estruturas eram penas semelhantes às das aves modernas, saíu um artigo, baseado exactamente nos mesmos vestígios, a dizer que aquelas coisas de penas não tinham nada. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/nem-sempre-uma-escama-longa-uma-pena.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O artigo que diz que o que se vê nas costas do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; não são penas é da autoria de Robert Reisz e Hans-Dieter Sues e foi publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nature&lt;/span&gt; (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Os apêndices dorsais alongados do réptil &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama insignis&lt;/span&gt; do Triásico do Quirguistão, foram reinterpretatados recentemente como sendo o primeiro registo de penas num tetrápode não aviano — precedendo por grande margem as penas da mais antiga ave conhecida, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Archaeopteryx&lt;/span&gt;. Apresentamos aqui evidência de que as escamas dorsais do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; não são penas, e que elas são de facto marcadamente diferentes de penas avianas. Concluímos que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Archaeopteryx&lt;/span&gt; permanece o mais antigo tetrápode conhecido com penas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não vou entrar em detalhes, os autores dizem que o veio que se vê nas estruturas do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; não se assemelha à haste de uma pena e que as extremidades distais das estruturas  não têm nada a ver com as das penas. Este trabalho baseia-se exactamente no mesmo fóssil que o trabalho anterior. Não deixa de ser impressionante como as conclusões podem ser tão antagónicas.   Mas as reacções não se ficaram por aqui nem as respostas. Amanhã há mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ficha técnica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem de fóssil de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; a partir do trabalho de Alexander Sharov, obtida nas &lt;a href="http://www.ento.vt.edu/%7Esharov/reptiles/reptiles.html" target="_blank"&gt;páginas do seu filho Alexei Sharov&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ref1&lt;/span&gt;) Robert R. Reisz and Hans-Dieter Sues (2000). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The 'feathers' of Longisquama&lt;/span&gt;. Nature 408, 428. &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://dx.doi.org/10.1038/35044204" target="_blank"&gt;doi:10.1038/35044204&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17907430-4188897931311434423?l=caisdegaia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caisdegaia.blogspot.com/feeds/4188897931311434423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17907430&amp;postID=4188897931311434423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/4188897931311434423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17907430/posts/default/4188897931311434423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/nem-sempre-uma-escama-longa-uma-pena.html' title='Nem sempre uma escama longa é uma pena'/><author><name>Caio de Gaia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16543695815883001467</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rws1ueLrA7I/AAAAAAAABDs/_sKD_hfUPAo/s72-c/longisquama_ico2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17907430.post-33180015525954204</id><published>2007-10-07T02:58:00.000+01:00</published><updated>2007-10-09T08:25:28.262+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paleontologia'/><title type='text'>Uma escama longa, insigne mas controversa</title><content type='html'>&lt;span class="arquivo"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rwr68eLrA2I/AAAAAAAABDI/-nY8bcp8evU/s1600/longisquama_ico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119179843261104994" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;img style="border: medium none ; margin: 0px auto 10px; padding: 0pt; display: block; text-align: center;" src="http://bp0.blogger.com/_u4oLkLG_v0A/Rwr58eLrA1I/AAAAAAAABDA/PEiTsb_6vBk/s1600/longisquama1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119178743749477202" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; De volta ao Triásico e às descobertas de um senhor chamado Alexander Sharov. Se um réptil capaz de vôo planado usando as pernas parece extraordinário, que tal uma criatura do tamanho de um rato, de corpo semelhante a um lagarto, com cabeça com um formato que faz lembrar uma ave, e com estruturas em forma de haste, de 12 centímetros de comprimento, a sairem-lhe do dorso? Pois bem, Sharov encontrou um animal desses, que baptizou de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama insignis&lt;/span&gt;. Nos últimos sete anos este animal passou de uma relativa obscuridade para as luzes da ribalta, sendo o pomo de intensa discórdia, com interpretações completamente antagónicas da mesma evidência, e resvalando inclusive para o insulto pessoal mais ou menos velado. É que há quem veja nas estruturas no dorso deste animal os precursores das penas das aves, há quem veja apenas escamas longas, e até há quem diga que seriam hastes de fetos preservadas junto com um réptil. Enfim, quando os cientistas estão em desacordo as coisas podem ficar feias. &lt;span class="arquivo"&gt;&lt;a href="http://caisdegaia.blogspot.com/2007/10/uma-escama-longa-insigne-mas.html"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[... ler mais]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="item"&gt;&lt;br /&gt;O campo que vê as estruturas como penas publicou o seu ponto de vista num artigo de Terry Jones e colegas na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Science&lt;/span&gt; em 2000 (ref1). Numa tradução livre do resumo:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama insignis&lt;/span&gt; era um arcossauro pouco usual do Triásico Tardio da Ásia central. Ao longo do seu eixo dorsal o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; apresentava uma série de apêndices integumentares que se assemelhavam em muitos detalhes às penas das aves, em especial na anatomia da região da base. Esta era de tal forma semelhante ao cálamo das penas modernas que cada uma representa provavelmente o culminar de processos morfogenéticos virtualmente idênticos.  A relação exacta do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; às aves é incerta. Apesar disso, interpretamos os longos apêndices integumentares do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt; como sendo penas não avianas e sugerimos que eles são provavelmente homólogos com as penas avianas. Se assim for, eles precdem as penas do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Archaeopteryx&lt;/span&gt;, a primeira ave conhecida a partir do Jurássico Tardio.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eu já referi aqui por diversas vezes que há um certo consenso em que as aves serão dinossauros. Ora consenso não quer dizer unanimidade, há quem não esteja convencido, e algumas das vozes discordantes mais famosas,  Alan Feduccia e John Ruben, são coautores deste artigo. Em declarações em comunicados de imprensa na sequência do artigo, Alan Feduccia, e outros autores, defendem que as aves fazem parte de uma linhagem de arcossauros que incluiria o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt;, e as semelhanças com os dinossauros terópodes seriam fruto de convergência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo de Terry Jones e colegas foi obviamente controverso e foi recebido de forma particularmente hostil pelo campo que defende que as aves são dinossauros terópodes. Num artigo de acompanhamento no mesmo número da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Science&lt;/span&gt; (ref2) Erik Stokstad escreve este parágrafo que resume bem as reacções dos dois campos:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A minoria de cientistas que rejeitam a origem dinossauriana das aves está radiante com a nova descrição do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longisquama&lt;/span&gt;. «É quase demasiado bom para ser verdade,» diz Storrs Olso
